A ascensão do turismo macabro na Europa

Reprodução Forbes
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Catedral de Santo Estêvão em Viena, sob a qual estão os restos mortais de 11.000 pessoas

O turismo macabro, quando pessoas escolhem tirar férias em lugares associados à morte e ao assassinato, tem ganhado visibilidade nas redes sociais, o que sugere o aumento da procura pela modalidade (não existem números oficiais). O “dark tourism” pode variar de genocídio (Auschwitz) e desastres nucleares (Chernobyl) a catacumbas da peste bubônica (Viena).

Viena é um importante destino para turistas que procuram algo sombrio. O Kriminalmuseum ou Museu Criminal é dedicado aos assassinatos de vienenses desde a Idade Média. Instalado em um grande edifício do século 17, com 324 quartos, todas as informações em alemão contam detalhes das histórias e as armas utilizadas.

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As catacumbas sob a ilustre Catedral de Santo Estêvão (Stephansdom) abrigam a ossada de mais de 11 mil pessoas que foram transferidas de cemitérios vizinhos em 1735. Os corpos foram concentrados sob o grande edifício para manter a peste bubônica afastada, às vezes –segundo a revista “Atlas Obscura”– impossibilitando os cultos da igreja, pois o cheiro de podridão e morte infestava o lugar.

Nas margens do rio Danúbio, você também pode visitar o Nameless Cemetery (Cemitério Sem Nome, em tradução sugerida), para pessoas que cometeram suicídio (logo, tiveram um funeral e enterro negados pela igreja vienense) ou corpos não identificados encontrados no mar até 1940.

O turismo macabro não é novo. Os irmãos Michelin publicaram um guia do campo de batalha da França em 1917, antes mesmo do fim da Primeira Guerra Mundial, com fotos do antes e depois para os visitantes.

Em um especial do “Washington Post” sobre o turismo macabro, J. John Lennon, professor de turismo da Universidade Caledônia de Glasgow, que cunhou o termo com um colega em 1996, sugeriu que o fenômeno começou com enforcamentos públicos em Londres no século 16. Ele acrescentou que há evidências de que as pessoas assistiram a Batalha de Waterloo dentro de carruagens em 1815.

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Após a Segunda Guerra Mundial, os campos de concentração foram gradualmente abertos ao público, para garantir que todos lembrássemos do Holocausto e do que aconteceu dentro do limite dos muros. Ultimamente, no entanto, houve um aumento de visitantes vendo os campos de forma sensacionalistas. Auschwitz e outras locações agora precisam avisar os visitantes que não é respeitoso fazer selfies em frente aos trilhos ou aos infames portões com a inscrição “Arbeit Macht Frei”.

Em 2018, a Netflix lançou um documentário chamado “Dark Tourism”, onde o jornalista David Farrier visitou locais que normalmente não estão entre os destinos de viagem tradicionais; lugares com altos níveis de radiação, relatos de atividade paranormal e assassinatos. Uma das conclusões de Farrier foi que os visitantes voltaram para casa se sentindo gratos e felizes depois de visitar esses lugares e reviver experiências que normalmente nunca teriam tido. Paradoxalmente, parece que as pessoas se sentiram melhor do que o esperado depois de reviver infortúnios alheios.

À medida que a indústria do turismo busca cada vez mais experiências autênticas, pode ser difícil saber onde traçar a linha do limite. Tudo bem levar crianças em idade escolar para dormir nas trincheiras e experimentar a sensação da Primeira Guerra Mundial em primeira mão? O artigo do “Washington Post” concluiu que os visitantes de lugares de grande tragédias poderiam evitar serem chamados de “voyeurs” se não anunciassem sua visita nas mídias sociais (selfies são uma grande gafe) e evitassem locais de tragédias recentes.

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