Para escapar de Elon Musk, Twitter poderá ser vendido para a Microsoft

No passado, a empresa de mídia social recebeu ofertas de compras do Facebook, Google, Yahoo e Disney .

Abram Brown
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Stephen Lam/Reuters
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O Twitter pode não querer ser vendido para Musk, mas em breve poderá encontrar-se com poucas alternativas para afastá-lo

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Periodicamente, ao longo das últimas duas décadas, uma situação semelhante ocorreu no Twitter: a empresa entra em um beco sem saída e precisa considerar ser vendida. Em meados dos anos 2000, o Twitter recebeu propostas do Yahoo e do Facebook. Então, alguns anos depois, recebeu uma oferta do Google e, em 2016, da Disney. A proposta de US$ 500 milhões (R$ 2,3 bilhões) do Facebook provavelmente se destaca mais, já que foi a mais considerada de todas. Ela chegou em um momento em que o CEO do Twitter, Jack Dorsey, havia acabado de sair da empresa (soa familiar?), e questões giravam em torno de se a empresa algum dia viveria à altura de seu potencial econômico.

“Todos os eventos de aquisição do Twitter sempre foram em torno de outros dramas do conselho ou mudanças na liderança, como, você sabe, está acontecendo agora”, lembra Jason Goldman, executivo fundador do Twitter. Ele passou quase uma década no conselho do Twitter e esteve lá para os lances do Yahoo, Facebook e Google. “O Twitter tem o tipo de ressonância cultural que empresas muito maiores gostariam de ter, uma pegada cultural maior do que o tamanho do negócio sugere”, diz Goldman.

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Hoje, o Twitter está novamente com problemas, e talvez seja hora de adicionar outros candidatos à lista, como Microsoft ou SalesForce. Deixe-me explicar: o Twitter agora tem um novo CEO, Parag Agrawal, tentando fazer o negócio crescer para preencher essa lacuna entre potencial comercial e significado cultural. Ele está enfrentando os avanços da pessoa mais rica do mundo, Elon Musk.

Musk quer comprar o Twitter por US$ 54,20 (R$ 254,7) por ação, um prêmio modesto sobre os preços recentes, avaliando a empresa em US$ 43 bilhões (R$ 202, bilhões). (Esse é o estilo clássico de Musk: “420”, no final do valor da ação, é uma referência deliberada ao dia 20 de abril, que os entusiastas da maconha veem como feriado.)

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Ao fazer sua proposta, Musk expressou ceticismo sobre a gestão atual. Ele disse que queria que o Twitter fosse “uma plataforma de liberdade de expressão em todo o mundo” e acrescentou: “Agora percebo que a empresa não prosperará nem atenderá a esse imperativo social em sua forma atual. O Twitter precisa ser transformado como uma empresa privada.”

O Twitter pode não querer ser vendido para Musk, mas em breve poderá encontrar-se com poucas alternativas para afastá-lo. E se Musk não concluir o acordo, ele pode ter involuntariamente aberto a porta para outras partes aquisitivas entrarem e lançarem suas próprias ofertas.

O Twitter não tem a proteção oferecida pelas duas classes de ações que Meta, Snap e Alphabet têm. O Twitter poderia adotar uma estratégia de “pílula de veneno”, vendendo ações com desconto para diluir a participação de Musk. Ao fazer isso, Agrawal pode ficar com o controle do Twitter, mas não está claro quanto do Twitter sobraria depois que essa venda de ações afetasse o valor de mercado da empresa.

Para escapar de Musk, o Twitter pode precisar do que é chamado de “cavaleiro branco” no jogo de compra, um pretendente bem capitalizado com quem pode conviver mais facilmente do que o magnata dos carros elétricos. O exemplo mais famoso de tal estratégia foi a oferta de Warren Buffett pela Gillette em 1989, quando ele comprou US$ 600 milhões (R$ 2,8 bilhões) em ações preferenciais para encerrar uma tentativa hostil de aquisição da Coniston Partners.

Buffett não está entrando em jogo com o Twitter. Na verdade, quando você considera quem pode ser capaz de resgatar a plataforma de mídia social, é uma lista bem curta. Considere os pretendentes anteriores.

O Facebook/Meta provavelmente está fora porque é objeto de uma investigação antitruste em andamento pela Federal Trade Commission. Da mesma forma o Google, que enfrenta uma revisão do Departamento de Justiça. Yahoo? Não é provável. A Disney certamente tem o dinheiro e provavelmente não enfrentaria muitas críticas dos reguladores. Mas Bob Iger, o CEO da Disney que pensou em comprar o Twitter, se foi, e ele não tinha nada de bom a dizer sobre essa possibilidade em suas memórias de 2019.

“O Twitter era uma plataforma potencialmente poderosa para nós, mas não consegui superar os desafios que viriam com ele”, escreve Iger. “Eles incluíam como lidar com o discurso de ódio e tomar decisões complicadas em relação à liberdade de expressão… e a raiva geral e a falta de civilidade.” (Muitos desses problemas ainda atormentam o Twitter hoje.)

OK, então quem pode resgatar o Twitter? Aqui está o pensamento de Wall Street: a Salesforce poderia arcar financeiramente com a compra, e o co-CEO Marc Benioff uma vez considerou seriamente a compra do Twitter antes de mudar de ideia. O outro co-CEO da Salesforce, Bret Taylor, certamente conhece o Twitter. Na verdade, ele é o presidente do conselho do Twitter. Mas não está claro se isso tornaria a Salesforce mais ou menos propensa a buscar o Twitter.

O PayPal é um concorrente azarão depois de perseguir e então abandonar um acordo de US$ 45 bilhões (R$ 211 bilhões) com o Pinterest no ano passado. A ligação PayPal-Pinterest fazia sentido quando você pensava no Pinterest menos como uma rede social, e mais como um site de compras sociais – com o PayPal tendo muitas informações sobre transações de checkout.

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Outro provável concorrente parece ser a Microsoft, dizem fontes de Wall Street. A empresa se recusou a comentar se estava considerando ativamente entrar na briga Musk-Twitter.

Claro, a Microsoft sinalizou o desejo de comprar uma empresa de mídia social recentemente. Em 2020, buscou com entusiasmo uma aquisição de cerca de US$ 50 bilhões (R$ 235 bilhões) do TikTok, perdendo apenas por causa da interferência do governo Trump. Além disso, a compra do LinkedIn por US$ 26,2 bilhões (R$ 123,1 bilhões) já provou que a Microsoft pode transformar uma rede social quixotesca em uma máquina de dinheiro.

As receitas do LinkedIn aumentaram de cerca de US$ 2 bilhões (R$ 9,4 bilhões) em 2016, quando a Microsoft o comprou, para mais de US$ 8 bilhões (R$ 37,6 bilhões), segundo a Statista, uma empresa de análise de dados.

“A Microsoft adicionou um enorme valor ao Linkedin”, diz Brent Thill, analista da Jefferies. “E se você pensar bem, a Microsoft acrescentaria profissionalismo, confiança e respeito”.

É verdade: uma oferta da Microsoft provavelmente não viria parcialmente enquadrada como uma referência à cultura da maconha, que, curiosamente, conta apenas como o mais recente desenvolvimento estranho na história torturada do Twitter com a tentativa de se vender.

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