Singularidade e pertencimento: liderança inclusiva é habilidade do futuro

Camila Farani
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ViktorCap/Getty Images
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“As mulheres são líderes muito efetivas. Isso foi comprovado antes da pandemia da Covid-19 e também durante a crise.”

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Empatia. Inovação. Colaboração. Inclusão. Responsabilidade social.

Isso tudo é potência de transformação. Um norteador para as empresas e para a sociedade. É com esses valores que o novo consumidor se conecta. É em empresas com essa visão que os talentos querem trabalhar. São organizações com esses posicionamentos que estão performando melhor. Times com perspectivas plurais potencializam a criatividade, a geração de ideias inovadoras, a rentabilidade do negócio e a conexão com o conceito do Environmental, Social and Governance (ESG). Então, como aceitar que, em pleno século 21, a diversidade e a inclusão ainda precisem ser tão veementemente defendidas?

Estamos no mês de comemoração do Dia Internacional da Mulher, então, vou focar nesta questão. Globalmente, precisaremos de 135,6 anos para fechar a lacuna de gênero na economia, na política, na educação. Pensa só. É mais que uma vida inteira, como ilustram os dados do Fórum Econômico Mundial. As mulheres ocupam apenas 19,7% dos assentos dos conselhos das companhias em todo o mundo, revela o estudo Women in the boardroom: A global perspective, da Deloitte Global e do The 30% Club.

O contrassenso? As mulheres são líderes muito efetivas. Isso foi comprovado antes da pandemia da Covid-19 e também durante a crise. Elas foram classificadas de forma mais positiva em 13 das 19 competências de uma avaliação que compreende a eficácia geral da liderança, resultado de uma pesquisa da Harvard Business Review.

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E quais são as competências femininas que estão se sobressaindo no mundo corporativo? Agilidade de aprendizado, capacidade de inspirar e motivar os outros, comunicação e senso de equipe, valores de diversidade e habilidade de tomar decisões inovadoras.

Da mesma forma, mulheres na liderança melhoram muito o desempenho ESG das empresas. A sua presença no board é uma sinalização ao mercado de que a companhia está mais preocupada com questões de gênero e de minorias, ou seja, que é socialmente responsável. Da mesma forma, conselheiras provocam impacto positivo 33% maior que conselheiros quanto à performance em sustentabilidade, revela levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV). Considerando que o alinhamento às práticas ESG está se tornando um fator decisivo para a avaliação de investidores, acionistas e gestores de fundos, fica fácil entender o quanto precisamos de mais mulheres na alta liderança.

Entender essa lógica é o ponto de partida para as organizações conseguirem construir uma cultura orientada à inclusificação, considerada uma habilidade dos líderes do futuro. Mas qual a visão por trás desse conceito? É a de que precisamos viver e liderar identificando e celebrando as perspectivas únicas e divergentes dos talentos, construindo um ambiente que contemple a singularidade e o senso de pertencimento.

Quem já se sentiu deslocado em alguma situação da vida vai entender. Nós, humanos, temos o desejo de sermos únicos, percebidos e respeitados na nossa singularidade. Mas, ao mesmo tempo, queremos sentir que pertencemos a algo. Se não conseguirmos promover a singularidade e o pertencimento, não teremos a inclusão, de fato, nas organizações.

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A pesquisadora Stefanie Johnson nos explica no livro Inclusifique: como a inclusão e a diversidade podem trazer mais inovação a sua empresa (recomendo a leitura) que líderes que inclusificam conseguem criar um melhor relacionamento com seus times. E profissionais engajados costumam superar os demais em 10% na avaliação dos clientes, em 21% na produtividade e 22% na rentabilidade.

Não falta motivação para as mulheres ascenderem na carreira. Mulheres se sentem tão prontas e motivadas a liderar quanto os homens, e isso ficou comprovado no estudo “Perspectivas sobre os Desafios do Pipeline de Liderança”, realizada pela Robert Half, empresa de recrutamento, e pelo Insper, instituição independente e sem fins lucrativos.

Para termos maior representatividade das mulheres em posições de liderança precisamos construir uma cultura organizacional com processos claros. O lugar das mulheres é onde elas quiserem estar.

Camila Farani é um dos “tubarões” do “Shark Tank Brasil”. É Top Voice no LinkedIn Brasil e a única mulher bicampeã premiada como Melhor Investidora-Anjo no Startup Awards 2016 e 2018. Sócia-fundadora da G2 Capital, uma butique de investimentos em empresas de tecnologia, as startups.

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