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Estudo conclui que piora na poluição do ar aumenta as chances de desenvolver casos graves de doenças mentais

No levantamento, pacientes com transtornos psicóticos e de humor que tiveram maior exposição aos poluentes eram mais propensos a serem hospitalizados.

Robert Hart
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Exposição a longo prazo aumenta os danos físicos significativos que a poluição pode causar, que variam de problemas respiratórios a problemas de pele

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A exposição a níveis mais elevados de poluição do ar pode ter relação com um aumento no risco de sérios problemas de saúde mental, de acordo com uma pesquisa publicada no “British Journal of Psychiatry”, aumentando o grupo crescente de estudos que destacam os custos ocultos da crise climática para a saúde.

Pacientes com transtornos psicóticos e de humor como esquizofrenia, bipolaridade e depressão que tiveram maior exposição à poluição do ar eram mais propensos a serem hospitalizados, ou precisavam de tratamento para suas condições, do que aqueles que não tiveram, segundo pesquisadores do King’s College London e do Imperial College London descobriram.

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Níveis mais elevados de dióxido de nitrogênio nas casas das pessoas aumentaram o risco de necessitarem de tratamento de saúde mental, indicou a pesquisa, essa relação também foi vista com outros poluentes comuns, como óxidos de nitrogênio e partículas, mas de forma mais discreta.

Pessoas expostas a um aumento de 15 µg/m³ (microgramas por metro cúbico) nos níveis de dióxido de nitrogênio ao longo de um ano – a média no estudo foi de 40 µg / m³ – tiveram um risco 18% maior de serem admitidas no hospital e 32% maior de necessidade de atendimento ambulatorial, concluíram os pesquisadores, após examinar os registros médicos de quase 14 mil pacientes em Londres.

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O estudo também descobriu que um aumento de pequenas partículas de 3 µg/m³ do gás ao longo de um ano – a média foi de 14,5µg/m³ – aumentou em 7% o risco de atendimento ambulatorial e 11% de tratamento hospitalar.

A ligação permaneceu nos sete anos seguintes, quando os cientistas avaliaram os registros dos mesmos pacientes e disseram que não parece haver outra explicação para o fenômeno, embora não descartem nenhuma.

O estudo, embora baseado em uma região específica de Londres, provavelmente se aplica a cidades ao redor do mundo, disseram os pesquisadores, já que a área estudada reflete não apenas os padrões de poluição do ar em toda Londres, mas também em “todas as grandes cidades com tráfego intenso de veículos à diesel.”

“A emergência ambiental e climática também é uma emergência de saúde mental”, afirmou o dr. Adrian James, presidente do Royal College of Psychiatrists. “Se a poluição do ar está exacerbando doenças mentais graves pré-existentes, como esquizofrenia, transtorno bipolar e depressão grave, a melhoria da qualidade do ar poderia reduzir a pressão sobre os serviços de saúde mental”, explicou.

Embora o estudo não demonstre – e não possa comprovar, por ser um estudo observacional – uma relação causal entre poluição e doença mental, ele fortalece a concepção que sugere que as toxinas no ar podem ter efeitos profundos em nossas mentes. Os casos mais elevados de suicídio, depressão e esquizofrenia têm sido associados à poluição do ar. A exposição a longo prazo tem sido associada à redução da inteligência cognitiva, especialmente entre os homens. Isso aumenta os danos físicos significativos que a poluição pode causar – pode estar afetando todas as partes do corpo humano – que variam de problemas respiratórios a problemas de pele. Além dos efeitos físicos, a própria crise climática está induzindo um número cada vez maior de – principalmente jovens – pessoas à ansiedade e ao medo.

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