Estônia: as oportunidades de um país celeiro de unicórnios

Lauri Haav, CEO do e-Residency, programa do governo estoniano, explica como a nação se tornou referência em digitalização.

Luiz Gustavo Pacete
Compartilhe esta publicação:

30% das startups da Estônia são estabelecidas por e-residents, ou seja, empreendedores globais que não são residentes físicos no país (Crédito: Getty Images)

Acessibilidade


O país mais digital do mundo. É dessa forma que a Estônia, localizada no nordeste do continente europeu, é classificada. Com pouco mais de 1 milhão de habitantes, a nação iniciou um processo para tornar-se “nação inovadora” após sua independência, em 1991. Desde então, colocou 99% de seus serviços governamentais disponíveis online e remotamente para os cidadãos e, graças a um ecossistema digital baseado em tecnologia de blockchain, o país atingiu altos níveis de transparência e governança.

Esse modelo de sociedade digital também se reflete em oportunidades. Do ecossistema de startups estoniano saíram grandes cases como Bolt, Skype e Wise. “Como o mercado nacional da Estônia é relativamente pequeno, nossos empreendedores já possuem a cultura de pensar globalmente desde o início. O desejo de alcançar o mundo levou a uma situação em que a Estônia tem o maior número de unicórnios per capita da Europa – em termos globais, ficamos em segundo lugar. A propósito, 30% das startups da Estônia são, na verdade, estabelecidas por e-residents, empreendedores globais que não são residentes físicos no país”, explica Lauri Haav, CEO do programa do governo estoniano.

LEIA TAMBÉM: Com hub em Portugal, QuintoAndar recrutará talentos de tecnologia pelo mundo

Ainda de acordo com Lauri, o sucesso internacional dos empresários estonianos no campo da tecnologia também abre caminho para projetos semelhantes se desenvolverem em escala internacional. “O e-Residency, por exemplo, é um programa estabelecido em 2014 que faz da Estônia o primeiro país a oferecer uma residência digital e sem fronteiras. Através de uma identidade digital fornecida pelo governo estoniano, o empreendedor pode ter acesso a todos os serviços de governança eletrônica do país.” No momento, pessoas de mais de 170 países se aplicam para o e-Residency e a Estônia tem quase 90 mil e-residents que criaram mãos de 20 mil empresas.

Outra característica do País é seu sistema de ID. “Ele possui vinte anos e é conhecido pela sofisticada rede de tecnologia que permite acesso digital. Além disso, o e-voting and e-elections permite que as pessoas votem digitalmente. O voto digital da Estônia é feito por meio da internet e não depende de localização. Gabriela Onofre, CMO da startup unico, e que voltou recentemente do país, explica que a confiança que vem da transparência e o cidadão no centro das decisões amplia a dinâmica de inovação. “Um estado que não têm que gastar com burocracia pode investir em melhoria de vida para os cidadãos fazendo com que os índices de qualidade no ensino sejam os maios altos da Europa.”

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Compartilhe esta publicação: