Seca e possíveis geadas ainda representam riscos para colheita de trigo no Brasil

Produtores seguem apreensivos com chance de frio extremo no Rio Grande do Sul entre o fim de agosto e setembro.

Redação
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Wenderson Araujo/Trilux/CNA
Wenderson Araujo/Trilux/CNA

As produções de trigo no Rio Grande do Sul podem enfrentar frio extremo entre o fim de agosto e setembro

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As principais áreas de trigo do Brasil devem escapar de chuvas severas que poderiam atrapalhar a colheita, enquanto produtores seguem apreensivos com a seca no Rio Grande do Sul e a chance de novas geadas até o mês que vem, conforme representantes do setor e especialistas ouvidos pela Reuters.

O meteorologista da Somar Celso Oliveira disse que existem episódios de chuva forte previstos para a primavera, período em que a colheita de trigo se intensifica, mas que não devem durar mais de três dias consecutivos.

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“Não há expectativa de chuvarada que pudesse atrapalhar a colheita”, pontuou. “E qual é a preocupação do trigo? É geada, porque ainda há previsão de geada no fim do mês (de agosto) ao menos no Rio Grande do Sul.”

Ele afirmou que as condições climáticas, até o momento, são boas para a colheita, porém trata-se de um “ano frio”, com risco também de uma geada tardia, já em setembro.

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“Ano passado, o Rio Grande do Sul foi bem afetado nas culturas do inverno por geada no fim de setembro. Não duvidaria de um tipo de evento desses este ano”, alertou Oliveira.

Com base em dados da Emater-RS, ele ressaltou que ao menos 6% das áreas gaúchas de trigo estão em floração, o que representa pouco, mas seria perdido em caso de frio excessivo.

No Paraná, levantamento do Deral (Departamento de Economia Rural) indica que 19% das lavouras estão em frutificação e 47% em floração, “Esse é o grande perigo, caso a geada chegue até lá”, acrescentou o meteorologista.

O trigo paranaense está com desenvolvimento atrasado em relação à temporada anterior. Segundo o Deral, nesta época de 2020, 8% das áreas estavam na última fase de desenvolvimento, em maturação, e 33% em frutificação.

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A qualidade da safra de 2021 também está pior no Paraná, com 61% das lavouras em condições boas, versus 83% um ano antes.

“Algumas lavouras começaram a maturação, mas não é nem 1% da área ainda… a colheita só deve ganhar ritmo em setembro”, afirmou o analista do Deral Carlos Hugo Godinho.

De acordo com o calendário de safra da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), os trabalhos deveriam começar em agosto no Paraná.

Ele disse que as primeiras áreas que serão colhidas foram as prejudicadas por geadas em meses anteriores, no oeste do Estado, e a expectativa é que os volumes sejam mais baixos ou a qualidade inferior à verificada nos últimos anos.

Caso novos episódios de frio se confirmem, o resultado seria ainda mais grave do que já foi visto neste ano, afirmou o analista da consultoria Safras & Mercado Jonathan Staudt.

“Novas geadas tanto no Paraná como no Rio Grande do Sul… podem ser mais prejudiciais ainda, porque quanto mais evoluído está o trigo, mais suscetível a perdas pelo frio excessivo.”

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SECA

Godinho afirmou que a falta de chuvas começa a atrapalhar o desempenho do trigo na metade norte do Paraná. Entretanto, é no Rio Grande do Sul que a estiagem realmente tem trazido preocupação aos produtores.

Segundo o presidente da FecoAgro (Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado), Paulo Pires, a seca é considerada severa, embora não esteja presente em todas as regiões produtoras.

“Já existem perdas previstas muito sérias. Eu não vou quantificar porque é difícil, mas há uma preocupação com a questão da chuva muita séria, na questão do trigo… com mais dano do que a própria geada”, disse ele.

Em julho, a federação já vinha em alerta quanto à falta de chuvas para as áreas de trigo em regiões como as Missões, que ainda seguem secas.

De acordo com o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antônio dos Santos, a previsão é que a chuvas retornem ao Paraná a partir de meados de setembro. “Para o Rio Grande do Sul, a tendência é de chuvas abaixo da média”.

No início do mês, a Conab estimou a safra brasileira em recorde de 8,6 milhões de toneladas, mas os números ainda não refletem efeitos da seca e das geadas.

Staudt, da Safras & Mercado, estima a produção em 7,9 milhões de toneladas, com possibilidade de queda até a 7,5 milhões caso haja perdas. (Com Reuters)

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