Volta ao mundo em 5 drinques

A primeira definição oficial de coquetel foi publicada na publicação “The Balance and Columbian Repository”, em 1806. Segundo o jornal, “o coquetel é um licor estimulante, composto por bebidas alcoólicas de qualquer tipo, água e bitters”, receita que até hoje define os drinques clássicos. A divisão entre a coquetelaria clássica e a moderna se dá principalmente entre os drinques desenvolvidos antes e depois da Lei Seca dos EUA (que perdurou de 1920 a 1933) – apesar de, até 1970, o caráter criativo que vemos hoje ainda não ser tão presente. Já nos anos 1990, a ousadia tornou-se ingrediente imprescindível nas receitas, o que estimulou a inovação e o surgimento de “celebridades” da coquetelaria.

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Hoje o cenário é esse: os bartenders ganharam os holofotes, participam de diversas competições de escala global e são estrelas de alguns dos balcões mais cobiçados do mundo. Reunimos a seguir cinco drinques autorais, que só podem ser apreciados em seus “berços”: Buenos Aires, Nova York, Paris, São Paulo e Singapura.

Confira, na galeria de fotos abaixo, os cinco drinques:

  • Mary Pickford
    BlackTail, Nova York

    O bar nova-iorquino tem inspiração no período da pré-revolução cubana (1953), sem ignorar a influência dos bares americanos. O proprietário, Jack McGarry, conta que os best-sellers são os drinques clássicos cubanos, como o Mary Pickford. O coquetel é inspirado na atriz americana de mesmo nome e teria sido criado nos anos 1920 pelo bartender Fred Kaufman. Com o passar dos anos, foi aprimorado. Sua receita leva rum, bitter burlesco, suco de limão, suco de abacaxi, licor de grenadine e cerejas maraschino.

  • Dead Habit
    Frank Bar, São Paulo

    O bartender Spencer Amereno, à frente do bar do Hotel Maksoud, indica o drinque batizado de Dead Habit, uma alusão ao ditado “old habits die hard” (velhos hábitos custam a morrer). A bebida leva uísque Jameson, cachaça Serra das Almas, Cointreau Noir, limão tipo galego, bitter de angostura e hortelã bicolor. A mistura entre cachaça e uísque é bem peculiar, mas é uma combinação “que dá certo” – segundo o profissional, ela “destaca a sutileza do uísque com a pungência da cachaça branca, que atribui personalidade forte ao drinque”.

  • First Voyage
    Manhattan Bar, Singapura

    Todo o conceito do atual melhor bar da Ásia – e 3º melhor do mundo, segundo o ranking 50 Best – foi inspirado nas eras de Nova York. O head bartender Cedric Allen Mendoza falou sobre seu drinque assinatura, o First Voyage. A bebida é um aperitivo e leva vinho do porto Penfold’s Father, licor Luxardo Maraschino, gin Rutte Old Simon, vermute Mancino Vecchio e bitter de laranja.

  • Pelo del Perro
    The Little Red Door, Paris

    O pequeno bar parisiense fica no 3º Arrondissement e tem, como o próprio nome diz, uma pequena porta vermelha
    em sua fachada (apenas decorativa). O bartender Louis Lebaillif falou sobre um dos coquetéis-assinatura da carta, batizado de Pelo del Perro. A bebida é “bem forte e exótica”, e traz em sua receita mezcal (destilado feito do agave), vinho Cap Corse Mattei, licor Merlet Melon, uísque, absinto e um toque de soro fisiológico.

  • Negroni Balestrini
    Floreria Atlantico, Buenos Aires

    O escondido bar fica no porão de uma floricultura, bem nos moldes dos tradicionais speakeasies. O proprietário e autor da carta de bebidas, Renato Giovannoni, inspirou-se nas décadas de 1900 a 1920 para criar os coquetéis autorais. O bartender indica o Negroni Balestrini, inspirado em seu avô. Entre os ingredientes principais, traz Campari, licor Amaro Averna e o gin Principe de los Apóstoles (feito em Mendoza, Argentina). O destilado, diferente da receita tradicional de estilo London Dry, leva erva-mate, menta, grapefruit e eucalipto infusionados – ingredientes que são característicos da cultura argentina.

Mary Pickford
BlackTail, Nova York

O bar nova-iorquino tem inspiração no período da pré-revolução cubana (1953), sem ignorar a influência dos bares americanos. O proprietário, Jack McGarry, conta que os best-sellers são os drinques clássicos cubanos, como o Mary Pickford. O coquetel é inspirado na atriz americana de mesmo nome e teria sido criado nos anos 1920 pelo bartender Fred Kaufman. Com o passar dos anos, foi aprimorado. Sua receita leva rum, bitter burlesco, suco de limão, suco de abacaxi, licor de grenadine e cerejas maraschino.

Reportagem publicada na edição 63, lançada em novembro de 2018

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