Documento interno do CDC norte-americano revela que variante delta pode ser mais perigosa do que foi divulgado

Getty Images/BNBB-Studio
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Segundo o documento, infectados com a delta podem transmitir Covid-19 tão facilmente quanto aqueles que não estão vacinados

Uma apresentação que circulou internamente no CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças do Estados Unidos) – e obtida recentemente por vários meios de comunicação – oferece uma avaliação muito mais sombria do que a que a agência vem compartilhando publicamente sobre a variante delta, com algumas discrepâncias importantes entre as mensagens públicas e privadas.

O documento, obtido e revisado pelo “The New York Times” e pelo “The Washington Post”, que revelaram o seu conteúdo na noite de ontem (29), baseia-se em uma combinação de dados não publicados sobre investigações de surtos e estudos recentes.

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Uma das principais revelações da apresentação, que foi desenvolvida por um médico do CDC e compartilhada dentro da agência, é a de que novas evidências sugerem que indivíduos vacinados infectados com a delta podem transmitir Covid-19 tão facilmente quanto aqueles que não estão vacinados.

Isso difere do que a diretora do CDC, Dra. Rochelle Walensky, disse no início desta semana publicamente, já que ela caracterizou a transmissão do vírus entre as pessoas vacinadas como possível – mas ainda rara – ao anunciar a nova orientação para uso de máscara.

A apresentação também ofereceu detalhes novos (e anteriormente não compartilhados) sobre a transmissibilidade da variante delta, seu risco de causar doenças mais graves e a possibilidade de deixar as pessoas infectadas por mais tempo do que outras variantes – por 18 dias em vez de 13.

Embora os funcionários do CDC tenham rotulado a delta como mais infecciosa do que outras variantes, a apresentação a considera mais transmissível do que os vírus que causam MERS, SARS, Ebola, resfriado comum, gripe sazonal e varíola, além de tão contagiosa quanto a varicela.

Além disso, o documento revela que a variante delta parece mais propensa a causar doenças graves (aumentando as chances de hospitalização e uso de oxigênio), o que foi sugerido por outras autoridades de saúde pública, mas não explicitamente delineado pelo CDC.

A apresentação fala, ainda, em uso universal da máscara “dada a maior transmissibilidade e as taxas de vacinação atuais”. Também observa que essa mensagem difere do que o CDC vem compartilhando publicamente e conclama a agência a “reconhecer que a guerra mudou”.

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Embora ofereça um cenário mais preocupante da variante delta, o documento destaca que as vacinas ainda parecem ser altamente eficazes na prevenção de casos mais graves da doença, hospitalização e morte.

De acordo com o “The Washington Post”, ontem a diretora do CDC conversou em particular com os membros do Congresso sobre o material do documento. A previsão é de que a agência divulgue publicamente esses dados nos próximos dias. No entanto, alguns questionaram por que a agência não compartilhou essas informações antes. A Dra. Rochelle Walensky fez referência a “dados não publicados” ao anunciar a decisão do CDC de voltar a impor as recomendações de uso de máscara para pessoas vacinadas em áreas com alta transmissão do vírus. O CDC não respondeu imediatamente à solicitação de entrevista da Forbes e recusou os pedidos feitos pelos outros meios de comunicação.

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