Canadense busca licença para mina de potássio na Amazônia

Governo planeja "desbloquear" projetos de fertilizantes estratégicos para o Brasil.

Reuters
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Adriano Machado/Reuters
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Enquanto Brasil busca reduzir dependência de importações, canadense tenta conquistar licença para operar mina de potássio na Amazônia

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A Brazil Potash Corp, com sede em Toronto, apresentou ao presidente Jair Bolsonaro nesta semana seus planos para reduzir a dependência do Brasil das importações de fertilizantes, afetadas pela guerra na Ucrânia, abrindo uma mina de potássio no Amazonas.

O proprietário da empresa, o banqueiro de investimentos Stan Bharti, reuniu-se com Bolsonaro na segunda-feira (28) para discutir o projeto de 2,5 bilhões de dólares que está parado desde 2017 devido a uma licença ambiental suspensa, pendente de consultas com o povo indígena Mura.

Bolsonaro disse a Bharti que seu governo está comprometido em “desbloquear” projetos de fertilizantes, como a mina de potássio, que são estratégicos para o Brasil, disse o ex-senador Cidinho Santos, que participou da reunião, em um post no Instagram na quarta-feira (30).

Mas a decisão de permitir a mina em Autazes, a 120 quilômetros a sudeste de Manaus, não depende inteiramente de Bolsonaro. O projeto agora depende de uma decisão da juíza federal Jaiza Fraxe, que está monitorando as conversas com o povo Mura para garantir que eles participem do processo.

Como os preços do potássio praticamente triplicaram no último ano e a guerra ameaçou o fornecimento da Rússia e do Leste Europeu, a pressão para abrir a mina de potássio cresceu do setor agrícola brasileiro, que depende de importações para 85% de seus fertilizantes, necessários para aumentar a produtividade das colheitas.

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O Brasil, maior produtor mundial de soja, depende das importações de potássio da China, Canadá e Marrocos, mas principalmente Rússia e Belarus para quase metade da oferta do país.

A Potássio do Brasil, uma subsidiária da Brazil Potash, que é de propriedade integral do banco Forbes & Manhattan de Bharti, disse que levaria três anos para colocar a mina em operação, com uma produção de 2,44 milhões de toneladas por ano quando as licenças forem obtidas.

“Assim que a licença ambiental for restaurada, solicitaremos ao IPAAM (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) uma licença de instalação e começaremos a trabalhar”, disse o presidente-executivo Adriano Espeschit à Reuters em comunicado por e-mail . “Esperamos estar produzindo em Autazes no início de 2026.”

Espeschit disse que a empresa reconhece o direito dos Mura de serem consultados sob a convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) sobre povos indígenas, e que as reuniões começaram após um atraso de dois anos devido à pandemia de Covid-19.

O procurador Fernando Soave, que pediu pela primeira vez a suspensão da licença em 2016 porque o povo Mura não tinha sido consultado, não respondeu imediatamente às perguntas.

Seu escritório disse que a perfuração exploratória de depósitos de potássio pela empresa começou na região em 2009 sem consultar o povo Mura, que reivindica a área como terras ancestrais, embora sua reivindicação não tenha sido reconhecida pelo governo brasileiro.

A Brazil Potash disse que a entrada para a mina planejada não será em terras indígenas, e que o impacto ambiental da mineração de depósitos de potássio a 800 metros abaixo do solo será insignificante.

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