IPO da Saudi Aramco é avaliado entre US$ 1,6 tri e US$ 1,7 tri

Reprodução Forbes
Outdoor exibe anúncio do IPO da Aramco em Riad

A Saudi Aramco estabeleceu uma faixa de preço indicativa para sua oferta pública inicial (IPO) que aponta para uma avaliação da gigante estatal de petróleo e gás entre US$ 1,6 trilhão e US$ 1,7 trilhão – bem abaixo dos US$ 2 trilhões buscada pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman.

Os detalhes da operação foram divulgados hoje (17). Segundo a companhia, os planos de abertura de capital incluem a venda de 3 bilhões de ações (1,5% de seu patrimônio) a um preço indicativo entre 30 riais sauditas (US$ 8) e 32 riais sauditas (US$ 8,53) por ação na bolsa doméstica saudita Tadawul.

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Isso significa que a Aramco poderia arrecadar até US$ 25,6 bilhões caso o too da faixa seja alcançado, superando a empresa chinesa de comércio eletrônico Alibaba, que arrecadou US$ 25 bilhões em 2014 em Nova York.

Analistas financeiros projetaram uma ampla faixa de avaliação para o IPO da Aramco, entre US$ 1,2 trilhão e US$ 2,3 trilhões, segundo dados publicados pela Bloomberg. Apesar da menor avaliação, o IPO pode ser o maior do mundo.

A empresa se recusou a dizer se comercializará ações em centros financeiros como Londres ou Nova York, ressaltando que ainda não havia sido tomada nenhuma decisão sobre os roadshows internacionais. Segundo a Reuters, que ouviu fontes familiarizadas com o tema, nenhum roadshow estava planejado.

A Aramco anunciou planos concretos para a abertura de capital em 3 de novembro, quase quatro anos depois de a ideia a ter sido sugerida pelo príncipe herdeiro Mohammed. O objetivo era aumentar o capital para diversificar a economia saudita do petróleo, como parte de sua visão para 2030. Os rumores iniciais do mercado de uma dupla listagem doméstica e internacional de cerca de 5% do patrimônio da empresa também caíram no esquecimento com o passar do tempo. A empresa atribuiu o atraso no seu cronograma de IPO aos processos e esforços necessários para adquirir uma participação de 70% na fabricante de petroquímicos Saudi Basic Industries Corporation (SABIC).

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Os investidores podem se confortar com o fato de que a Aramco continua sendo a empresa mais lucrativa do mundo, com um dividendo planejado de US$ 75 bilhões para 2019-2020, mais que o quíntuplo do que os dividendos da maior empresa do S&P 500, a Apple. E a menor valorização da companhia ainda superaria confortavelmente a maior empresa internacional integrada de petróleo do mundo, a ExxonMobil, que possui uma capitalização de mercado atual de US$ 300 bilhões.

No entanto, os investidores terão que lidar com um perfil de risco mais alto, uma vez que o preço do petróleo tem demonstrado fraqueza nos últimos anos, passando de níveis acima de US$ 110 por barril em 2014 para os atuais US$ 60.

Muitos analistas apostam que a demanda global vai diminuir a partir de 2025, devido ao crescente uso de veículos elétricos e medidas de vários governos para reduzir suas pegadas de carbono. As instalações e a infraestrutura da Aramco também podem ser alvo da geopolítica do Oriente Médio, dada a crescente rivalidade regional da Arábia Saudita com o vizinho Irã.

Em 14 de setembro, as instalações da companhia foram alvo de ataques de drones. A ação atingiu mais de 50% da produção saudita, mas o reino restaurou o balanço de suprimentos antes do que o mercado esperava.

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