Minus: qual a possibilidade de a nova rede de posts limitados dar certo?

Criada pelo artista e professor da Universidade de Illinois, Ben Grosser, a plataforma busca a reflexão sobre o motivo de um conteúdo existir.

Luiz Gustavo Pacete
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A Minus foi criada pelo artista e professor da Universidade de Illinois, Ben Grosser (Crédito: Reprodução)

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Motivar as pessoas a refletirem sobre aquilo que postam nas redes sociais. Essa é a premissa da Minus, nova rede social que se assemelha ao Facebook, porém, limita o número total de publicações por 100 posts. Isso mesmo, em toda a vida de um usuário dentro da plataforma, é permitido somente essa quantidade de publicações. Criada pelo artista e professor da Universidade de Illinois, Ben Grosser, a Minus busca a reflexão sobre o motivo de um conteúdo existir.

A plataforma despertou a atenção de alguns usuários e também de marcas. A Nestlé, por exemplo, em uma ação criada pela Ogilvy no Brasil, utilizou a nova rede para comemorar os 100 anos da marca com 100 posts. Rafael Guaranha, gerente do Content Studio da Nestlé, explica que a plataforma despertou o interesse da marca pela proposta minimalista. “O mercado de comunicação foi acostumado, nos últimos anos, a fazer mais conteúdo para diferentes contextos em uma velocidade de informação cada vez mais ágil. A grande questão é que muitos desses conteúdos correm o risco de se tornarem perecíveis de forma muito rápida”, afirma.

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Segundo Gabriel Araújo, head da Social Ogilvy e diretor executivo de criação da Ogilvy Brasil, como uma rede social recém-lançada, a Minus deve viver um despertar de curiosidade nos próximos três meses. “Que é o tempo médio que as pessoas levam para descobrir essas novidades. Pode ser que daí para frente ela tenha uma queda na procura. Mas, o mais importante dessa rede social não é a escala ou alcance, e sim a provocação que ela traz sobre a relevância do que normalmente é postado nas outras redes.”

Rafael Coca, COO e founder da Spark, alerta que novas plataformas sociais surgem o tempo todo, o que determina o seu sucesso – e adoção de uso – é, se a proposta de valor é bem percebida e aceita pelo público. “O que observamos é que as plataformas têm deixado legados de comportamento – por exemplo, criar conteúdo mais perecível, que dura 24 horas, ou filmar conteúdo na vertical. A Minus, a meu ver, se propõe a trazer de volta a alta curadoria que cada usuário vai fazer para usar os seus 100 posts.”

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Por sua vez, Talita Zampieri, CSO da BFerraz, empresa da B&Partners.co, indica que a crítica social trazida pela Minus é importante e necessária. “A contagem regressiva para o fim da sua vida na rede propõe uma análise mais densa do legado que você quer deixar registrado, afinal, quando se inicia os posts, não é mais possível alterar, então uma das cem possibilidades de escrever algo para o mundo, se foi. Foi criada por um artista e professor que nos provoca a limitar nossa atuação, mas ao mesmo tempo colocar a criatividade em prática de uma maneira mais profunda e detalhista. Mas o que vai tornar tudo mais interessante é que não tem os likes, contagens ou número de seguidores e nem anúncios”, explica.

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