CEO da Sony Music fala sobre streaming, NFts e o futuro da música

Paulo Junqueiro narra os bastidores de uma digitalização que reduziu a força da pirataria e inseriu método ágil na dinâmica das gravadoras.

Luiz Gustavo Pacete
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Paulo Junqueiro: “se você me dissesse, há vinte anos, que hoje alugaríamos música pela internet, eu diria que não faz o menor sentido, mas o streaming mudou tudo” (Crédito: Divulgação)

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Com mais de 210 milhões de habitantes, o Brasil ainda tem muito o que crescer no consumo de streaming de áudio. E essa é uma das apostas de Paulo Junqueiro, CEO da Sony Music no Brasil, sobre os próximos anos do mercado da música no País. Que segundo ele, será marcado por maior penetração do consumo digital, o que deve dobrar o número de usuários nas plataformas.

Ainda de acordo com Paulo, o streaming foi responsável por dar nova vida a uma indústria que foi duramente golpeada pela pirataria. Em entrevista à Forbes Brasil, ele explica como tem sido o processo de digitalização da gravadora. Exemplifica o uso de dados e Business Intelligence na identificação de novos talentos e reforça a importância de métodos ágeis no atual momento de integração do ecossistema.

“Vivemos um contexto mais dinâmico e com maior velocidade, porém, repleto de oportunidades”, destaca, sinalizando, inclusive, o processo de integração das várias empresas do Grupo Sony. “Está em curso um projeto chamado One Sony cujo objetivo é aproximar cada uma das nossas divisões. É a Sony Music mais próxima da Sony Publishing, da Sony Games e da Sony Pictures”, explica. Paulo ilustra um projeto recente que envolveu essa aproximação. “A Sony Pictures foi responsável por negociar com o Globoplay o especial da Adele, que é nossa artista.”

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O papel do streaming para a indústria
“O streaming trouxe várias mudanças radicais. Pensa que no Brasil nós nem chegamos a ter a indústria do download, ela não se desenvolveu por uma série de barreiras. Se você me dissesse, há vinte anos, que hoje alugaríamos música pela internet, eu diria que não faz o menor sentido. Mas o que o streaming fez foi dar um novo ritmo a nossa indústria. Ao criar o Spotify, os fundadores viram que eles tinham a tecnologia e nós tínhamos o talento, foi uma junção muito importante. Hoje, você tem acesso a música em qualquer lugar e paga por aquilo que consome.”

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Dados e BI na descoberta de talentos
“Um outro movimento trazido pelo streaming foram os dados. Antes, você não sabia de onde estava sendo consumido sua música. Hoje, tem em detalhes se a pessoa está no carro ou em casa. Todos esses dados nos ajudam, por meio da área de Business Intelligence, a absorver, digerir e entregar para o artista uma informação estratégica. Essa nossa área se conecta com uma outra disciplina aqui chamada de Artistas e Repertórios, AIR, que tem como premissa encontrar novos talentos. Temos um exemplo muito interessante em casa que foi Os Barões da Pisadinha. Descobrimos que a música deles estava aparecendo no Top 50 mil e tinha ali um universo representativo de pessoas ouvindo, isso fez com que apostássemos e virou o sucesso que virou.”

Games, metaverso e novas tecnologias
“Todas essas novas possibilidades para a música estão mapeadas e são incríveis. No caso dos games, por exemplo, a gente ainda precisa evoluir na interlocução com as publishers. Elas atuam majoritariamente lá fora e existe uma complexidade na inserção desses jogos. No entanto, é um segmento muito promissor e que nos ajudará bastante. Dentro das empresas Sony temos o universo de Playstation que nos ajuda bastante nesse sentido.”

TikTok na composição multiplataforma
“Claro que o TikTok pega uma faixa específica. Não acredito que a maioria das pessoas esteja no TikTok procurando música, na verdade é sobre se divertir. Porém, é uma plataforma importantíssima, principalmente na descoberta de novos talentos. Mas acho que nossa indústria hoje depende de muito mais elementos e uma série de complexidades. Tem artista que vai precisar da música na novela, tem outros que não. Isso vale para NFTs e outras tecnologias cada vez mais importante para a música. Não vejo tecnologias substituindo outras, mas sim uma composição daquilo que faz mais sentido para os artistas.”

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