Cessna fecha acordo para oferecer versão elétrica híbrida do avião utilitário Caravan

Reprodução/Forbes
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A Surf Air Mobility fechou um acordo para comprar 100 Cessna Grand Caravan EXs que serão equipados com sistemas de propulsão híbridos

A Cessna busca dar aos compradores e proprietários do Caravan a opção de se tornar ecológico sem prejudicar o desempenho, substituindo o popular motor turboélice do avião utilitário por um sistema de propulsão elétrica híbrido que será fornecido pela Surf Air Mobility, no que poderia ser a primeira implantação de tecnologia híbrida por um fabricante de aeronaves.

A Surf Air, um provedor de viagens aéreas regional com sede na Califórnia que fechou um acordo em fevereiro para comprar o desenvolvedor de motores de aeronaves híbridas Ampaire, diz que a tecnologia vai cortar as emissões e os custos operacionais do Grand Caravan EX em até 25%, enquanto oferece 1.000 milhas náuticas – quase o mesmo que a versão padrão. A empresa pretende obter a aprovação da FAA (Federal Aviation Administration, entidade que regula a aviação civil nos Estados Unidos) para equipar os Grand Caravans com um sistema de propulsão híbrido até 2024.

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A Surf Air também pretende ser a primeira grande usuária dos Caravans híbridos, fazendo um pedido para a Cessna, da Textron, para a compra de 100 Grand Caravan EX configurados para transportar nove passageiros, com uma opção por mais 50. O CEO da Surf Air, Sudhin Shahani, acredita que os custos operacionais mais baixos da versão híbrida permitirão uma expansão nacional do serviço regular de passageiros da Surf Air, que atualmente se concentra em pequenos aeroportos na Califórnia e no Texas, tornando-o mais competitivo em termos de preço do que dirigir ou voar em aviões comerciais em viagens entre 80 km e 800 km.

“O Cessna Grand Caravan EX é uma das aeronaves mais adaptáveis e prolíficas em voo hoje”, disse Shahani em um comunicado. “Acreditamos que eletrificar [é] o passo mais significativo que pode ser feito pelo mercado em direção às emissões reduzidas.”

Dezenas de empresas estão trabalhando para dar às viagens aéreas uma transformação ecológica, substituindo os motores movidos a combustível fóssil por elétricos, mas a baixa densidade de energia da geração atual de baterias em comparação com o combustível de aviação limita sua utilidade no curto prazo. A Pipistrel, da Eslovênia, é a primeira fabricante de aeronaves a obter a aprovação de segurança para um avião totalmente elétrico – a Agência de Segurança da Aviação da União Europeia concedeu-lhe a certificação no ano passado para uma pequena aeronave de treinamento de piloto de dois lugares. Tempo máximo de voo do avião: 50 minutos mais reservas. A Harbour Air espera obter a aprovação das autoridades canadenses para lançar o serviço em 2022 na área de Vancouver com hidroaviões de seis passageiros adaptados com motores elétricos movidos a bateria da MagniX de Redmond, Wash., que devem ter alcance suficiente para funcionar em 70% das rotas da Harbour, que são de 30 minutos ou menos.

Os sistemas de propulsão híbridos podem não oferecer o mesmo grau de benefícios ambientais que as aeronaves totalmente elétricas – o cofundador da Ampaire, Kevin Noertker, está desenvolvendo um gerador a jato que carrega a bateria – mas a Surf Air diz que o Grand Caravan híbrido terá um preço semelhante ao da versão padrão movido pelo motor turboélice PT6A-140A da Pratt & Whitney, além de corresponder ao seu desempenho e potência. E uma vez que não exigirá as estações de recarga que as aeronaves totalmente elétricas, o Caravan híbrido poderá ser usado em qualquer aeroporto dos EUA desde o início.

A Surf Air diz que vai custar quase o mesmo para o proprietário do Caravan equipar seus aviões com seu sistema de propulsão híbrido para reformar um motor PT6. Romper esse mercado seria uma conquista significativa, dada a onipresença do Caravan. Um avião robusto e versátil que é o preferido dos transportadores de carga como a FedEx, bem como das pequenas companhias aéreas de passageiros, a Cessna já entregou mais de 2.800 deles desde o lançamento do avião em 1984.

Rob Scholl, que em março foi nomeado para liderar os esforços da Textron na aviação elétrica, disse à Forbes que o interesse do cliente em sustentabilidade e avanços tecnológicos estão levando a empresa a olhar para as opções, e que o grande pedido da Surf Air pode ser um catalisador para outros proprietários de frotas a se tornarem híbridos também. “Isso já despertou o interesse de outras operadoras”, disse ele.

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A MagniX trabalha para habilitar um Caravan totalmente elétrico: um modelo do avião adaptado com um motor elétrico de 750 cavalos de potência vem sendo testado em voo, e o CEO Roei Ganzarski acredita que com as baterias de hoje, um Caravan elétrico poderia transportar uma carga a uma distância de 160 km, que o tornaria atraente para algumas operadoras.

Scholl indicou que a Cessna, provavelmente, não oferecerá um Caravan elétrico a bateria em breve. “Este acordo com a Surf Air oferece suporte para eletrificação total ou um sistema apenas com bateria no Caravan, mas essa tecnologia precisa continuar a se desenvolver. O bom do híbrido elétrico é que é uma tecnologia que está mais perto da realidade hoje”, disse ele.

O sistema híbrido da Surf Air para o Caravan ainda não foi construído, mas será baseado em uma versão menor que a Ampaire testou em voo em um Cessna 337 Skymaster, simulando voos comerciais com a Mokulele Airlines nas ilhas havaianas em 2020.

Os planos da Surf Air trazem alguns asteriscos: seu pedido para a Cessna depende de um financiamento e da compra da Ampaire com US$ 100 milhões em ações, uma moeda baseada em seu plano de abrir o capital ainda este ano. A empresa não esclareceu se isso será por meio de uma fusão reversa com uma empresa de aquisição especial, uma listagem direta ou um IPO tradicional, mas o Shahani fechou um acordo de US$ 200 milhões em financiamento em agosto com o Global Emerging Markets Group, de Luxemburgo, que depende da Surf Air se tornar uma empresa de capital aberto.

 

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