Globo entra em nova fase de digitalização com aposta em Cloud

Paulo Rabello, diretor do hub de operações de conteúdo, fala sobre os primeiros meses da parceria com o Google e o impacto da nuvem na transformação digital da empresa.

Luiz Gustavo Pacete
Compartilhe esta publicação:

Paulo Rabello: “Nossa relação com o Google é de médio e longo prazo e ela não é baseada apenas na transformação da Globo, mas foca no ecossistema” (Crédito: Globo-João Miguel)

Acessibilidade


Quem chega aos Estúdios Globo, antigo Projac, entre Jacarepaguá e Curicica, no Rio de Janeiro, geralmente espera esbarrar em atores, apresentadores e nomes famosos da TV. A magia do entretenimento dificilmente deixa alguém sem fazer uma selfie com um famoso ou registar cenas clássicas de um camarim, figurino ou da cidade cenográfica. Existe, no entanto, um outro mundo funcionando ali, menos tangível ou sedutor, porém, vital para que o trabalho de centenas de diretores, roteiristas, produtores e artistas ganhe forma e chegue de forma rápida a milhões de brasileiros por meio de várias plataformas.

O processo de transformação digital e integração vivido pelas empresas do Grupo Globo, nos últimos dois anos, que deu origem à Globo, depende de muita tecnologia e uma fase de transição que remete a uma estrutura robusta de dados e engenharia. Anunciada em abril deste ano, a parceria entre Google Cloud e Globo tem duração de sete anos e é decisiva para esse momento. Paulo Rabello, diretor do hub de operações de conteúdo da Globo, explica que a tecnologia em nuvem já afeta a captação, produção e distribuição de conteúdo. “Neste ano, realizamos um evento por semana que contou com um sistema de captação baseado em cloud. Para 2022, a meta é ter um por dia facilitado pela tecnologia”, explica. O primeiro grande evento da Globo a ser transmitido integralmente baseado em nuvem será a cobertura das Olímpiadas de Inverno que ocorre em fevereiro na cidade de Pequim, na China.

LEIA TAMBÉM: Interação entre Lu do Magalu e Anitta contou com tecnologia de Fortnite

Um passo importante desta digitalização foi a venda do Data Center próprio que a Globo mantinha e de onde o Globoplay surgiu. “Tínhamos estruturas físicas robustas no Rio de Janeiro e em São Paulo com servidores 100% dedicados. Hoje, vendemos parte desses espaços e ainda temos um acordo de uso por um período. No entanto, a possibilidade de migrar nossos dados para a nuvem traz ganho de eficiência e maior integração com nossos pontos de presença, chamados de POPs, que já chegam a 100 em todo o Brasil”, explica Paulo. Os POPs são espécies de retransmissores de sinais que já se utilizam de uma estrutura montada em várias partes do Brasil, fruto da parceria da Globo com suas afiliadas.

Área de pós-produção da Globo, no Rio de Janeiro, que conta com cloud e métodos ágeis de gestão (Crédito: Luiz Gustavo Pacete)

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Essa explicação técnica, em outras palavras, faz com que a empresa tenha seu conteúdo principal baseado na nuvem do Google e utilize os POPs para oferecer qualidade de carregamento próximo a casa das pessoas. “Nossa relação com o Google é de médio e longo prazo e ela não é baseada apenas na transformação da Globo, mas conforme avançamos no teste e desenvolvimento de tecnologias, também impacta em todo um ecossistema que é beneficiado”, diz Paulo, reforçando que o aumento considerável no número de eventos no próximo ano, estruturados na nuvem, ocorre exatamente para que Google, Globo e os parceiros possam testar, corrigir e identificar pontos de evolução da tecnologia.

O mundo dos games e e-sports

Desde 2016 a Globo transmite torneios de e-sports. O mais tradicional, Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL), serviu de aprendizado para a empresa, não só na maneira de interagir com os fãs, mas principalmente nas novas dinâmicas de recebimento e transmissão de conteúdo. “Os torneios de e-sports foram muito diferentes para nossa dinâmica, pela primeira vez recebemos o sinal pela internet e isso nos ajuda a entender novas formas e possibilidades de transmissão. Outro ponto importante é que o formato dos e-sports em relação à simplicidade de uma transmissão também nos traz muitas referências”, explica Paulo.

Outro avanço importante dessa digitalização é o aumento do uso de tecnologias imersivas. A Globo utiliza, por exemplo, a plataforma Unreal Engine, a mesma aplicada em jogos como Fortnite, da Epic Games, que permite melhor definição e precisão nos movimentos dos personagens. Em novembro, durante a Black Friday, a interação entre a Lu, influenciadora virtual do Magazine Luiza, e a cantora Anitta, no palco de uma live ao vivo, contou com essa tecnologia e outros conceitos de imersão. “Tínhamos uma dublê nos Estúdios Globo cujos movimentos eram transmitidos em tempo real para o palco projetado na Lu, isso é mais um exemplo da capacidade de experimentar novas formas de tecnologia”, reforça. Por fim, Paulo destaca que todo esse processo compõe o desafio da Globo em tornar-se cada vez mais uma mediatech, em outras palavras, uma grande empresa de mídia que orienta sua maneira de produzir conteúdo com base em tecnologia.

Compartilhe esta publicação: