Por dentro da parceria de Joey Bada$$ e Paco Rabanne na criação do perfume 1 Million

Reprodução/Forbes
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Joey Bada$$, rapper nova-iorquino: “A ideia do perfume combinava com a minha vibe que é principalmente a elegância”

Quando o nome Paco Rabanne entra na conversa, só se pode deduzir que o bate-papo está indo em uma direção bastante elegante. Francisco Rabaneda Cuervo, mais conhecido pelo pseudônimo que dá nome a marca, é um estilista espanhol de renome mundial cuja reivindicação à fama foi como o “enfant terrible” (termo francês para designar uma criança que é famosa por dizer coisas embaraçosas aos adultos) da moda francesa na década de 1960.

A exibição da combinação de requinte e versatilidade manteve a empresa na posição de redefinir a relevância na nova era. No último lançamento, Paco lançou o 1 Million Parfum em colaboração com o rapper americano Joey Bada $$, nativo do Brooklyn.

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O perfume é floral com força solar, ou seja, um efeito quente e radiante, além de toques picantes de conhaque. Um dos maiores detalhes do produto reinventado está em seu design, que ostenta um tijolo de ouro que serve mais como item de colecionador do que como uma adição às “tralhas” de alguém. Não se pode esperar nada menos que a junção do refinado gosto do espanhol no mundo das fragrâncias e das preferências do MC da Pro Era (grupo coletivo de hip hop americano do Brooklyn).

Joey Bada $$ causou grandes repercussões tanto no hip-hop como em Hollywood, tendo participado das séries “Mr. Robot” com o vencedor do Oscar Rami Malek, “Boomerang”, e “Grown-ish”, na qual fez o papel de si mesmo. O artista multifacetado conseguiu manobrar em vários espaços do mundo da moda de modo a representar um dos rostos da marca de roupas masculinas Pyer Moss em uma coleção recente enquanto tocava em paralelo seus próprios empreendimentos. Quando surgiu a oportunidade para Joey acrescentar mais um ponto ao seu múltiplo cinturão de realizações, o artista durão fez mais do que abraçar a oportunidade.

Eu e Daryl Seabrooks aproveitamos o momento para ter um bate-papo com o rapper americano e nativo do Brooklyn sobre os motivos pelos quais ele ama uma fragrância que eleva seus sentidos; o fato de o desenvolvimento do perfume de Paco Rabanne chegar na hora certa e como o perfume se adequa ao seu estilo elegante.

Forbes: Paco Rabanne tem uma história muito rica no mundo das fragrâncias. Qual o diferencial da marca para fazer impulsionar sua parceria na criação do novo Paco Rabanne 1 Million Parfum?

Joey Bada$$: Depois de receber uma oferta da marca, fazer algumas pesquisas e a desenvolver a correspondência adequada entre as equipes, o acordo estava dentro do que eu procurava representar e também fazer parte do cenário das fragrâncias. Além disso, a ideia do perfume combinava com a minha vibe que é principalmente a elegância!

F: Que notas importantes são necessárias de incorporar em um perfume incorpore, a fim de capture a sua atenção instantaneamente?

JB: O “humor” em que um perfume me coloca é algo muito importante para mim. Eleelevam meus sentidos? Me faz sentir mais alto-astral do que estou naquele momento? Esta colônia é uma apresentação e extensão de mim mesmo. O perfume deve se ajustar à minha vibe que é principalmente a elegância.

F: Qual a importância da embalagem na ótica das compras de fragrâncias?

J: Vendas e marketing são muito importantes em qualquer produto e eu diria que Paco definitivamente passou no teste de embalagem para mim. A colônia é uma barra de ouro e eu não sei o quão propagandístico isso pode ser. Ele ficará sempre destacado e você não poderá esquecê-lo, não importa o layout dos seus itens pessoais no seu quarto ou banheiro.

F: Tendo nascido no Brooklyn, o que você acha do som de Nova York atualmente? Está tendo um som mais popular em geral durante essa era do rap?

J?: Eu acho que está datado há muito tempo. O rap, na minha opinião, não está mais restrito aos padrões típicos que existiam naquele tempo. A internet nos mostrou que só porque uma criança nasce em El Paso, no Texas, não significa que ela não pode curtir as batidas tradicionais do hip hop. O mesmo pode ser dito de uma criança nova-iorquina dançando no beat grave de trap. É arte, é como você se expressa e é sobre a representação da cidade e não tanto a representação do som.

F: Qual tem sido sua fonte fundamental de inspiração nos últimos tempos, na criação de novas músicas?

J: Me inspiro em literalmente qualquer coisa e não tenho ideia de quando isso vai acontecer. Poderia ser a partir de uma conversa, lembrança, música, filme, interação, um olhar. Tenho ido a galerias de arte com mais frequência recentemente e tenho me inspirado muito nisso. Viagens também são uma fonte  e muitos outros aspectos porque gosto de me manter aberto às possibilidades ilimitadas de como posso evoluir.

F: Como é o seu relacionamento com a Pyer Moss e qual a importância de você ser nomeado por ele no CFDA Awards de 2019 (prêmio considerado o Oscar da moda americana, que reconhece os maiores nomes da indústria e define tendências)?

J: Kerby (estilista haitiano-americano e fundador da marca de moda masculina) é como um irmão mais velho e eu o admiro muito. Respeito sua mente e uma das suas qualidades que eu mais admiro é sua atenção aos detalhes. Ele é uma dessas pessoas que aponta as perspectivas que você naturalmente não pensaria por conta do quão acostumado está com seu próprio modo de vida. Além disso, promove a excelência e me fez crescer com a quantidade numerosa de conversas que tivemos. Ele não está com medo de ter discussões reais e até te ofender um pouco, porque a verdade às vezes pode doer, mas é a sua verdade e eu permaneço na minha. Kerby é uma daquelas pessoas que podem tirar isso de você. Eu tenho muito amor por ele e penso que sua contribuição é o que a indústria precisa, especialmente neste clima atual.

F:Quais são alguns dos itens essenciais no seu guarda-roupa?

J: Existem certas peças que posso falar por conta própria, mas ao mesmo tempo há uma certa configuração que pode ser aplicada dependendo dos artigos em questão. Eu tenho peças super básicas e minimalistas, mas, ao mesmo tempo, adquiro muitas roupas que podem ser usadas sem acrescentar algo espetacular. É importante manter um nível de peças essenciais que estão sempre sob o meu controle. Menos é mais, mas a joalheria é muito relevante, especialmente em um nível cultural, e está ligada à maneira como você se expressa. A maioria do meu vestuário é personalizada, mas meu conselho sobre joias não é comprá-las a menos que seja possível usá-las três ou quatro vezes.

F: Fazer parte da série “Wu-tang” da Hulu redefiniu sua perspectiva sobre a indústria do hip-hop?

J: Os anos 1990 são a minha época favorita e me ensinaram sobre a preparação, o conhecimento de si mesmo como artista e o desenvolvimento de um personagem que pode prosperar em um negócio que possui muitos obstáculos e dias variados de triunfos e quedas. Os erros de amanhã podem ser evitados se tirarmos uma lição do que os grandes fizeram antes de nós.

F: Você vê seus esforços de atuação chegando às telonas?

J: sempre fui fascinado por televisão, atuação, cinema e artes cênicas. Não ficarei surpreso se essas portas se abrirem e em cinco anos se transformarem em algo maior. Eu gosto de me manter aberto e equilibrado com as coisas certas.

F: O que as recentes mortes prematuras de alguns dos artistas mais talentosos do hip-hop fizeram você valorizar mais?

J: Os atos de violência sem sentido são desanimadores e desnecessários em todos os sentidos. Eu acredito que você atrai o que emana, mas existem situações, como a de Kobe, que mudam toda essa perspectiva ao mostrar que a vida pode surpreender negativamente até quando se dissemina a energia mais positiva. Nunca se sabe o que pode acontecer e por isso é preciso viver um dia de cada vez e permanecer seguro e cauteloso, especialmente ao atingir um certo nível de sucesso. Você precisa proteger os frutos do seu trabalho, porque há muitas direções para as quais a vida pode seguir inesperadamente. Havia um certo nível de liberdade que eu queria manter a medida que eu crescia no início da minha carreira, e, olhando para trás, vejo que não valia a segurança que eu estava sacrificando. Perdi meu melhor amigo por suicídio, então, minha visão sobre tantos jovens talentos do ramo tem um peso diferente em meu coração. É importante falar sobre isso  e viver o luto com responsabilidade, para que a mensagem continue a se espalhar sobre a proteção e a preservação da vida humana.

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