Carbono na pecuária vai ser foco de pesquisa na Embrapa Agrossilvipastoril

Pesquisadores querem saber quanto de carbono fica estocado no solo em cada um dos sistemas integrados de produção pecuária utilizados no Brasil.

Redação
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Pedro Alcântara_Embrapa
Pedro Alcântara_Embrapa

Pesquisa vai medir quanto carbono os sistemas integrados estocam no solo

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A unidade Agrossilvipastoril da  Embrapa  (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), localizada em Sinop (MT), assinou nesta semana um acordo de cooperação técnica e financeira com  duas entidades de produtores rurais: a Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso) e a Acrinorte (Associação dos Criadores do Norte de Mato Grosso).

Por meio da parceria, ficou acertado que a Embrapa dará continuidade ao projeto de  pesquisas sobre produção e reprodução de bovinos de corte em sistemas integrados, iniciado em 2015. Mas agora o foco é outro: os pesquisadores vão em busca de indicadores sobre balanço de carbono nos sistemas produtivos.

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O projeto avaliará quanto carbono é retirado da atmosfera e estocado no solo e, no caso de sistemas silvipastoris, quanto é estocado nas árvores. Além disso, será feita a mensuração das emissões de óxido nitroso e metano pelo solo e serão avaliados os índices de ganho de peso de novilhos nelore. Os trabalhos serão de um ano, coordenados pelo pesquisador Alexandre Nascimento, nas instalações da unidade que foram construídas há 10 anos. Na área, os experimento serão em quatro diferentes tratamentos: pecuária exclusiva, ILP (integração lavoura-pecuária), IPF (integração pecuária-floresta) e ILPF (integração lavoura-pecuária-floresta). O objetivo é comparar as diferenças no balanço de carbono entre os sistemas.

“O contrato é importante e inovador, na medida em que as instituições buscam soluções para mudanças climáticas no sentido de mensurar qual a quantidade de carbono captado na atmosfera e aportado tanto em sistemas solteiros quanto nos sistemas integrados de produção agropecuária”, Laurimar Vendrusculo, chefe-geral da Embrapa Agrossilvipastoril.  “Será importante também o fato de a informação gerada nesse projeto poder subsidiar certificadoras em um programa maior.”

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Dos aportes financeiros, a Acrimat vai custear a mão de obra e insumos, no valor de R$ 130 mil, e a Acrinorte fornecerá 160 bezerros nelore.

“Precisamos estar alinhados sempre com o que está acontecendo no mundo. As cobranças externas são enormes para nosso setor, principalmente para nossa pecuária. Essa pesquisa poderá mostrar que a pecuária atual sequestra o carbono da atmosfera através das pastagens e das florestas preservadas em cada propriedade”, afirma Oswaldo Pereira Ribeiro Júnior, diretor presidente da Acrimat.

“O que nós mais queremos é cuidar do meio ambiente. Queremos produzir, criar, mas com sustentabilidade. Com toda certeza vamos continuar apoiando as pesquisas que nos garantam a melhoria da produção e a garantia do cuidado da nossa terra”, diz Olvide Galina, presidente da Acrinorte.

Resultados de pesquisas anteriores

Desde o início da parceria entre Embrapa Agrossilvipastoril, Acrimat e Acrinorte, pesquisadores obtiveram informações relevantes para o setor produtivo de Mato Grosso. Na primeira etapa, os trabalhos foram feitos com machos e focaram no desempenho animal e da pastagem.

Entre os resultados encontrados estão informações que mostram a melhor produtividade em sistemas integrados e que comprovam o efeito do conforto térmico no maior ganho de peso, mesmo de animais nelore.

A segunda fase das pesquisas utilizou novilhas nelore e avaliou índices de precocidade sexual em sistemas integrados. Entre os resultados encontrados está o maior ganho de peso e espessura de gordura na garupa nos animais que ficaram em sistemas ILP e a maior concentração sérica do fator de crescimento IGF-I naqueles que ficaram em sistemas silvipastoris. Além disso, os bezerros nascidos em sistemas integrados apresentaram cerca de dez quilos a mais, em média, em comparação às crias de vacas que ficaram somente em pastagem.

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