Crise do coronavírus impulsiona aplicativos de entregas no Brasil

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Com as pessoas em quarentena para evitar maior contágio, o sistema de delivery assiste sua demanda aumentar

A demanda por entregas vêm crescendo em meio à epidemia do novo coronavírus, que levou escolas a suspenderem aulas e empresas a adotarem trabalho remoto para evitar o contágio de funcionários no Brasil e em outros países. 

A startup colombiana Rappi, que entrou no Brasil em 2017 e atualmente opera em 60 cidades, calcula aumento de cerca de 30% no número de pedidos em toda a América Latina, com destaque para as categorias de farmácia, restaurantes e supermercados. “As pessoas se sentem mais seguras fazendo um pedido via Rappi e evitando concentrações massivas”, informou a empresa em comunicado à Reuters.

Para a Liv Up, delivery de comida congelada saudável, o aumento de demanda é notado desde o dia em que a Organização Mundial da Saúde anunciou o vírus como uma pandemia. “Nossos clientes passaram a nos procurar como uma maneira de estocar uma comida saudável, prática e que tem alta durabilidade por ser ultracongelada”, revelou a empresa à Forbes Brasil. 

Preocupada em suprir a demanda com qualidade, a companhia está em contato constante com os fornecedores e trabalhando para aumentar o volume de produção e expedição. “A prioridade é garantir a qualidade e saudabilidade de sempre. No e-commerce (refeições ultracongeladas) a produção será focada nos itens com maior saída”. 

Já o aplicativo iFood, controlado pela brasileira Movile, disse em nota que ainda é cedo para dimensionar o impacto do surto de coronavírus nas operações, embora já tome medidas para atuação nesse cenário. 

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“O iFood possui flexibilidade para ajustar rapidamente suas operações de acordo com as necessidades do mercado, e está em constante contato com as autoridades, inclusive sobre este tema”, afirmou. Além disso, a companhia já testa sistemas de entrega com menor contato possível entre consumidor e entregador: “O usuário pode combinar via chat onde onde ele quer que deixem seu pedido”. O iFood ainda complementa que “‘as equipes da foodtech estão comprometidas em continuar inovando com tecnologia para contribuir com a população neste momento”. 

O aplicativo de comidas caseiras Apptite segue o mesmo comprometimento. Segundo o cofundador Guilherme Parente, a maior motivação é “ajudar a sociedade, já que as pessoas não podem sair de casa e o delivery se apresenta como uma solução”. Para ele, os números mostram que as pessoas já entenderam esse papel da entrega de comida. “Estávamos em um aumento gradual desde quarta-feira da semana passada. Ontem (16) tivemos o dobro de pedidos do que nossa média normal. E hoje (17), com nosso sistema de agendamento, acordamos com um volume de vendas que equivale ao que geralmente temos na hora do almoço” , revela. 

Como essa demanda só tende a aumentar, o cofundador afirma prever um aumento médio de até três vezes na média de pedidos anterior ao coronavírus. Para dar conta do trabalho, ele diz estar tomando todas as medidas de segurança com a produção, preparação e envio da comida.

Enquanto isso, medidas preventivas também estão sendo implementadas para proteger entregadores e consumidores. O próprio Apptite diz ter criado um serviço de suporte para que os motoboys avisem em caso de suspeita de contaminação. “Para que eles não sintam medo de ficar sem renda caso sejam contaminados, nos comprometemos a oferecer suporte a qualquer funcionário que precise de quarentena”, diz Parente. Além disso, a taxa diária de ganhos dos entregadores aumentou 25%, sem transferir essa diferença para o consumidor. 

Já o  iFood criou um fundo de R$ 1 milhão para os colaboradores em quarentena, “a orientação ao funcionário que tenha suspeita ou confirmação da Covid-19 é que siga todas as recomendações de saúde transmitida pelos órgãos públicos e, assim que possível, comunique ao iFood pelos canais de atendimento”, afirmou. 

A Uber EATS, divisão de entregas de comida da gigante norte-americana Uber Technologies, não quis fornecer números sobre o ritmo de pedidos nas cidades brasileiras em que opera, mas ressaltou que está “monitorando ativamente a situação do coronavírus”. A empresa ainda prestará assistência financeira por até 14 dias aos motoristas ou entregadores parceiros diagnosticados com coronavírus ou que tiverem quarentena decretada por autoridades de saúde.

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