Brasil lidera lista de unicórnios e se prepara para a era dos decacórnios

Segundo relatório elaborado pela Sling Hub, a região tem mais de 40 startups avaliadas em US$ 1 bi e algumas que já podem chegar a US$ 10 bi.

Luiz Gustavo Pacete
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Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

IPO do Nubank em Wall Street, em dezembro do ano passado, fez da fintech o banco com o maior valor de mercado da América Latina

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O Brasil tornou-se um celeiro de unicórnios, das startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. E, neste contexto, o país vem ganhando protagonismo regional, sendo, atualmente, a nação com maior número de unicórnios da América Latina. Segundo relatório elaborado pela plataforma brasileira Sling Hub, a América Latina tem mais de 40 empresas com esse perfil e o Brasil lidera. Os empreendimentos de base tecnológica chegam a faturar US$ 1 bilhão no mercado antes de entrarem na bolsa de valores, por exemplo.

De acordo com levantamento da Olivia, consultoria focada em processos de transformação organizacional, um novo movimento está surgindo: o “decacórnio”, empresas de capital privado avaliadas em US$ 10 bilhões. Com mais de 48 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia, empresas como Mercado Livre e Nubank integram esse grupo e acumulam receitas bilionárias. Esse fenômeno já vem mudando o perfil de transações de fusões e aquisições, pois são empresas de histórico recente geradas nos contextos da nova economia.

Segundo o estudo feito com 74 executivos de companhias localizadas em oito estados brasileiros, 35% dos profissionais responderam que haviam participado de processos de fusões e aquisições nos últimos três anos. Desse total, 24% o fizeram nos últimos 12 meses. Embora os dados confirmem o ritmo acelerado das transações no País, o estudo revela algumas falhas no processo de integração entre as companhias.

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“Para 74% dos respondentes, a estratégia de integração foi única e clara. No entanto, na maioria dos casos (66%) a cultura predominante passou a ser a da empresa compradora. Já é um avanço pois há um movimento de reconhecimento de que o cliente está no centro da decisão e da cultura, independente de quem é comprador ou comprado!”, destaca Reynaldo Naves, managing partner da Olivia Brasil. A pesquisa mostra ainda que entre os principais motivos das transações estão a entrada em novos mercados (42%), a ampliação da base de clientes (19%), seguidos da incorporação de nova tecnologia (8%), know-how (8%) e talentos (2%).

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O fator da crise sanitária apenas acelerou a imensa abertura de oportunidades de inovações e de novos produtos e serviços focados no novo consumidor pós-pandemia, e o contexto de M&A confirma esta tendência de novas empresas unicórnios mudarem de lado da mesa de negociações e partirem para aquisições, como por exemplo, a Olist, que adquiriu as empresas Tiny, especializada em ERP, e Vnda, plataforma de ecommerce. “Neste sentido, os processos precisam ser muito mais focados nas necessidades dos clientes. Portanto, as empresas envolvidas devem estar muito mais abertas à mescla cultural dentro do processo de integração”, sinaliza Naves.

O managing partner da Olivia Brasil explica que cada transação de M&A deve ser analisada individualmente, para que o modelo de negócio e o processo de integração cultural sejam avaliados, além da análise dos processos e características de cada companhia. “As pessoas sempre devem estar no centro dessa mudança, pois são elas que serão responsáveis por conduzir a empresa resultado da fusão para seus novos objetivos”, comenta Naves. O especialista explica que essa é a razão pela qual os líderes têm papel vital nesse processo e precisam estar alinhados à nova identidade cultural, pois os colaboradores precisam se sentir acolhidos, o que fará toda a diferença no sucesso da operação.

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