5G vai habilitar o futuro cada vez mais conectado

Se o mundo figital é uma realidade implacável, e a conectividade deixará de ser um limitante em função da oferta de uma tecnologia mais confiável, fica fácil prever a revolução que vem aí nos próximos anos.

Camila Farani
Compartilhe esta publicação:

“É importante ficar claro que o 5G não é apenas de uma evolução, como vimos acontecer do 2G para o 3G e 4G”

Acessibilidade


Depois de alguns adiamentos, polêmicas e muita espera, tudo indica que o leilão das frequências do 5G do Brasil finalmente acontecerá. O certame está marcado para o dia 04 de novembro, e 15 empresas já apresentaram as suas propostas para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Entre os interessados estão as operadoras tradicionais de telefonia, como Claro, Vivo e TIM, mas também players como fundos de investimentos e provedores regionais de internet. Um novo cenário de oportunidades será destravado daqui para a frente.

LEIA TAMBÉM: De quantos nãos é feito um vencedor?

Se o mundo figital é uma realidade implacável, e a conectividade deixará de ser um limitante em função da oferta de uma tecnologia mais confiável, fica fácil prever a revolução que vem aí nos próximos anos. Não é à toa, a corrida da quinta geração movimenta as principais economias do mundo. O seu impacto resultará em um valor econômico global de US$ 13 trilhões e 22,3 milhões de empregos gerados até 2035, de acordo com a IHS Markit.

É importante ficar claro que o 5G não é apenas de uma evolução, como vimos acontecer do 2G para o 3G e 4G. Estamos falando de um cenário completamente novo. A capacidade de tráfego será 20 vezes maior que a tecnologia 4G e a latência da rede, que é o tempo entre enviar um pacote de dados e receber a resposta, vai passar de 40 milissegundos para 1 milissegundo.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Esse novo cenário tecnológico abrirá uma avenida de possibilidades em todos os segmentos da economia. E, mais uma vez, o importante não é a tecnologia em si, mas o que ela nos possibilita criar e como impactará a nossa vida e os nossos negócios.

Um exemplo? A baixa latência da rede aliada a alta velocidade tornará viável a realização de cirurgias remotas mais complexas, bem como o uso seguro dos carros autônomos. O comando de frear o carro e o instante em que ele começa, de fato, a parar, tem que ser instantâneo, sob pena de um acidente acontecer. Não dá para contar com atraso de sinal, concorda? Com a tecnologia atual isso não é possível. Com o 5G, a promessa é de que será.

LEIA TAMBÉM: 11 perfis de executivos no Instagram que são verdadeiras aulas para quem quer evoluir na carreira e nos negócios

Só nos Estados Unidos, a quinta geração deverá adicionar aproximadamente 4,5 milhões de empregos e representar um aumento de cerca de US$ 1,5 trilhão no PIB ao longo desta década, projeta o Boston Consulting Group. A indústria terá um incremento de 380 mil empregos e a saúde contribuirá com US$ 104 bilhões para o PIB.

Como vemos, por trás dos números promissores, está a perspectiva de uma verdadeira transformação que vai impactar setores como agronegócio, automotivo, varejo, finanças e saúde, apenas para citar alguns. O 5G tem tudo para ser base para uma nova era de inovação que está chegando e a grande habilitadora de tecnologias exponenciais, como Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial, computação quântica, que já existem, mas avançarão para outro patamar quando essa tecnologia se tornar plena no mundo.

Vamos ver a popularização das casas inteligentes com seus sistemas avançados controlando Smart TVs, eletrodomésticos e câmeras; experiências de mídia imersiva, jogos em Realidade Aumentada e Virtual e a conexão em larga escala de unidades fabris.

É sobre alta velocidade, baixa latência e maior confiabilidade, mas, no final das contas, a grande oportunidade que o 5G nos traz é a capacidade de gerar melhores experiências para os usuários e levar a data driven economy a um novo patamar, permitindo a geração de insights e dados que ajudarão a transformar os negócios.

Vamos ter uma longa caminhada até usufruirmos todos os benefícios da quinta geração. Mas a verdade é que as conexões globais estão crescendo rapidamente no mundo. Dados da 5G Americas, a associação comercial da indústria sem fio e voz de 5G e LTE para as Américas, apontam que as conexões 5G globais alcançaram 429 milhões no segundo trimestre de 2021, um aumento de 41% em relação ao primeiro trimestre. São mais de 180 redes comerciais implantadas em todo o mundo. As remessas globais de aparelhos devem subir para 424,5 milhões de unidades em 2023, segundo projeções da RootMetrics.

É um mercado que movimenta as operadoras e fabricantes, tradicionais, mas também o ecossistema de inovação. Sim, os próximos anos serão promissores para investimentos nesta área. A operadora americana T-Mobile, por exemplo, criou o T-Mobile Ventures, braço de risco para investir em produtos e serviços 5G. A meta é desbloquear o potencial das startups que desenvolvem produtos e serviços de quinta geração, especialmente focados em segurança, futuro do trabalho e IoT industrial.

Do ponto de vista das startups, a israelense DriveNets participou de uma rodada de investimentos e levantou recentemente US$ 208 milhões. A empresa fornece soluções de roteamento baseadas em software, para provedores de serviços.

Nuvem, aplicativos, hardware, rede, dispositivos móveis, equipamentos inteligentes. Em todas as camadas, teremos oportunidades para as empresas que, de alguma forma, se beneficiam da mobilidade. Inovação é o sucesso na exploração de novas ideias. É preciso sempre pensar no próximo ciclo que pode destruir ou acelerar o seu negócio. A caminhada do 5G está apenas começando.

Camila Farani é um dos “tubarões” do “Shark Tank Brasil”. É Top Voice no LinkedIn Brasil e a única mulher bicampeã premiada como Melhor Investidora-Anjo no Startup Awards 2016 e 2018. Sócia-fundadora da G2 Capital, uma butique de investimentos em empresas de tecnologia, as startups.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Compartilhe esta publicação: