Safra de soja do Brasil crescerá 8,6%; preço dispara mais de 90%, diz Conab

Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Trabalhos de colheita de soja em Tangará da Serra, em Cuiabá, Mato Grosso

A Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) elevou sua estimativa para a safra de soja do Brasil 2020/21 a um recorde de 135,5 milhões de toneladas, ante 135,13 milhões na previsão anterior, o que significa um aumento anual de 8,6%, mas os preços ainda devem continuar em alta em abril, por influência das cotações internacionais e do câmbio.

Segundo a Conab, na média do Brasil os preços da oleaginosa atingiram R$ 157,39 por saca de 60 quilos em março, um aumento de 92,36% em relação ao mesmo período de 2020.

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“Para abril de 2021 é esperado que os preços nacionais continuem em alta, influenciados ainda pela paridade de exportação, onde principalmente os preços internacionais em alta darão sustentação aos preços internos…”, disse a Conab.

Os contratos futuros da soja no mercado de referência de Chicago estão próximos dos maiores patamares desde 2014, com o mercado reagindo a projeções abaixo do esperado para a área de plantio nos Estados Unidos neste ano, enquanto a demanda global, notadamente da China, continua forte.

A Conab notou que, com maior oferta de soja nos portos brasileiros, à medida que a colheita caminha para a reta final, os diferenciais ante Chicago fecharam negativos em março. Na véspera, contudo, a soja tinha um prêmio positivo de 15 centavos de dólar por bushel em Paranaguá.

A Conab, por outro lado, reduziu ligeiramente as perspectivas para as exportações da oleaginosa, para 85,6 milhões de toneladas, de 86,1 milhões na estimativa anterior, segundo relatório de hoje (8) – ainda assim, um patamar recorde para o país, o maior produtor e exportador de soja.

Já a safra total de milho do país foi projetada pela Conab em recorde de 108,96 milhões de toneladas, com ajuste para cima em relação às 108 milhões do levantamento do mês passado, apesar de uma leve redução na segunda safra, que foi mais do que compensada por aumento de cerca de 1 milhão de toneladas na estimativa da colheita no verão.

A Conab ainda manteve inalteradas suas projeções de consumo interno de milho, em um recorde de 72,15 milhões de toneladas, e exportações (35 milhões de toneladas).

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Neste contexto, o contrato de maio do milho na B3 está operando perto da máxima histórica de R$ 100 a saca, registrada pela primeira vez nesta semana.

Também hoje (8), a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, da sigla em inglês) disse que os preços mundiais dos alimentos subiram pelo décimo mês consecutivo em março, atingindo seu nível mais alto desde junho de 2014, liderados por saltos nos índices de óleos vegetais, carnes e laticínios.

Com preços favoráveis, produtores do Brasil deverão expandir novamente o plantio de soja e milho na próxima safra para novos recordes, apontou nesta semana relatório do adido do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês).

 

ACIMA DE 270 MILHÕES DE TONELADAS

Para o algodão em pluma, a Conab manteve quase inalterada sua previsão de produção, em 2,49 milhões de toneladas, ante 2,50 milhões, versus recorde de 3 milhões no ano passado.

Já a safra de trigo do Brasil em 2021 foi vista em 6,37 milhões de toneladas, ante 6,43 milhões no relatório anterior, com crescimento anual de 2,2%.

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A produção de arroz deverá ter uma queda de 0,8% na comparação anual, para aproximadamente 11 milhões de toneladas, apesar de um ligeiro ajuste positivo na comparação com a previsão de março.

Considerando todos os grãos e oleaginosas, o Brasil tem a produção total estimada em 273,8 milhões de toneladas, o que seria um crescimento de 6,5% ante o ciclo anterior. (Com Reuters)

 

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