Startup de energia solar capta US$ 250 milhões e é o mais novo unicórnio norte-americano

Financiamento mais recente é cinco vezes maior do que os US$ 50 milhões da série B, realizada em novembro de 2020.

Sofia Lotto Persio
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Reprodução/Forbes
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Samuel Adeyemo e Christopher Hooper se conheceram enquanto faziam seus MBAs na Stanford University e fundaram a Aurora em 2013

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Como um emprego paralelo aos seus estudos de MBA na Universidade de Stanford, Sam Adeyemo e Chris Hopper foram contratados para instalar um sistema solar em uma escola em Nairobi, no Quênia, em 2012. A instalação dos 220 painéis levou duas semanas, mas provou ser uma tarefa fácil. A parte desafiadora foi planejar o projeto, que teve que ser feito remotamente e levou mais de seis meses.

A experiência fez com que a dupla percebesse a necessidade de ferramentas para agilizar o design de projetos solares comerciais sem precisar estar fisicamente no terreno. Essa intuição os levou, em 2013, à fundação da Aurora Solar, uma plataforma de software para venda e design de energia solar que permite que os profissionais determinem remotamente vários fatores fundamentais para uma instalação: desde quantos painéis caberão em uma propriedade, até a produção de energia potencial do projeto, necessidades de bateria e a economia financeira que a mudança para a energia solar trará para um cliente.

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Por meio de recursos como o design de sistema fotovoltaico automatizado, análise de tonalidade baseada na tecnologia LIDAR e modelagem 3D assistida por IA, um instalador solar que faça uso do software Aurora pode economizar dinheiro e o tempo necessários para viajar até o local da instalação, capturando a exposição à luz solar e o processamento dos resultados, antes de fornecer um orçamento ao cliente.

É uma proposta popular: a Aurora afirma que mais de 40 mil projetos são criados em sua plataforma a cada semana. Os investidores também estão prestando cada vez mais atenção. A Aurora arrecadou um total de US$ 320 milhões nos últimos dois anos, após quase cinco anos de bootstrapping (iniciar um negócio com recursos limitados, sem o apoio de investidores)

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Ontem (24), a startup anunciou o encerramento de uma rodada da série C de US$ 250 milhões – um aumento de cinco vezes desde a rodada da série B de US$ 50 milhões anunciada em novembro. É uma prova da atratividade crescente da indústria solar, onde os custos dos painéis fotovoltaicos diminuíram em mais de 80% na última década, de acordo com algumas estimativas. 

E mesmo que pesquisas recentes indiquem uma reversão no colapso do preço da energia solar, devido ao aumento dos custos de sua principal matéria-prima, o polissilício, os cofundadores da Aurora dizem que sua tecnologia pode ajudar a reduzir ainda mais os custos relacionados à instalação de painéis solares. “Se você puder ser mais preciso e souber o tamanho do sistema que se ajusta ao quanto vai produzir, quais serão as economias, poderá fazer uma cotação com muito mais confiável e isso também reduzirá custos”, diz Hopper, acrescentando que “se pudermos reduzir os custos indiretos, isso seria enorme”. 

“É uma grande oportunidade de mercado”, diz Pejman Nozad, sócio-gerente fundador da Pear VC, que investiu em todas as rodadas de financiamento da Aurora. “As instalações solares devem crescer mais de 35% CAGR (Taxa Composta de Crescimento Anual, da sigla em inglês) nos próximos cinco anos. A Aurora torna essas instalações possíveis”, diz à Forbes.

Após a última rodada de financiamento, a startup diz que alcançou o status de unicórnio, com uma avaliação de US$ 2 bilhões. Os cofundadores, no entanto, permanecem com os pés no chão. “Não parece que estamos no topo do Monte Everest, é mais como se estivéssemos no acampamento base. O Monte Everest é quando todo telhado tem energia solar”, diz Hopper.

Adeyemo acrescenta: “Acho que as pessoas estão começando a reconhecer que sim, isso é muito importante para a sociedade como um todo. E sempre que houver grandes problemas, haverá oportunidade para que os investidores encontrem boas soluções. E é isso que realmente faz uma série C significativa”.

A plataforma da Aurora, que é alimentada por uma variedade de fontes de dados, foi usada até agora para concluir 5 milhões de projetos, disse Adeyemo à Forbes. 95% deles possuem sede nos Estados Unidos, com um aumento da demanda internacional. A cada novo projeto, a plataforma adquire mais dados. “Cada vez mais, conforme nosso produto se desenvolve, também geramos dados que podemos usar para torná-lo melhor. Na verdade, esse é um dos aspectos mais interessantes do que estamos fazendo”, diz ele. 

O potencial de automação e sua aplicação a outros serviços também é o que anima apoiadores como o Nomad. “Como uma empresa de software como serviço, a Aurora continua a ter um desempenho superior em todas as métricas tradicionais e, mais importante, continua a crescer a taxas que vemos apenas em empresas em estágio inicial. A oportunidade está além de seu produto SaaS inicial, mas em se tornar o sistema operacional para a indústria solar”, diz ele.

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