Como a Vilebrequin se mantém relevante e sustentável após cinco décadas de operação

Vilebrequin/Divulgação
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Para a Vilebrequin, grife referência em moda praia masculina, luxo passa pela durabilidade das peças, que devem ser capazes de atravessar gerações

Foi em 1971, na cidade francesa de Saint-Tropez, que Fred e Yvette Prysquel, um repórter especializado em Fórmula 1 e uma designer, abriram a primeira loja da Vilebrequin. Inspirado nos surfistas da Califórnia, o casal incorporou um novo conceito de moda praia masculina ao sul da França: o território dominado pelos calções super justos e curtos foi invadido por bermudas de estilo muito mais leve, mais compridas e muito mais divertidas. 

Cinco décadas depois, a marca não apenas se consolidou como referência no mercado francês de roupas de banho masculina, como conquistou o mundo. O que começou com uma loja na Riviera Francesa se expandiu para uma grife de luxo com 170 lojas próprias em mais de 60 países – inclusive no Brasil, com unidades nos shoppings Iguatemi e JK Iguatemi, em São Paulo. Desde 2012, a empresa é integrante do grupo G-III Apparel, proprietário de marcas como Calvin Klein, Levi’s e Tommy Hilfiger, depois de uma operação de US$ 106 milhões.

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O estilo largo e descontraído das bermudas nunca saiu do portfólio da marca: pelo contrário, ele se tornou a assinatura dos designs da Vilebrequin, junto às estampas ousadas e divertidas, adoradas por celebridades como Brad Pitt, George Clooney, Jack Nicholson e o Príncipe William. “Ao longo dos anos, nós sempre tentamos manter o espírito dos primórdios da marca, que engloba liberdade, sol, hedonismo e um senso chique sem esforço”, afirma o CEO da grife, Roland Herlory, à Forbes Brasil

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O casal Fred e Yvette Prysquel, as mentes que mudaram o mercado de moda praia masculina

Integrante da companhia desde 2012, após 25 anos de trabalho na Hermès, Herlory está à frente da comemoração de aniversário – digna do aniversário de cinco décadas – da marca: uma bermuda diferente para cada ano de vida da grife, com estampas que buscam refletir as tendências e a cultura de cada época. Os anos 1980, por exemplo, foram traduzidos com designs psicodélicos, muitas cores neon e estampas chamativas. Já a coleção da década de 1990 abusa do estilo tropical, com cores mais suaves de azul, verde e laranja. 

Entre os desenhos, a tartaruga virou símbolo registrado da grife desde 2000, quando começou a estampar as bermudas. Atualmente, o animal marinho também virou uma representação dos esforços sustentáveis da Vilebrequin. Nos últimos dez anos, pelo menos, a empresa se associou a instituições como a Plant a Fish, em prol da conservação dos oceanos, e a Te Mana O Te Moana, que protege tartarugas na Polinésia Francesa. Em junho deste ano, lançou sua própria fundação de proteção marinha. 

Mas essas não são as únicas preocupações da empresa em relação ao meio ambiente. A Vilebrequin vem tentando, cada vez mais, encontrar soluções ecológicas que possam ser incorporadas ao seu processo de criação. O tecido, um dos elementos cuja alta qualidade fez a grife ficar conhecida mundialmente, é um dos principais investimentos: além de usar majoritariamente matéria-prima orgânica e fibras naturais, atualmente 50% das coleções da marca são feitas com materiais reciclados, com a meta de elevar esse percentual a 80% até 2023. 

O principal deles é o Seaqual, tecido desenvolvido a partir da reciclagem de plásticos poluentes retirados do mar Mediterrâneo por pescadores locais. Outra alternativa disponível hoje é o Econyl, feito de redes de pesca, carpetes e garrafas plásticas recicladas. 

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Roland Herlory, o CEO da Vilebrequin

Herlory conta que a preocupação com a sustentabilidade remonta às origens da marca. O fundador, Fred Prysquel, sempre teve um olhar diferenciado em relação aos tecidos e gostava de misturar e usar materiais incomuns em suas produções. “Ele experimentava muito e podemos dizer que foi uma espécie de pioneiro do upcycling”, afirma o CEO. 

Além de sustentável, as bermudas – que podem superar os R$ 3 mil – e outras peças de praia, como biquínis e acessórios, são feitas para durar. “Acredito que um produto de luxo seja aquele que você consegue conservar a ponto de passar para as próximas gerações”, diz Herlory. Com essa filosofia, a Vilebrequin mira no consumo circular com seu programa de reparos, que pode dar uma nova cara a shorts de décadas atrás. “É o que chamamos de peça icônica. Um item atemporal que pode atravessar descendentes sem envelhecer”, completa. 

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