Moinhos do Brasil declaram que não comprarão trigo transgênico da Argentina

A pauta está em análise pelo órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil.

Redação
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Pascal Rossignol/Reuters
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A Abimapi e a Abip se declararam contrárias à importação do transgênico

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Entidades que representam os moinhos e a indústria brasileira de panificação e massas afirmaram hoje (27) que não pretendem comprar trigo transgênico da Argentina, caso a importação seja aprovada pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança).

A pauta está em análise pelo órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, após solicitação da companhia Bioceres com sede na Argentina , e pode ter um parecer apresentado em outubro.

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“A preocupação da indústria é a questão dos consumidores, como vão reagir a uma eventual importação de trigo e de farinha vindos de origem transgênica”, disse a jornalistas o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa, em videoconferência.

Segundo ele, a Argentina é fornecedora de cerca de 85% das importações brasileiras de trigo, considerando que o Brasil importa 60% do que consome, e a notícia de que o país vizinho já está plantando o cereal modificado ligou uma luz de alerta para o mercado brasileiro.

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O trigo desenvolvido pela Bioceres, resistente à seca e ao herbicida glufosinato, está sendo semeado em uma área de 55 mil hectares, conforme informações da empresa.

“Esperamos que isso não ocorra”, disse Barbosa sobre a aprovação da CTNBio, citando que o Brasil seria o primeiro lugar do mundo a autorizar o consumo de produtos com o trigo modificado.

De acordo com as entidades da indústria, o processo conduzido pela CTNBio é restrito a elementos técnicos e não são considerados aspectos mercadológicos e sociais, como o posicionamento de consumidores brasileiros, importadores de produtos do Brasil à base de trigo, comunidade científica internacional e mercado mundial.

Barbosa também reafirmou que a Abitrigo está preparada para contestar uma eventual aprovação da CTNBio e, neste caso, deve solicitar junto a outros membros do setor que o tema seja analisado pelo Conselho Nacional de Biossegurança, composto por ministros, para que o governo se pronuncie sobre a conveniência da medida.

Procurado, o Ministério da Ciência não respondeu de imediato a um pedido de comentários.

O presidente da Abitrigo ainda acrescentou que os moinhos podem buscar o cereal em outros fornecedores, como alternativa ao produto argentino, destacando Uruguai e Paraguai em quantidades menores, e em maiores volumes nos EUA, Rússia e Canadá.

A Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos) e a Abip (Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria) também se declararam contrárias à importação do transgênico.

“O importante nesse momento é evitar a transgenia, isso pode trazer sérios problemas para o mercado interno e exportações”, disse o presidente-executivo da Abimapi, Claudio Zanão.

“O setor de panificação não comprará trigo da Argentina, nós vamos radicalizar, vamos procurar outros mercados”, enfatizou o presidente da Abip, Paulo Menegueli.

O governo da Argentina aprovou a comercialização da variedade transgênica de trigo HB4 da Bioceres, embora tenha destacado que o produto só poderá ser negociado depois de autorizada a importação pelo Brasil, conforme publicação no Diário Oficial argentino em outubro do ano passado.

Enquanto a questão não é definida, o presidente da Abitrigo estima que as importações do cereal poderão ficar ao redor de 5 milhões de toneladas neste ano, com base em uma safra nacional perto de 8 milhões de toneladas, citando a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Dados da estatal indicam que a safra brasileira pode, inclusive, superar está marca em 2021, com produção de 8,156 milhões de toneladas, um salto de 30,8% ante o ciclo anterior.

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