Será que a energia eólica é realmente verde?

Novo relatório avalia o custo do carbono das fontes renováveis.

Christopher Helman
Compartilhe esta publicação:
Picture Alliance/Getty Images
Picture Alliance/Getty Images

Construção de turbinas de energia eólica requer aço, cobre e outros recursos específicos que resultam em pegadas de carbono

Acessibilidade


Quão verde é a energia eólica? Não é uma pergunta simples. Claro que o vento sopra sem emissões de carbono, mas pegá-lo não é fácil. Construir e erguer turbinas eólicas requer centenas de toneladas de materiais – aço, concreto, fibra de vidro, cobre e outros recursos específicos como neodímio e disprósio usados em ímãs permanentes.

Tudo isso tem uma pegada de carbono. A fabricação de aço requer a combustão de carvão metalúrgico em altos-fornos. A mineração de metais e terras raras (substâncias químicas usadas na indústria para a produção de diversos itens) consome muita energia. E a fabricação de concreto emite muito dióxido de carbono.

LEIA TAMBÉM: Coca-Cola adere a programa Adote um Parque na Amazônia

No caso da energia eólica e solar, essas emissões são quase todas antes do processo. Isso contrasta com as usinas elétricas movidas a combustível fóssil, onde elas ocorrem continuamente à medida que o carvão e o gás natural são queimados.

É uma grande distinção. Mas quão significativo é isso? A analista Deepa Venkateswaran, da Bernstein Research, investigou isso.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Citando dados do Laboratório Nacional de Energia Renovável, da empresa dinamarquesa de turbina eólica Vestas, da companhia de engenharia Siemens Gamesa Renewable Energy e estimativas da Bernstein, Deepa determinou que os maiores contribuintes para a pegada de carbono das turbinas eólicas são o aço, o alumínio e as resinas epóxi que unem as peças – com a torre de aço representando 30% do impacto de carbono, o alicerce de concreto 17% e as lâminas de fibra de carbono e fibra de vidro 12%.

Boas notícias: amortizando o custo do carbono ao longo de décadas de vida do equipamento, a Bernstein determinou que a energia eólica tem uma pegada de carbono 99% menor do que as usinas movidas a carvão, 98% menos do que o gás natural e uma surpresa 75% menor do que a solar.

Mais especificamente, eles calculam que as turbinas eólicas geram, em média, apenas 11 gramas de emissão de CO2 por quilowatt-hora de eletricidade produzida. Isso se compara a 44 g/kwh para energia solar, 450 g para gás natural e impressionantes 1.000 g para carvão.

Mas derrotando todos eles está a fonte de energia original de carbono zero em grande escala, a energia nuclear, a 9 g/kwh.

VEJA MAIS: Estudo mostra que geleiras estão derretendo em ritmo acelerado

Graças à tecnologia, essas estatísticas não são estáticas. As turbinas eólicas offshore estão se tornando enormes, com a Haliade X da General Electric apresentando pás de 107 metros de comprimento e gerando 14 megawatts. A pegada de carbono de tais aerogeradores pode chegar a 6 g/kwh.

E eles podem ter tendências mais baixas, graças ao advento do chamado aço verde. As empresas suecas Hybrit e H2 Green Steel estão investindo bilhões para produzir milhões de toneladas por ano de aço verde. Em vez de queimar carvão metalúrgico para disparar um alto-forno tradicional para reduzir o minério de ferro em ferro-gusa, eles usarão hidrogênio verde eletrolisado por meio de energia renovável.

Eles também estão trabalhando na redução da pegada de carbono no backend de projetos eólicos e solares – reciclando antigos painéis fotovoltaicos e lâminas de turbina.

Na Itália, uma empresa chamada Sasil pretende reciclar 3.500 toneladas de painéis solares antigos por ano, enquanto na França, a Veolia pretende aumentar a capacidade de reciclagem de seus painéis para 4.000 toneladas por ano. No estado do Arizona, nos Estados Unidos, pesquisadores estão trabalhando em processos eletroquímicos para extrair metais como estanho, cobre e chumbo das células solares, dissolvendo-os em banhos de ácido nítrico, depois em ácido fluorídrico e hidróxido de sódio.

Eles não ficarão sem material – a Agência Internacional de Energia Renovável prevê que teremos que lidar com 78 milhões de toneladas métricas de resíduos de painéis solares antiquados e dezenas de milhões de toneladas de pás de turbinas antigas até 2050.

Essas lâminas, feitas de fibra de carbono e compostos de fibra de vidro unidos a plásticos, são mais difíceis de reciclar. Os operadores de parques eólicos tendem a atualizar ou “repotenciar” suas turbinas cerca de uma vez por década, o que resulta em pilhas de pás velhas que normalmente acabam em aterros.

VEJA MAIS: Emissões de carbono são maiores do que países reportam

Cada vez mais essas lâminas antigas estão sendo colocadas em um uso modesto – quebradas, trituradas e adicionadas ao cimento como enchimento. Todo o progresso no longo caminho para atingir as emissões zero de carbono.

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Siga Forbes Money no Telegram e tenha acesso a notícias do mercado financeiro em primeira mão

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Compartilhe esta publicação: