Gol e Smiles não entram em acordo sobre reestruturação societária

Paulo Whitaker/Reuters
A Gol não vai renovar o contrato operacional e o de prestação de serviços de back office com a Smiles

A Gol e a sua controlada Smiles encerraram negociações para uma reestruturação societária proposta pela companhia área, que incluía a incorporação da empresa de redes de fidelidade de clientes.

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“Após cinco meses de estudos e negociações envolvendo a Gol e o Comitê Independente da Smiles Fidelidade, não foi atingido um acordo quanto aos termos para implementação da reestruturação societária proposta”, disse hoje (19) a empresa aérea.

A Gol ressaltou que o término das tratativas com o comitê não altera a decisão da aérea de não renovar o contrato operacional e o contrato de prestação de serviços de back office com a Smiles além da atual data de validade.

Em comunicado separado, a Smiles disse que “está trabalhando na revisão de seu planejamento estratégico de forma a refletir a decisão da Gol de não renovar o contrato operacional e o atual cenário competitivo da indústria em que a Smiles atua”.

A gestora de programas de fidelidade disse que o resultado desse trabalho será oportunamente submetido para deliberação do seu conselho de administração e, caso qualquer alteração venha a ser aprovada, o novo plano será comunicado ao mercado.

O plano anunciado em outubro passado vinha encontrando resistências, o que inclusive levou a Gol a anunciar no fim de 2018 que estava revisando o plano, após uma comissão da B3 vetar a migração da empresa aérea para o Novo Mercado.

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Às 14h38, a ação PN da Gol tinha queda de 0,19%, enquanto a ON da Smiles recuava 5,1%. No pior momento, Smiles caiu 11,6%.

Para o analista Renato Mimica, do BTG Pactual, o anúncio é negativo para a Gol, pelo menos por ora, já que incorporação da Smiles teria beneficiado a aérea não apenas em termos de maior flexibilidade nas transações ligadas à Smiles, mas principalmente em relação à sinergia fiscal.

Mas ele ressalvou ver qualquer fraqueza das ações da Gol como oportunidade de compra, já que os fundamentos de companhias aéreas no Brasil estão fortes e a empresa é a maior beneficiária da situação da Avianca Brasil, que está em recuperação judicial.

Em relação à Smiles, Mimica afirmou que a grande questão é o que acontecerá com a companhia a seguir. Ele avalia que a Gol acabará buscando um novo acordo para deslistar a Smiles (embora não no curto prazo) e, assim, considera que não há qualquer incentivo para maximizar o preço da Smiles.

“Também observamos que nossa perspectiva de forte crescimento da receita unitária para a Gol, em última análise, significa um momento de lucratividade mais fraco para a Smiles, afirmou em relatório a clientes.


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