Empresas na bolsa de NY podem ter que divulgar emissões de gases do efeito estufa

A medida pode diminuir o risco de futuras crises financeiras induzidas pelo clima.

Zachary Snowdon Smith
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Xuanyu Han/Getty Images
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Algumas empresas já declararam oposição à proposta, prenunciando atrasos na promulgação, prevista para dezembro

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A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, que regula as bolsas de Nova York, anunciou ontem (21) uma proposta que exigiria que todas as empresas listadas divulgassem suas emissões de gases de efeito estufa e outros impactos climáticos

A medida, segundo cientistas, poderia ajudar a diminuir o risco de futuras crises financeiras induzidas pelo clima.

A regra demanda que todas as empresas norte-americanas e estrangeiras registradas na SEC (Securities and Exchange Commission) relatem suas estratégias de gestão de riscos relacionados ao clima.

Ou seja, empresas teriam que divulgar tanto emissões diretas de gases de efeito estufa quanto as indiretas, vindas de energia comprada ou qualquer outra fonte.

O chamado Aprimoramento e Padronização de Divulgações Relacionadas ao Clima para Investidores também exige o comunicado de quaisquer metas e planos de transição associados a mudanças climáticas.

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A Union of Concerned Scientists, uma ONG da área de conservação ambiental, disse que a medida marcaria um passo significativo para responsabilizar as empresas por seu impacto no aquecimento global e evitar interrupções econômicas causadas pelo clima, que afetariam todos os segmentos da sociedade.

As empresas com metas de clima públicas teriam que fornecer dados a cada ano fiscal, evidenciando sinais de progresso – ou falhas.

Seria uma estrutura de relatórios semelhante àquelas já aplicadas em uma escala mais limitada por grupos como a Força-Tarefa do G20 sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima, disse a SEC.

Panorama da movimentação da SEC

O presidente da SEC, Gary Gensler, defende que a instituição leve em consideração questões sociais e relacionadas ao clima em sua política regulatória desde que assumiu o cargo em 2021.

Para ele, a divulgação de dados sobre emissões de gases do efeito estufa é condizente com a tradição de relatórios em vigor desde a Grande Depressão, e questões relacionadas ao clima são um tema frequente de preocupação para os investidores.

Seu objetivo é estabelecer um sistema semelhante ao usado nas Olimpíadas, em que há um conjunto amplo e padronizado de regras para comparar atletas de diferentes países e em eventos distintos.

Algumas empresas, como Apple e Facebook, já divulgam voluntariamente dados sobre seus impactos climáticos. No entanto, alguns grupos comerciais já declararam sua oposição à proposta da SEC, possivelmente prenunciando atrasos na promulgação.

Crises econômicas – como as que podem ocorrer se as emissões de gases do efeito estufa continuarem sem regulamentação – afetam todos os níveis da sociedade, mas tendem a atingir mais as comunidades de baixa renda, disse a diretora da Campanha de Responsabilidade Climática da UCS (Universidade do Sul da Califórnia), Kathy Mulvey, em comunicado.

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CO2 em números

Os Estados Unidos emitiram 7,24 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa em 2019, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental.

Oposição

A comissária da SEC, Hester M. Peirce, disse que a proposta interromperia desnecessariamente as atuais diretrizes de divulgação, sem estabelecer um sistema eficaz para relatar os impactos climáticos.

Para ficar de olho

Se aprovados em dezembro deste ano, como é o previsto pelo regulador de Wall Street, os novos requisitos de relatórios climáticos serão implementados do ano fiscal de 2023 para o ano fiscal de 2027, disse a SEC.

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