Conheça o empreendedor que quer ensinar as pessoas a imaginarem o futuro

Tiago Mattos, da Aerolito, desenvolveu uma trilha de aprendizado de futures literacy, considerada pela Unesco a principal habilidade para lidar com o mundo pós-pandêmico.

Gabriela Del Carmen
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Tiago Mattos, cofundador da Aerolito, anunciou os novos projetos da companhia, desenvolvidos para aplicar os conhecimentos do futurismo

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Criada como um laboratório de ensino e pesquisa que ajuda as pessoas a aumentarem a consciência sobre o futuro, a Aerolito opera em um ecossistema de futures literacy (ou alfabetização para futuros), que constitui a habilidade de imaginar e entender o que vem pela frente e as possibilidades envolvidas. O objetivo não é ter certeza do que vai acontecer, mas compreender as opções e agir de acordo com o necessário para alcançar aquilo que se deseja, considerando empresas e pessoas como agentes ativos dessa construção. Com exclusividade à Forbes Brasil, Tiago Mattos, cofundador da companhia, anunciou três novos projetos, desenvolvidos para aplicar os conhecimentos do futurismo com o intuito de encorajar pessoas físicas e jurídicas a pensarem e valorizarem seus desejos para a próxima década, considerando novas tecnologias, ciências e modelos de negócio.

“Como o mundo muda muito rápido, achar que nós podemos identificar quais são as habilidades que as crianças precisarão ter em um contexto muito diferente do atual é ingenuidade. Mas, se elas aprenderem a aprender, serão capazes de [se preparar para] qualquer coisa, independentemente de para onde o mundo for”, explica Mattos. Pensando nisso, a primeira novidade é um projeto infantil criado para desenvolver temas e ferramentas dos futuros das crianças.

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Batizada de Caixa do Futuro, a iniciativa engloba um conjunto de kits recheados de bonecos, lanternas, baralhos e outros objetos lúdicos para que pais e mães ensinem aos filhos conteúdos que, geralmente, não são discutidos entre os mais jovens, como educação financeira, sentimentos e noção de tempo. A espinha dorsal é um livro que se desdobra em uma série de missões que, desvendadas com o apoio da família, ajudam as crianças a aprimorar habilidades importantes para o futuro. “A atividade não tem nenhuma resposta certa e pode ser feita infinitas vezes. Eu acho que existe uma série de coisas que a escola, por ser desenhada como sempre foi, não aborda, entre elas temáticas como comunicação não violenta, empreendedorismo e emoções. Quem sabe a gente aproveita essa oportunidade para mostrar às famílias que existem outras formas de aprender que não passam necessariamente apenas pela escola?”, pergunta o empreendedor.

Criadas com o intuito de dialogar diretamente com as famílias e as instituições de ensino, as caixas buscam oferecer uma abordagem complementar em termos de conteúdo, temáticas e metodologias, para que, desde cedo, as pessoas aprendam a aprender. Até o final de 2021, a Aerolito espera vender 5 mil unidades, disponíveis por R$ 249 cada. Para o ano que vem, a expectativa é firmar parcerias que deem mais visibilidade ao projeto, para iniciar uma segunda fase, com crescimento bem maior. “No momento em que tivermos as três caixas, as pessoas vão entender que não é o tema, mas a estrutura que funciona para qualquer coisa, como alimentação saudável e inovação, entre outros temas.”

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O segundo projeto é o lançamento de um marketplace para discutir o consumo consciente. Baseada na ideia de the why store (“a loja do por que”), a solução convida o cliente a refletir sobre o motivo de estar fazendo uma compra. “Ao entrar na plataforma, a primeira pergunta que fazemos é o que o consumo consciente representa para aquela pessoa”, explica Mattos. O sistema tem vários filtros, como itens veganos, produção local e transparência, entre outros. A ideia é que, a partir da seleção, o usuário seja apresentado a empresas e produtos que se encaixem no seu perfil. “Ao comprar dessa forma, as pessoas vão se educando sobre o que é mais importante para si mesmas. Assim, quando ela estiver em uma loja que não tenha essa ferramenta, já terá o olhar treinado para isso”, complementa.

Planejado para ser uma ferramenta anti-consumo, o site apresenta, antes de o usuário concluir sua compra, uma janela com a mensagem “aguarde 30 segundos e reflita se você não está fazendo uma compra por impulso”. Além disso, ao simular as compras com apenas um clique, o sistema apresentará um botão falso que, ao ser ativado, vai gerar uma explicação sobre o que é a ferramenta de one-click buy, para educar as pessoas a respeito desta estratégia, amplamente utilizada para otimizar o processo de pagamento de um e-commerce e aumentar as vendas de um site. “Depois de um certo tempo da compra, a pessoa também vai receber um email para dizer se e quantas vezes ela usou o produto adquirido e, em caso de pouco ou nenhum uso, alertar para que o usuário avalie a necessidade de sua próxima compra.”

Ao adotar práticas de adequação aos planos globais de sustentabilidade, a plataforma terá ainda um limite de pegada de carbono para cada CPF. Todos os itens estarão associados a uma quantia do gás poluente e, ao atingir o valor máximo, o usuário deverá esperar um ano desde a data da compra para poder adquirir novos produtos. “Do ponto de vista comercial, não são estratégias inteligentes, pois estamos diminuindo a venda. Mas, justamente por provocar uma transformação real, acreditamos no sucesso e prestígio comercial da plataforma”, argumenta Mattos. A iniciativa promete ainda apresentar, de forma clara e transparente, como os preços de venda foram definidos.

A coleção, desenvolvida graças a uma parceria da Aerolito com marcas sustentáveis e conscientes, como a Revoada, Dobra e Preza, conta com jaquetas, tênis, drinques, capas de chuva, camisetas, livros e itens de decoração, entre outros. “Mas o principal não é o produto em si. Claro que ele vai ser atraente, mas o legal é a experiência de compra – é  uma escola sobre consumo consciente em formato de loja.” A plataforma estará no ar ainda no primeiro semestre de 2021.

Para completar a tríade dos lançamentos, Tiago Mattos está estruturando o primeiro MBA (Master of Business Administration) de futures literacy em parceria com uma universidade – ainda mantida em segredo. O objetivo é ajudar as pessoas a desenvolverem a capacidade de imaginar diferentes futuros e narrativas, a partir de métodos e pressupostos distintos, para atingir diferentes fins. “Nós acreditamos que uma nova era está chegando, com a colaboração entre o mercado e a academia. Juntar forças parece ser um novo movimento que vai fortalecer aspectos que a academia às vezes não tem condição de suprir, e que vai trazer valores das universidades que as escolas livres por muito tempo abriram mão.”

Com duração de um ano, a iniciativa será em formato 100% digital, com o objetivo de fomentar o mercado de futures literacy e ajudar a sociedade a falar as línguas dos futuros. “Quando eu digo futuros no plural é porque a gente não sabe qual é o futuro, é um cone de possibilidades. Esses futuros emitem sinais para nós ainda no presente e, quem estiver letrado, conseguirá captá-los”, explica o empreendedor.

No ano passado, a futures literacy foi apontada pelo Fórum Econômico Mundial e pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como a principal habilidade para lidar com o mundo pós-pandêmico e uma das mais essenciais para o século 21, uma vez que a imaginação do amanhã para definir as ações do hoje pode ajudar a diminuir a visão pessimista sobre os próximos anos e o sentimento de ansiedade frente às mudanças. Segundo a Unesco, “ser alfabetizado no futuro fortalece a imaginação, aumenta nossa capacidade de nos preparar, recuperar e inventar conforme as mudanças ocorrem”.

Para a Aerolito, trabalhar com futures literacy não é novidade. Em 2018, ao compreender as possibilidades de ensino, a empresa instituiu uma filosofia de digital first, baseada em tornar-se uma companhia primeiro digital e, só então, presencial. “Criamos um modelo em que, se fôssemos ter uma reunião, primeiro ela tinha que ser pensada para o digital e, só  se não funcionasse, a gente se encontrava ao vivo. Pensávamos em como ter uma sede operando no digital, e depois no formato físico. Não era uma questão só de produtos e serviços, mas de toda a empresa”, explica Mattos. Com esse modelo de negócio estabelecido há quase três anos, com a chegada da pandemia a Aerolito não precisou se reestruturar, pois já estava totalmente pronta para operar no digital. “Fizemos uma aposta e ela acabou se concretizando.”

Em relação ao crescimento expressivo de cursos online, o empreendedor diz: “O que pode ser visto como ruim para muita gente, eu encaro como algo maravilhoso, porque fortaleceu o mercado. Além disso, quando o setor de educação online cresce, todo mundo que atua nele cresce também. E quem está há mais tempo, avança ainda mais, pois já está estabelecido”. Além da futures literacy, a empresa trabalha com metodologias de ensino a distância, aprendizagem viva e aulas em realidade virtual. “São recursos que ainda não estão maduros no mercado mas, assim como em 2018 o setor ainda não reconhecia o Ead, daqui a alguns anos coisas que nós já temos no portfólio estarão consolidadas”, finaliza.

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