Grupo Laces, de Cris Dios, compra empresa de neutralização de carbono e expande atuação

A empresária quer ampliar sua atuação no mercado de beleza natural, que movimenta US$ 3 bi ao ano.

Fabiana Corrêa
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fabio zanzeri
fabio zanzeri

Um dos salões da rede, que tem captação de água da chuva, estação de tratamento de esgoto e usa energia fotovoltaica

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A relação entre a empresária Cris Dios, fundadora do grupo Laces, e os cosméticos naturais é uma herança de família. O avô, cabeleireiro, usava ativos botânicos para cuidar dos cabelos de suas clientes. A mãe, que atendia a clientela em casa, recomendava que os produtos, fabricados por ela artesanalmente, fossem guardados na geladeira para não estragar, já que eram feitos à base de plantas. Ao entrar na faculdade de cosmetologia, Cris queria entender mais a fundo a relação entre cabelos e natureza. Nessa semana, ela amplia essa visão para os negócios, que agora também terão seu braço verde. O grupo acaba de anunciar a compra da Carbon Limited, consultoria especializada no mercado voluntário de compensação de carbono. “Já fazíamos essa parceria com a empresa e, quando surgiu a oportunidade da compra, achamos que seria mais um passo nessa direção de cuidar de toda a cadeia”, diz Cris Dios. 

Com a aquisição da consultoria, que há sete anos garante que o grupo seja carbon free, ou seja, compense sua pegada de carbono, o Laces pretende usar cada vez mais seus créditos no pagamento a fornecedores – algo que começou a fazer com alguns parceiros, já que a empresa adquiriu também os 65 mil créditos de carbono do estoque da Carbon Limited, além de manter suas duas fazendas de reflorestamento criadas com o apoio da empresa. “Não foi tão difícil convencer nossos fornecedores a aceitar uma parte do boleto em créditos pois fomos escolhendo parceiros que seguem uma linha semelhante à nossa ao longo dos anos”, diz Itamar Cechetto, CEO do Laces, que deve fechar 2021 com faturamento de R$ 60 milhões. Com 250 funcionários, o grupo engloba 8 salões próprios – em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte -, uma parte da fábrica com certificação orgânica responsável pela produção das suas três linhas de cosméticos, o e-commerce de cosméticos naturais Slow Beauty e um salão da marca americana de produtos botânicos Aveda, que chegou ao Brasil em 2019.

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Em termos de sustentabilidade, a estrela do grupo é o salão do bairro de Moema, em São Paulo, que tem uma ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) para tratar a água da chuva usada nos lavatórios (que também passa por um processo de neutralização do ph e retirada do cloro), captação de energia solar e uma ferramenta que evita o uso de papel alumínio no processo de colorir cabelos. “Os salões de beleza só em São Paulo descartam 150 toneladas mensais de alumínio usado em coloração, que não podem ser recicladas. Então investimentos alguns milhões para evitar esse gasto”, diz Cechetto. 

A fundadora do grupo Laces, Cris Dios, que estudou cosmetologia para criar produtos à base de plantas

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Mercado de US$ 3 bi

Com o isolamento e o fechamento dos salões por conta da pandemia, Cris Dios precisou fazer uma mudança em suas fontes de receita. Se, até o início de 2020, 70% de seu faturamento vinha dos salões e serviços prestados, durante o último ano e meio a estratégia foi migrar para a venda de produtos. Reforçou-se então, a segunda linha de produtos, LCS, que saiu de 300 para 900 pontos de venda, entre eles o Grupo Raia/Drogasil, Pão de Açúcar, Drogarias Venâncio, St.Marche.  O plástico de parte das embalagens usadas se degrada em cinco anos, contra até 200 levados de garrafas comuns. “Em muitos pontos não havia a categoria beleza natural e foi difícil convencer os compradores que era algo diferente das marcas comuns. Foi um trabalho de longo prazo, mas depois que entramos no Pão de Açúcar, os outros vieram com maior facilidade”, diz Cechetto. 

 

Considerando o crescimento do mercado de clean beauty, cosméticos feitos com ingredientes naturais (ou com ingredientes menos nocivos que os tradicionais), não-testados em animais e com uma cadeia de produção responsável, a empresa se movimenta em um terreno conhecido para ganhar mercado. A nova marca, C/Alma, traz um reforço no rótulo de cosméticos veganos, muito desejados pelas geração Z, estará em 20 mil pontos de venda, entre farmácias e mercados, e vai custar um terço da linha mais cara da empresa.“Tem gente que me conta que ficou um ano economizando para vir ao nosso salão e eu valorizo muito isso. Então a C/Alma será para esse público, que gosta dos nossos produtos e para quem quer experimentar cosméticos naturais”, afirma Dios. Mundialmente, o mercado de clean beauty movimenta US$ 3 bilhões, muito pouco comparado ao mercado total de beleza, de cerca de US$ 800 bi, segundo dados da consultoria Mintel. A previsão, porém, é de que essa pequena parcela cresça em torno de 6,5% a 8,5%  ao ano até 2026, segundo dados da Mordor Intelligence, em parte com a migração dos consumidores de produtos convencionais.


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