Rio tem 72% dos leitos de UTI ocupados por doentes de Covid-19 e SP 50%

Rahel Patrasso/Reuters
Rahel Patrasso/Reuters

Hospital de campanha do Anhembi, na cidade de São Paulo

Os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo projetam que as UTIs estarão lotadas até o início de maio. Enquanto os hospitais de campanha anunciados pelo governo não são inaugurados, o Rio de Janeiro começa a ligar o alerta para possível colapso no sistema de saúde. Atualmente, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, 72% dos leitos de UTI estão ocupados por pacientes diagnosticados com a Covid-19. Há dez dias, o porcentual era de 63%. Já o governo de São Paulo estima que as unidades de terapia intensiva (UTIs) do Estado para pacientes de Covid-19 estarão lotadas até maio com o avanço da pandemia. Já os leitos emergenciais, instalados para evitar o colapso do sistema, devem ficar cheios até julho, diz a gestão João Doria (PSDB).

A previsão no Rio de Janeiro é de que os 2 mil leitos – incluindo UTI e enfermaria – dos hospitais de campanha sejam inaugurados até o dia 30 de abril. No entanto, um estudo da professora brasileira Marcia Castro, da Universidade de Harvard, prevê o colapso da rede até o dia 27 deste mês, no cenário mais otimista. No cenário mais pessimista, os leitos de UTI poderiam ser insuficientes já a partir de amanhã (17).

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A pesquisa sugere, portanto, que as unidades deveriam ser inauguradas com mais agilidade. Feito a pedido da “Rede Globo”, o estudo foi citado em ofício enviado ontem (15) ao governador Wilson Witzel pelo deputado estadual Renan Ferreirinha (PSB).

De acordo com a secretaria do Rio, 548 novos leitos já foram abertos no Estado para atender as vítimas. Ao todo, diz a pasta, “a SES vai disponibilizar na capital, Região Metropolitana e interior 3.414 leitos”, incluindo os 2 mil dos hospitais de campanha.

O caso dos leitos de enfermaria também preocupa. Há dez dias, a ocupação era de 41%; hoje, o número chegou a 62%. Além da abertura de leitos, a secretaria destaca que, para evitar o colapso, a população deve “ficar em casa e seguir as recomendações de isolamento, proteção e de higiene para controle da doença.”

Na noite de ontem, o próprio secretário de Saúde, Edmar Santos, confirmou que testou positivo para a Covid-19, assim como o governador Witzel. Edmar, contudo, está sem sintomas. Ambos afirmaram que continuarão trabalhando de casa no combate à pandemia.

Em São Paulo, cerca de 50% de todos os leitos de UTI do Estado já são ocupados por pacientes de Covid. “Temos de entender que, se mantivermos esse grau de isolamento social (o índice de paulistas em casa tem ficado em cerca de 50%, quando a meta é 70%) podemos inferir que provavelmente teremos lotação dos leitos de UTI a partir de maio e, após os leitos que ainda temos para colocar, seria para julho”, disse o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann.

O Estado tem 3,5 mil leitos de UTI na rede pública, somando vagas em unidades estaduais, municipais e filantrópicas. Até ontem, havia 2.508 internados com sintomas de Covid – 1.132 com diagnóstico confirmado. Até junho, o sistema deve receber 1.524 novos leitos especializados. A rede fez adaptações para atender à demanda, como o Hospital das Clínicas (HC), que liberou 900 leitos – 200 de UTI – para pacientes de Covid.

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Um dos casos mais graves é o do Instituto Emílio Ribas, onde todos os 30 leitos de UTI estavam ocupados ontem. “Temos um sistema de regulação que permite ocupar o leito no momento em que é desocupado. O planejamento é chegar a 50 leitos nas próximas semanas, com equipamentos e recursos humanos suficientes”, disse Luiz Carlos Pereira Junior, diretor da unidade de referência. No HC, que fica ao lado, a taxa é de 83%, a mesma do Sancta Maggiore Higienópolis, particular.

Longe do centro, o quadro é semelhante. O Hospital Geral de Pedreira, entre a zona sul e Diadema, tem 87% dos leitos ocupados. No Hospital da Vila Nova Cachoeirinha, zona norte, a taxa é de 86%. No Hospital Municipal do Tatuapé, zona leste, o índice é de 77% e funcionários relatam falta de espaço e estrutura.

“Não é só o leito de UTI. É o que compõe o atendimento ao doente grave, que pode começar na enfermaria e pode terminar até após a UTI”, afirmou o infectologista David Uip, chefe do centro de contingência contra o coronavírus do Estado. Ele alerta também para as dificuldades de ter profissionais e equipamentos suficientes. (Com Agência Estado)

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