“Existe uma impressão errada de que o LinkedIn se beneficia de crises, mas não é verdade”, diz Milton Beck, diretor-geral para AL

Para o executivo, a rede social ganha muito mais quando a economia está aquecida e as empresas investem para preencher as posições disponíveis .

Matheus Riga
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De acordo com o diretor-geral do LinkedIn para a América Latina, Milton Beck, mais de 90% da receita da plataforma vem da venda de ferramentas de marketing, vendas e recrutamento para outras empresas

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Depois da venda da empresa de meios de pagamentos PayPal para a varejista digital eBay por US$ 1,5 bilhão em 2002, grande parte dos fundadores saiu do negócio para novas empreitadas. Neste seleto grupo de inovadores, conhecido como “PayPal Mafia” (Máfia do PayPal, em português) estavam mentes como Elon Musk, Peter Thiel e Steve Chen, que, mais tarde, criaram companhias como SpaceX, Palantir Technologies e YouTube, respectivamente.

Um outro integrante deste grupo era Reid Hoffman, que, assim como os outros, utilizou parte dos recursos captados com a operação para investir em um novo empreendimento. Pouco mais de um ano após a conclusão da aquisição, Hoffman e mais quatro colegas da empresa de pagamentos criaram a rede social profissional LinkedIn, com o objetivo de conectar profissionais de tecnologia.

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No percurso de quase duas décadas, a empresa passou de um “repositório de currículos” para se tornar uma rede social com mais de 774 milhões de usuários cadastrados em 200 países. Os três que mais usam o LinkedIn, segundo a própria empresa, são Estados Unidos, Índia e China. Em quarto lugar aparece o Brasil, onde a plataforma alcançou a marca de 51 milhões de usuários registrados neste mês. Esse número corresponde a um pouco mais da metade (50,4%) da população economicamente ativa do país, que segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) corresponde a 101 milhões de pessoas.

Durante os últimos 18 anos, o negócio não cresceu apenas em número de usuários, mas também em rentabilidade. Com três fontes de receita – os planos de assinatura premium para usuários, as ferramentas de contratação e seleção para empresas e uma plataforma de marketing e anúncios – o LinkedIn chegou a uma receita de US$ 10 bilhões no ano fiscal de 2021, encerrado no mês passado. Esse valor é três vezes maior do que era em 2016, ano em que a gigante de tecnologia Microsoft comprou a rede social por US$ 26,2 bilhões.

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FOCO NA CARREIRA

O caminho para o Brasil se tornar o quarto maior país em número de usuários foi construído na última década. A operação da plataforma no país começou no final de 2011, com a abertura de um escritório em São Paulo (SP). À época, a base da rede social em território brasileiro era de 5 milhões de perfis cadastrados. “A empresa tinha acabado de abrir capital na bolsa de valores norte-americana [na NYSE, um ano antes] e era um rede social pequena, com uma base consideravelmente menor de usuários”, diz o diretor-geral do LinkedIn para América Latina, Milton Beck, em entrevista exclusiva à Forbes.

Com quase uma década de atuação na companhia, Beck relembra que o maior desafio para atrair novos usuários brasileiros era mudar a percepção que as pessoas tinham da rede social. “No começo, o trabalho era fazer elas entenderem o que conseguiriam com o LinkedIn, que não era só procurar emprego, mas também ampliar a rede de contatos profissionais, ter acesso a conteúdo, aprender e alavancar a carreira”, diz. “Lembro que era muito comum fazermos reuniões com executivos de grandes empresas e ouvir que ‘pegava mal’ estar na plataforma, pois dava a impressão de que estavam insatisfeitos com os seus cargos atuais.”

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Embora a companhia permaneça sendo forte na publicação de vagas de emprego – são mais de 210 milhões de candidaturas abertas atualmente e quatro contratações “intermediadas” por minuto -, o executivo conta que o que despertou o interesse do brasileiro foi a proposta e funcionamento da plataforma. “Nós somos uma rede onde todos querem se tornar melhor naquilo que fazem”, afirma Beck. “É um espaço claramente voltado para assuntos de carreira. Creio que 95% do conteúdo publicado no LinkedIn é relacionado a desenvolvimento pessoal e profissional, aprendizados, atualidades. É uma dinâmica diferente.”

As recentes crises econômicas enfrentadas pelo Brasil na última década e a consequente alta do desemprego, segundo o executivo, não beneficiaram a plataforma. “Há uma ideia errada de que o LinkedIn se beneficia de crises”, afirma o executivo. “Quanto mais a economia estiver aquecida, melhor para a gente, porque mais vagas de emprego são anunciadas, mais empresas buscam talentos, mais as companhias investem em publicidade.” De acordo com ele, mais de 90% da receita da rede social vêm da venda de suas plataformas de marketing, vendas e recrutamento para as demais corporações. O restante é gerado pelas licenças premium adquiridas pelos usuários.

EFEITO PANDÊMICO

Quando comparado com 2019, o ano 2020 registrou um aumento de interatividade no LinkedIn. De acordo com dados da plataforma, o último ano apresentou uma alta de 35% no número de conversas públicas no feed, assim como um crescimento de 29% no compartilhamento de conteúdo. “Com a pandemia, as pessoas passaram a procurar mais interações virtuais para se conectarem com o mundo”, diz Beck. Neste ano, ainda sob efeitos pandêmicos, revela Beck, o LinkedIn tem contabilizado 100 mil novos usuários por semana, quase 500 mil por mês.

Para acompanhar o crescimento das conversas dentro da plataforma, o executivo conta que o LinkedIn investiu para levar novas ferramentas para os usuários. “Queremos que eles aproveitem ao máximo a rede. Não é suficiente ter apenas a conta, queremos que ele entre frequentemente, conecte-se mais e aprenda”, afirma. Em 2020, a empresa lançou a sua versão dos stories e incluiu a possibilidade de realizar enquetes. Mais recentemente, já em 2021, anunciou a “Página de Serviços”, espaço onde freelancers e donos de pequenos empreendimentos podem divulgar seus produtos.

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