Amanda Graciano fala sobre os planos do Cubo para o ecossistema de startups

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A head de startups do hub de inovação e empreendedorismo: foco na geração de negócios

Conexões, negócios, crescimento e diversidade: estes são os mantras no trabalho de Amanda Graciano, head de startups do Cubo, o mais antigo hub de inovação e empreendedorismo do país. Idealizado pelo Itaú e pelo fundo Redpoint eventures, o espaço fomenta e conecta empresas de base tecnológica a grandes corporações.

A rede de startups do Cubo, que compreende um grupo de quase 500 empresas de alto crescimento atuantes em diversos segmentos, como a fintech ContaAzul, a HRtech Kenoby  e a healthtech Vittude, faturou R$ 4 bilhões e gerou mais de 3.000 empregos em 2020. Na outra ponta, grandes empresas compram os serviços destas startups e 25 delas ocupam o espaço como mantenedoras, como a Dasa, B3, Cogna e Grupo Pão de Açúcar (GPA), além da consultoria Everis, que anunciou sua parceria com o hub no mês passado.

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A Covid-19 impactou os trabalhos presenciais do hub baseado no bairro paulistano da Vila Olímpia, que está operando de forma predominantemente remota desde março do ano passado. Apesar da situação atual, as atividades foram digitalizadas e o foco em fortalecer a capacidade de geração de negócios é cada vez mais forte: “Vamos olhar mais para a geração de negócios, tanto em verticais específicas quanto ações grandes, envolvendo mantenedores que já estão no Cubo e conectando organizações que ainda estão fora”, diz Amanda, em entrevista à Forbes.

“Queremos que os negócios da nossa comunidade gerem contratos e faturamento e esse é o meu norte como head de startups: possibilitar as conexões e negócios para que estas empresas tenham a possibilidade real de crescer, serem adquiridas ou virarem unicórnios“, diz a economista, cujo histórico no mundo de inovação a dotaram de um olhar para o tema a partir de diversos prismas, o que contribui para a missão a que se propõe no Cubo.

“Fiz muitas coisas no ecossistema nos últimos anos, que incluíram educação empreendedora, maratonas de empreendedorismo, acelerações variadas, e [essas experiências] e me juntar ao Cubo fez muito sentido por conta dessa trajetória”, conta.

Além de seu papel no Cubo, Amanda atua em várias outras frentes do ecossistema, e entre suas diversas atividades, é professora na escola de negócios para a nova economia Conquer e membro do conselho do hub de investimento voltado a empreendimentos liderados por mulheres Wishe Women Capital.

“Sou inquieta e inconformada demais com o status quo para ficar parada: não posso assistir [aos acontecimentos do ecossistema] sem me conectar. Eu preciso fazer todas estas coisas, e contribuir para a mudança”, pontua a mineira, que cita os músicos e empresários Emicida e Beyoncé, assim como a apresentadora e atriz Pathy Dejesus, entre suas referências: “Gosto muito do trabalho destas pessoas, que também são muito plurais.”

PRIORIDADES

Logo após ter começado na função de head de startups em dezembro de 2020, uma das primeiras iniciativas que Amanda conduziu foi o Selo Cubo, que o hub realiza no primeiro trimestre. “Esta é uma ação muito importante, pois é uma chancela do hub para as startups da comunidade”, explica. “Também é um momento em que nos aprofundamos nestes negócios para contribuir para o desenvolvimento deles, e entender se, por exemplo, estas empresas pivotaram, e, neste ano, como a pandemia as impactou.”

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Outra iniciativa de destaque foi o Oiweek ao Cubo, projeto que aconteceu no final de maio em parceria com a 100 Open Startups para conectar as startups com as corporações que estão no ecossistema do hub. O evento incluiu uma programação de conteúdo sobre inovação aberta, pitches das novas empresas e sessões de “speed dating” entre corporações e startups. 

Ao longo de uma semana, o evento atraiu 1.000 executivos de quase 400 corporações e registrou mais de 500 negócios iniciados entre estas empresas e as mais de 160 startups Cubo participantes. O projeto foi precedido por um piloto com 20 startups no início do ano, e a conclusão de que o mesmo modelo poderia ser utilizado em uma escala bem maior.

“Conseguimos trazer para a programação do evento temas em voga como transformação digital, produtividade e  cibersegurança, bem como as nossas startups que atuam nestas áreas”, diz. “Sabemos que dá para fazer um milhão de coisas, mas meu foco é fazer o que entrega valor; e esta abordagem de apresentar o negócio, falar de inovação aberta e depois ter reuniões é um foco do Cubo, de conexão e geração de negócios.”

Além de rotinas como desafios de startups, em verticais como saúde e educação, outras áreas de foco do Cubo incluem o tratamento das dores de crescimento destas empresas, segundo Amanda. “Nosso objetivo é atuar de forma muito certeira nestas dores coletivas; temos feito isso desde o começo do ano, em áreas como vendas B2B e logo vimos o impacto nos clientes destas startups e também no faturamento delas”, ressalta.

Segundo a economista, dados desempenham um papel importante no trabalho de fomento do Cubo: ao analisar aspectos como padrões de fechamento de contratos, faturamento por vertical, geração de empregos ou para quais setores a oferta de determinada startup chama mais a atenção, torna-se possível planejar ações e desenvolver projetos de suporte à trajetória dos empreendedores do hub.

“Dados são muito importantes para, aos poucos, criarmos uma fotografia do todo, e vermos como nosso trabalho consegue influenciar [o desenvolvimento das startups]. A história que queremos contar no final é como o que fazemos impacta a jornada de quem está empreendendo, e os projetos saem sempre com este objetivo”, pontua.   

DIVERSIDADE

Ampliar a diversidade  do ecossistema de inovação nacional e regional também está no radar das atividades da economista. No ano passado, o Cubo Itaú uniu-se ao BID Lab, laboratório de Inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento e mantenedor do hub, para promover o BID ao Cubo. O programa de imersão de treinamento e aceleração de startups com foco nas regiões Norte e Nordeste, realiza a sua segunda edição este ano.

“[O BID ao Cubo]  vai muito ao encontro de um olhar para o Brasil profundo”, diz Amanda, em referência ao nome dado às regiões mais distantes da realidade dos grandes centros metropolitanos.  “Ainda temos muitas startups do estado de São Paulo, mas nossas ações permitem que a gente chegue em outros lugares também.” No ano passado, o  projeto selecionou 10 startups para participar de uma jornada de três meses com workshops, sessões de mentoria, e networking e acesso aos centros de tecnologia das empresas e este ano 15 startups devem ser selecionadas

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O projeto do BID também tem uma versão com foco na América Latina e no Caribe, alinhada ao objetivo do hub de ampliar seu escopo de atuação na região, em particular em verticais como saúde, educação e varejo. “Estamos olhando para projetos de impacto, e para as dores que eles tentam resolver”, afirma. 

“Temos inscrições de startups da América Latina inteira querendo conhecer e entender melhor como é o ecossistema do Brasil. Essas trocas são importantes, pois o Brasil não conhece tanto a América Latina e vice-versa: há um gap cultural gigante, apesar de estarmos no mesmo continente”, aponta Amanda.  

As métricas de inclusão também são objetivos do BID Lab, e estão sendo acompanhadas, segundo  Amanda. O projeto garante que pelo menos 25% dos empreendedores serão de grupos como mulheres, pessoas negras, da comunidade LGBTQIA+ e com deficiência. “Não é simplesmente querer [a porcentagem mínima de grupos diversos]. Nós vamos correr atrás para conseguir isso.”

Uma das principais aspirações de Amanda é ter cada vez mais grupos minoritários representados no ecossistema de inovação brasileiro. “[Pensamos em] como criar um projeto em que mulheres e pessoas negras entendam que também é direcionado para elas”, diz Amanda, acrescentando que a presença de vivências diversas nos grupos do projeto também facilita a absorção do conteúdo. “A lente da vivência e da experiência faz toda a diferença”. ressalta. 

Outro ponto fundamental para a head de startups  no trabalho do Cubo com o BID é ver o surgimento de outras Amandas, ou seja, outras mulheres e pessoas negras assumindo protagonismo no ambiente de inovação nacional.. “Teremos mais caras do Brasil sendo representadas e isso impacta todo o ecossistema, com soluções que façam sentido para todo mundo”, afirma.

TENDÊNCIAS

Analisando tendências para o segmento de startups, a economista nota um aumento na democratização de investimentos em startups, não só em termos de dinheiro. Isso se dá  através de mecanismos como o equity crowdfunding (instrumento de financiamento coletivo que visa difundir e facilitar o investimento em startups por pessoas físicas e aumentar possibilidades de aportes para novas empresas), mas também de acesso ao conhecimento.

“Considerando o cenário de pandemia, em que muitos negócios tradicionais não conseguiram migrar para o digital, vejo que o conhecimento não está democratizado. Essas pessoas poderiam estar empreendendo, com seu próprio e-commerce, mas não tinham acesso a esse tipo de conhecimento”, argumenta Amanda, acrescentando que  é importante que mais pessoas compreendam o que é a tecnologia, a inovação, seus processos e consequências.

Em relação ao estado atual do ecossistema brasileiro de startups, Amanda percebe um aumento dos investimentos estrangeiros no país, além de uma crescente de negócios e startups se provando cada vez mais rentáveis no longo prazo. “Temos mais fundos ao redor do mundo olhando para o Brasil e colocando dinheiro aqui. Isso significa que o país tem amadurecido seu ecossistema, cada vez mais”, afirma.

A tendência de aumento em investimentos é para o  país como um todo, e não apenas na região Sudeste, diz Amanda, que também observa a emergência de mais startups, negócios e soluções, assim como uma maior geração de empregos e riqueza por estas empresas.

“O Brasil produz muitos unicórnios, praticamente um por mês, estamos vendo mais startups recebendo aportes e mais [empresas deste segmento] fazendo IPOs”, pontua a economista. “Além disso, o mercado começa a olhar para a diversidade, ao mesmo tempo em que mais pessoas entendem que podem investir, com plataformas de equity crowdfunding sendo democratizadas. É um cenário muito otimista.”

Para o próximo ano, Amanda espera  que o BID ao Cubo alcance suas metas de diversidade, e que o ecossistema como um todo avance a favor da inclusão. “Também quero perceber essa crescente evolução do impacto do meu trabalho, no time, com o crescimento das startups e dos negócios que fazem parte do Cubo”, acrescenta. 

A especialista em inovação  também espera repetir e superar o faturamento gerado pelas startups do Cubo  em 2020, contribuir positivamente para fomentar o impacto das empresas no ecossistema e ver uma maior  democratização de oportunidades de investimento online em startups e empresas em expansão. “Quero continuar contando a história desse ciclo virtuoso”, finaliza.

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