EXCLUSIVO: Onii e G10 das Favelas levam lojas autônomas para a periferia

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A parceria: Daniel Cristóvão (à esq.), o empreendedor, Ricardo Podval (ao centro), sócio-fundador da Onii, e Gilson Rodrigues (à dir.), presidente do G10 das Favelas

Após mais de um ano de operação, a Onii, startup que oferece lojas de conveniência automatizadas para condomínios e prédios comerciais, volta suas atenções para o empreendedorismo social. A partir do final deste mês, a empresa lançará o eegloo, braço corporativo com foco no fomento de novos negócios, postos de trabalho e renda nas comunidades periféricas do Brasil.

Com aproximadamente 500 lojas em 15 cidades do país, a Onii oferece três tipos de lojas de conveniência com variações de tamanho, que vão desde 2 metros quadrados até 20 metros quadrados. Todas as versões são automatizadas com tecnologia oferecida pela startup. Não há funcionários, caixas e o pagamento é feito por meio de um aplicativo no celular. Os estabelecimentos ficam abertos 24 horas por dia.

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A criação da eegloo traz pretensões de levar o mesmo modelo de estabelecimentos autônomos para as comunidades brasileiras. “Teremos nossa primeira loja em Paraisópolis [uma das maiores favelas da zona sul paulistana] a partir do final deste mês e a nossa ideia é ter 1 mil estabelecimentos até o final de 2023”, diz o sócio fundador da Onii, Ricardo Podval. “Isso trará um importante retorno para as periferias. Nossa grande preocupação é levar transformação social por meio do empreendedorismo.”

Embora a pretensão seja de levar o mesmo modelo para as periferias, a grande mudança que a iniciativa propõe é a de reinvestir no ecossistema econômico local. Com a Onii, os donos das lojas licenciam a marca e repassam pelo menos 10% da receita total de cada mês para a startup.

Já na eegloo, o faturamento de cada empreendimento será dividido entre quatro partes: o empreendedor da região; o grupo G10 das Favelas; a ONG Turma do Jiló, que incentiva a educação inclusiva em escolas públicas; e a Onii, que receberá apenas o valor para arcar com custos operacionais e tecnológicos.

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O papel do empreendedor local é um dos mais importantes no plano que a eegloo traça para as comunidades. Em conjunto, o G10 das Favelas e a startup pesquisarão, capacitarão e selecionarão donos de negócios regionais para comandar as lojas autônomas. O processo de treinamento conta com mentorias e apoio jurídico.

Em Paraisópolis, onde ficará a primeira loja da eegloo, o empreendedor escolhido foi Daniel Cristóvão, que é dono do mercado Brasileiríssimo. “Eu vejo um potencial grande no projeto”, diz. “Com a mentoria e a formalização da minha empresa, o céu é o limite e espero um crescimento maravilhoso.”

DA FAVELA PARA O BRASIL

O presidente do G10 das Favelas, Gilson Rodrigues, festeja a parceria com a Onii. “Neste momento de agravamento da crise sanitária e financeira, a melhor forma que a gente tem de contribuir com quem mais precisa é a ajudando empreender e colocar dinheiro no bolso”, diz.

Rodrigues também chama atenção para o fato de que as lojas da eegloo não só trarão produtos de grandes marcas do varejo para dentro das comunidades, mas também farão o caminho inverso. “Com essa parceria, a gente percebe a possibilidade de levar os produtos da favela para outros territórios, para os mais de 1 mil estabelecimentos que existirão no futuro”, diz.

A perspectiva é de que não só empreendedores locais virem donos das lojas autônomas, mas também possam aproveitar as já existentes em suas comunidades para vender seus produtos. “Queremos levar produtos da favela para além da favela”, diz Rodrigues. “Nosso desejo é que os produtos que são criados aqui não sejam rotulados e marginalizados como as pessoas da favela são.”

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