Demanda de trigo para ração pode elevar até 20% a área gaúcha de cultivo, diz FecoAgro

Jonathan Barrett/Reuters
Jonathan Barrett/Reuters

Segundo o presidente da FecoAgro, Paulo Pires, no ano passado, os embarques de trigo gaúcho chegaram a 1 milhão de toneladas

A área de trigo no Rio Grande do Sul pode crescer de 15% a 20% neste ano, impulsionada pela demanda vinda da indústria de carnes que tem encontrado no cereal uma alternativa para ração em meio à quebra na safra de milho e altos preços, estimou hoje (14) a FecoAgro (Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado).

Com isso, a federação acredita que a área semeada poderá ficar em torno de 1,1 milhão de hectares, disse a jornalistas o presidente da entidade, Paulo Pires, em evento online.

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“Temos uma questão nova em 2021 que é a questão da alimentação animal. Neste momento, com a entrada a indústria de carnes para alimentação animal, está mais interessante vender aqui do que exportar”, afirmou ele.

Pires disse que os produtores estão sendo incentivados a aumentar o plantio também em função dos preços atrativos do cereal e por estarem mais capitalizados devido aos bons preços e à safra de verão, que gerou resultados positivos.

“Caso se confirmem as estimativas e as condições normais de lavoura até a colheita, os gaúchos poderão ter a maior safra de trigo da história”, afirmou Pires, ao ressaltar que a produção tem chances de superar 3,5 milhões de toneladas.

Deste total, ele acredita que 50% a 60% vá para a indústria moageira, como de costume. E com a ampla demanda do setor de carnes, é possível que a exportação do cereal seja afetada. No ano passado, segundo Pires, os embarques de trigo gaúcho chegaram a 1 milhão de toneladas.

“Este ano creio que a exportação vai diminuir um pouco pelo menos nesse primeiro momento. Isso pode mudar, mas tenho a impressão que continuando a escassez de milho provavelmente esse primeiro trigo do Rio Grande do Sul vai ser vendido para ração”, afirmou.

Ele acrescentou, porém, que a movimentação dos preços internacionais da soja e milho, assim como o dólar –que tem recuado– também podem fazer com que o milho volte a ocupar mais espaço entre os frigoríficos.

“A gente nunca sabe de mercado futuro, se os preços baixarem lá na frente, ele começa a se tornar não atrativo para o produtor vender para a indústria animal”, admitiu.

Atualmente, frigoríficos estão buscando tanto o trigo nacional quanto o importado, assim como o milho, para utilizar como ração animal em meio a fortes exportações de carnes. (Com Reuters)

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