Pandemia do coronavírus breca o mundo

Até o fechamento desta edição, o Brasil contabilizava 25 mortos e 1.546 casos confirmados; Pacaembu e Anhembi eram transformados em “hospitais”.

Angelica Mari
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A praça de São Marcos, em Veneza, em 18 de março de 2020

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Março de 2020 foi o mês em que a Covid-19, doença infecciosa causada pelo novo coronavírus, foi declarada uma pandemia. Tal qual um inimigo com vantagem em um cenário de guerra, o vírus atravessou as fronteiras sem resistência e chegou ao Brasil, trazido da Itália, em 26 de fevereiro.

Desde o anúncio do primeiro caso, o alastramento do vírus no país foi exponencial, com 25 mortos e 1.546 casos confirmados em 23 de março de 2020. Na ocasião, o prognóstico não era otimista: segundo o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, o sistema de saúde se esgotaria até o final de abril. “O colapso é quando você pode ter o dinheiro, o plano de saúde, a ordem judicial, mas não há o sistema para entrar”, declarou.

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Apesar do avanço feito em métodos de testes rápidos e pesquisa de medicamentos e vacinas, a prevenção contra a doença até o momento de produção deste texto se resume a lavar as mãos e evitar o contato com outras pessoas.

Com o inexorável fato de que milhares de brasileiros serão infectados pelo coronavírus, a prioridade foi frear a demanda de cidadãos pelo sistema de saúde. O distanciamento social é considerado o meio mais efetivo de diminuir a possibilidade de contágio, a necessidade de acesso aos serviços de saúde e o enorme custo humano causado pela pandemia.

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O chamado lockdown, ou quarentena compulsória, está entre as medidas vistas como um dos fatores cruciais para a diminuição de casos na China, onde começou a pandemia. Até 23 de março, a China seguia como o país com mais casos (81.093, com 3.270 mortes), seguido da Itália, com 63.927 casos e 6.077 mortes. No mundo, até essa data, 373.818 pegaram a Covid-19, e 16.328 pessoas perderam suas vidas.

Vírus X Economia

Políticas de enfrentamento ao vírus em nível estadual e municipal destoam do posicionamento do governo federal, que acredita que a paralisação de serviços deixará a economia nacional de joelhos. Em 21 de março, o governo de São Paulo, que contém o maior número dos casos confirmados de coronavírus, determinou a quarentena de 645 municípios do estado. A capital paulistana fechou o comércio e começou a montar hospitais de campanha no estádio do Pacaembu e no complexo de eventos do Anhembi para receber os doentes.

Segundo um dos criadores da versão local do movimento “Stop the Spread” (Pare o contágio, em inglês), o fundador da plataforma de entretenimento Ingresse, Gabriel Benarrós, a campanha prioriza suporte ao pessoal da linha de frente e da área de saúde, apoio às pessoas que não podem trabalhar remotamente e profissionais autônomos, além de evitar locais públicos. “Ainda existem empresas que não adotaram o home office: se isso continuar, a contaminação será exponencial”, diz Benarrós, integrante da lista Forbes Under 30 de 2016.

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Os negócios menos dependentes de contato físico, como startups de atuação digital, não tiveram grandes problemas em aderir ao trabalho remoto – tudo para frear a curva de transmissão da Covid-19.

O impacto total da epidemia na economia ainda está por ser conhecido, mas a previsão é que os efeitos até agora já foram suficientes para causar um colapso em vários setores. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o choque do coronavírus já é superior à crise de 2008 ou a de 2001, quando ocorreram os ataques de 11 de setembro nos EUA.

Nessa terra arrasada, desafios e oportunidades foram apresentados para negócios digitais como a iFood, que buscou atender ao isolamento social com ações como entrega sem contato, e a Amazon, que teve uma explosão de demanda, anunciou a contratação de milhares de trabalhadores afetados pela pandemia.

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O Aeroporto Internacional de São Paulo após o alerta sobre a covid-19 em 15 de março

As notícias boas param por aí: entre os setores mais afetados pelo coronavírus, está a aviação civil, que fez uma redução significativa de voos, gastos e quadros de funcionários para lidar com a crise: a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) prevê que o setor pode perder até US$ 113 bilhões em receita este ano devido à queda drástica no tráfego de passageiros. Outro é o varejo tradicional, onde as vendas caíram 5,4% em março em relação a fevereiro, segundo a Cielo – a exceção são os bens não duráveis, como comida e medicamentos.

Entre os pequenos e médios negócios, construção civil, moda, varejo não digital e restaurantes são alguns dos setores mais impactados pela pandemia no Brasil, segundo um mapeamento do Sebrae. Estes totalizam mais de 12,3 milhões de negócios, que respondem por mais de 21,5 milhões de empregos – o total de trabalhadores empregados nas pequenas empresas é de 46,6 milhões.

Reportagem publicada na edição 76, lançada em março de 2020

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