Ataques a unidades sauditas de petróleo elevarão preços dos combustíveis

Reuters
Fumaça após ataque a instalação da Aramco em Abqaiq, Arábia Saudita

Os ataques às instalações sauditas de petróleo no sábado (14) irão elevar os preços dos combustíveis em todo o mundo, na maior interrupção global em 50 anos. Saiba o que isso pode significar para os consumidores.

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ONDE SENTIREI OS AUMENTOS DOS CUSTOS?

Os consumidores em todo o mundo poderão ver aumentos nos custos de tudo, de gasolina e diesel a passagens aéreas, após os ataques do final de semana causarem um salto nos preços mundiais do petróleo. Conforme os valores do transporte crescem, isso pode significar que os embarques de outros produtos, como alimentos, também possam subir de valor nos próximos meses.

COMO O PREÇO DO PETRÓLEO INFLUENCIA NO VALOR DE DIESEL E GASOLINA?

O petróleo é transformado, via refino, em vários produtos, incluindo gasolina e diesel. Os preços desses produtos flutuam de acordo com a disponibilidade de oferta, impostos e aditivos, como o etanol. O petróleo, no entanto, é o principal fator.

“O petróleo representa 50% do preço de varejo nos Estados Unidos, então à medida que o valor do petróleo sobe, o varejo acompanha”, disse a porta-voz da Associação Norte-Americana de Automóveis, Jeanette Casselano.

POR QUE A ARÁBIA SAUDITA É TÃO IMPORTANTE PARA ESSA EQUAÇÃO?

A Arábia Saudita foi, por décadas, a maior produtora de petróleo do mundo, e mesmo com o impulso dos EUA e da Rússia às suas produções, o reino possui mais capacidade ociosa – a possibilidade de elevar sua produção quase que imediatamente – do que qualquer outra nação. Essa interrupção é o maior choque de oferta em termos absolutos das últimas cinco décadas.

Como resultado, suas decisões como líder da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ainda possuem influência substancial sobre o preço global do petróleo. Além disso, o país segue como o maior exportador petrolífero mundial, embarcando 7 milhões de barris por dia, boa parte deles para compradores asiáticos.

QUANDO OS PREÇOS COMEÇARÃO A SUBIR?

Muito em breve. Os preços nas bombas respondem muito rapidamente às mudanças nos mercados futuros, que avançaram acentuadamente hoje (16) em resposta aos ataques.

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Nos EUA, motoristas podem notar os preços nas bombas começando a subir ainda nesta semana, com os valores podendo avançar até US$ 0,25 neste mês. Os contratos futuros de gasolina e diesel na Bolsa de Valores de Nova York subiram mais de 10% nesta segunda-feira.

No Brasil, porém, a Petrobras deve buscar evitar o “nervosismo do mercado” e “aguardar um pouco” antes de reajustar preços de combustíveis, disse uma fonte da companhia à Reuters.

COMO OS CRESCENTES PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS PODEM ELEVAR OUTROS CUSTOS?

Os preços de combustíveis, especialmente do diesel, que move veículos de carga pesada, como caminhões e máquinas agrícolas, devem subir. Isso afetará os custos de transporte para que as empresas embarquem produtos. Consumidores, assim, podem ver altas nos preços de itens em seus mercados locais.

Aumentos nos preços dos combustíveis são esperados nas principais economias do mundo, com os países da Ásia especialmente sensíveis a saltos devido ao consumo energético intensivo de suas indústrias manufatureiras, disse John Kilduff, sócio da Again Capital.

Dependendo do tempo pelo qual as exportações sauditas forem afetadas, consumidores também poderão notar aumentos nos preços das passagens aéreas, por causa do prêmio sobre o valor do combustível de aviação, disse Phil Flynn, analista do Price Futures Group.

POR QUE O PREÇO DEVE SUBIR? NÃO HÁ RESERVAS DE PETRÓLEO NO MUNDO?

Sim, há. É solicitado que membros da Administração Internacional de Energia, com sede em Paris, mantenham ao menos 90 dias de importações de petróleo bruto e/ou produtos refinados em estoque para o caso de situações como essa. Os EUA já disseram que poderão usar suas reservas de petróleo caso necessário, e a Arábia Saudita também possui estoque suficiente para cobrir as exportações por um certo período.

Entretanto, os mercados globais ainda assim são afetados, pois é incerto o tempo que será necessário para que a Arábia Saudita repare os danos e retome as exportações.

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