10 previsões sociais e econômicas para 2020

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A A.T.Kearney elaborou uma lista de 10 previsões para 2020

Um novo ano está chegando e, com ele, uma série de expectativas ao redor dos acontecimentos sociais e econômicos em todo o mundo. Criadora do Global Business Policy Council, um serviço estratégico que, por meio de fóruns globais, opinião das lideranças e consultoria, ajuda a decifrar mudanças geopolíticas, econômicas, sociais e tecnológicas abrangentes e seus efeitos no ambiente global de negócios, a A.T.Kearney, a exemplo do que faz todo final de ano, elaborou uma lista de 10 previsões para 2020. 

“O relatório é baseado no que ouvimos durante todo o ano das empresas com as quais nos relacionamentos – suas preocupações, dúvidas, planos –, além de muita pesquisa”, explica André Volker, um dos diretores da consultoria global de gestão estratégica. Assim como toda previsão, alerta o especialista, há margem para variações. No ano passado, por exemplo, das 10 apostas, seis tiveram 100% de acerto, três 75% e uma 50%.

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Veja, na galeria de fotos a seguir, as 10 previsões sociais e econômicas da A.T.Kearney para 2020:

  • 1) Acirramento das guerras entre gerações à medida em que as linhas de batalha se definem

    O furacão Greta Thunberg e os recentes protestos em massa do Líbano ao Chile refletem o crescimento da insatisfação gerada pela manutenção das gerações mais velhas em posições de autoridade, enquanto os mais novos ganham voz quando se fala em desigualdade econômica, mudança climática e outras questões sociais.

    “O mundo vem passando por um momento de inflexão desde a crise de 2009. Embora boa parte dos países já tenha se recuperado, a desigualdade continua enorme, e não apenas do ponto de vista econômico. As mudanças climáticas, por exemplo, aumentam o custo de vida”, diz Volker. As novas gerações estão questionando mais fortemente e cobrando posições dos governos – e, ao que tudo indica, em 2020 não será diferente.

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  • 2) Inovação estimulada por uma onda de crise hídrica

    Inundações e escassez de água, inclusive potável, estão em ascensão. A crise hídrica está entre os cinco principais riscos globais há oito anos consecutivos. E mais de 40 países – que abrigam o equivalente a um terço da população global – estão lidando com a escassez de algo que sempre foi visto como commodity. A Índia é um exemplo dessa realidade, com várias cidades atingidas por inundações que causaram vítimas fatias. Pelo menos 21 cidades devem ficar sem água no subsolo até 2020. Outros países, como Malawi, Irã e Nepal também enfrentaram inundações fatais em 2019 e contabilizaram estragos avaliados em bilhões de dólares.

    A escalada global da ameaça representada pela água inacessível e não potável também é surpreendente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que pelo menos 2 bilhões de pessoas só têm acesso a fontes de água potável contaminadas com fezes. Essas questões não se limitam aos mercados emergentes. Atualmente, mais de um quarto dos norte-americanos bebe água de sistemas que não cumprem os padrões de segurança. “A tendência é que, com este cenário, tenhamos cada vez mais soluções em toda a cadeia – do tratamento da água à melhoria dos processos fabris para diminuir o consumo”, diz o especialista. “As regiões com problemas são terrenos férteis para a criação de soluções. “Na Califórnia, por exemplo, que sofreu com a falta de chuvas em 2019, várias soluções foram implementadas para diminuir o consumo. Outras regiões estão obtendo sucesso em inovações relacionadas ao tratamento da água.”

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  • 3) Cidades vão evoluir mais rapidamente para atender aos desafios do clima e da infraestrutura

    A falta de moradias acessíveis, a insegurança alimentar, os sistemas de transporte ruins e a poluição estão entre os desafios que assolam várias cidades, e todos eles estão relacionados a duas questões: desigualdade e mudança climática. A tendência é que, em 2020, muitas cidades acelerem suas tentativas de gerenciar esses desafios de clima e infraestrutura.

    Algumas delas, no entanto, terão mais sucesso do que outras. Os governos e o setor privado desenvolverão mais unidades de habitação social e reaproveitarão as propriedades vagas. Algumas cidades seguirão o exemplo de Los Angeles, permitindo que os motéis sejam reaproveitados pelos sem-teto. Hong Kong vai criar ilhas artificiais no Mar da China Meridional, a primeira delas com 260 mil apartamentos. Um aumento na agricultura vertical urbana – um mercado avaliado em US$ 2,2 bilhões em 2018 – vai aumentar a segurança alimentar e fazer as cidades mais sustentáveis. Além disso, os investimentos em soluções inovadoras de transporte vão continuar, como os serviços de aluguel de bicicletas e a implantação de veículos elétricos. “Alguns países da Europa já estão discutindo a proibição de veículos a combustão”, diz Volker.

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  • 4) Surgimento de uma nova economia para recuperação de desastres à medida que as catástrofes se tornarão mais frequentes e severas

    Em 2019, os furacões devastaram o Caribe e partes dos Estados Unidos. Uma onda de calor invadiu a Europa. Tufões atingem as costas do leste da Ásia e ciclones devastam partes da África. Dez eventos climáticos com perdas superiores a US$ 1 bilhão ocorreram nos EUA durante os primeiros nove meses do ano.

    Embora a ajuda pós-desastres continue a ser fornecida principalmente por organizações internacionais e sem fins lucrativos, o argumento comercial para o investimento do setor privado está crescendo. Startups estão começando a surgir como fontes de ajuda. Algumas empresas estão trabalhando para desenvolver infraestrutura em áreas propensas a inundações, incluindo casas portáteis fáceis de montar que servem como moradia temporária. Outras estão criando plataformas de tecnologia que ajudam as autoridades a localizar pessoas necessitadas. Além disso, algumas empresas estão usando inteligência artificial (IA) e ferramentas de aprendizado de máquina para prever onde um desastre terá maior impacto e avaliar os danos à propriedade. “A tendência é o surgimento de negócios especializados para lidar com os mais diversos aspectos desses desastres.” A expectativa é que o setor global de gerenciamento de incidentes e emergências passe dos US$ 114 bilhões em 2020.

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  • 5) Mercado de consumo islâmico vai ultrapassar US$ 2,5 trilhões globalmente

    Os muçulmanos já são quase 25% da população mundial e formam uma parte significativa do mercado consumidor global. Eles gastaram cerca de US$ 2,1 trilhões em 2017. Isso significa que existe uma oportunidade comercial substancial no mercado halal, que consiste em produtos manipulados e produzidos de acordo com a lei islâmica e alinhados à cultura e crenças muçulmanas.

    Existem seis setores principais desse mercado: alimentos, viagens, moda, mídia e entretenimento, produtos farmacêuticos e cosméticos. Os alimentos são, de longe, o maior segmento, respondendo por quase 62% do mercado halal global total. A moda está crescendo rápido. E o setor de turismo prospera enquanto hotéis e operadores turísticos correm para atender às necessidades alimentares e religiosas do viajante muçulmano. Em 2020, o mercado global de consumidores halal ultrapassará US$ 2,5 trilhões pela primeira vez e continuará a crescer para US$ 3 trilhões até 2023.

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  • 6) Os Estados Unidos encontrarão desafios na corrida do 5G

    Há uma corrida entre os países pelo pioneirismo no desenvolvimento e implantação do 5G. Pequim fez disso uma prioridade, anunciando o lançamento de redes comerciais 5G em outubro de 2019. Huawei e ZTE lançaram telefones e aparelhos compatíveis no mercado chinês. Coreia do Sul, Japão, Singapura e a União Europeia também estão correndo em direção à implantação da tecnologia. Nos Estados Unidos, o setor privado está liderando a expansão do 5G nas redes de banda larga, e as operadoras norte-americanas começaram a vender telefones compatíveis.

    No entanto, não há fabricante de equipamentos de telecomunicações nos EUA que possa competir com a Huawei, da China. “As restrições impostas pelos norte-americanos à companhia chinesa vai acabar atrasando a disseminação da tecnologia no próprio país”, diz Volker. Além disso, grande parte do espectro de frequências nos EUA é reservada para agências de defesa, deixando pouco disponível para transmissores comerciais. Como resultado, as empresas norte-americanas devem brigar por pequenas partes do espectro das telecomunicações para redes 5G.

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  • 7) Regras de privacidade de dados serão proliferadas, baseadas nos padrões das regulações estabelecidas pela União Europeia

    A privacidade de dados continua sendo uma das principais preocupações em todo o mundo. A União Europeia liderou o processo por meio do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), que entrou em vigor em maio de 2018. Muitos governos seguiram o exemplo. A Nigéria introduziu novos regulamentos. Os Emirados Árabes Unidos estão considerando um projeto de lei de proteção de dados. A Índia continua a debater projetos de legislação.

    As leis de privacidade de dados continuarão a proliferar em 2020. Novas leis de proteção de dados já estão definidas para entrar em vigor no Brasil, Tailândia e no estado norte-americano da Califórnia. O Equador também aprovará uma proposta, enquanto a Índia e o Quênia continuarão a debater projetos de legislação. Os estados de Nova York, Washington e Maryland reintroduzirão propostas e aprovarão regras baseadas no GDPR e na lei da Califórnia. O Congresso dos EUA também considerará a introdução de legislação federal. Com a eleição presidencial em pleno andamento, no entanto, a privacidade dos dados passará para segundo plano. Isso permitirá que a União Europeia solidifique sua posição como líder mundial em regulamentação de privacidade de dados. As empresas enfrentarão maior pressão em todo o mundo para garantir a conformidade com os regulamentos europeus. “Em muitos casos, os modelos de negócios terão que ser repensados.”

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  • 8) O Nordeste da Ásia se tornará um hotspot geopolítico ainda mais forte

    As tensões entre os países do nordeste asiático estão aumentando. O comércio está desmoronando entre o Japão e a Coreia do Sul. China e Rússia revelaram armas hipersônicas, extremamente difíceis de detectar e rastrear. E a Coreia do Norte revelou um novo míssil balístico. A hostilidade entre o país e os Estados Unidos também está aumentando como resultado da rejeição coreana de continuar negociando depois do colapso dos acordos bilaterais de desnuclearização em Estocolmo. Além disso, as tensões estão aumentando entre Pequim e Taipei, enquanto protestos pró-democracia em Hong Kong prejudicam a economia e ameaçam a estabilidade política por lá.

    Essas apreensões geopolíticas no nordeste da Ásia continuarão a se intensificar em 2020. A relação Japão-Coreia do Sul se deteriorará ainda mais, à medida que as relações de turismo, comércio e segurança entre os dois países continuarem se desvanecendo. A disputa pesará sobre volumes de exportação e crescimento econômico nos dois países. Também terá implicações mais amplas no setor de tecnologia global, incluindo redução na produção de semicondutores e aumento nos preços de chips de memória que serão repassados ​​aos consumidores de smartphones. A Coreia do Norte realizará mais testes de mísseis ao longo do ano, aumentando o nível de insegurança da Coreia do Sul e Japão. Além disso, o envio de armas hipersônicas na região fará com que muitos países se sintam menos seguros, aumentando o risco de uma corrida armamentista e eventuais conflitos. Após a aprovação provisória de Washington da venda de US$ 2 bilhões em equipamento militar para Taipei, as tensões da ilha com Pequim aumentarão. E Pequim e Hong Kong terão de lidar com as ramificações de longo prazo dos protestos de 2019 – um processo que provavelmente será politicamente complicado.

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  • 9) Valorização da moeda norte-americana

    O dólar continua forte para desgosto de Donald Trump, que preferia uma moeda menos valorizada para aumentar as exportações e melhorar a balança comercial do país. O Fed fez pequenos cortes nas taxas de juros este ano para evitar uma possível recessão, medida que normalmente enfraqueceriam o dólar em relação a outras moedas. No entanto, ele continuou a se valorizar, impulsionado pela política monetária frouxa em vários outros grandes mercados e alguns eventos importantes na economia global.

    O dólar dos EUA permanecerá forte. Dada o enfraquecimento da economia global, as taxas de juros dos EUA podem ser reduzidas mais uma vez, mas serão compensadas pelos bancos centrais da Ásia e Europa. O responsável pelo Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, e o Banco Central Europeu já anunciaram que vão manter taxas de juros extremamente baixas pelo menos até meados de 2020. O dólar continuará a ser encarado como uma moeda de refúgio. Isso vai melhorar a competitividade das exportações da China e de outros mercados emergentes. O resultado será uma retórica maior sobre guerras cambiais – e, possivelmente, nervosismo associado nos mercados financeiros -, mas o governo dos EUA não cruzará a linha de enfraquecer artificialmente o dólar para impulsionar as exportações.

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  • 10) Interesses comerciais e nacionais chegarão à corrida espacial

    Cada vez mais entidades estão se aventurando no espaço. Índia e Israel lançaram missões terrestres na Lua este ano, e o Irã retomou seu programa de lançamento. China e Rússia estão colaborando em uma missão conjunta de exploração lunar, e a Rússia está ajudando a China a desenvolver satélites para melhorar a detecção de mísseis balísticos intercontinentais – exatamente como os Estados Unidos estão fazendo.

    A corrida espacial no setor privado também está se expandindo. Muitas empresas – incluindo Amazon, SpaceX, China Aerospace Science and Industry Corporation (CASIC) e OneWeb – planejam lançar muitos satélites LEO.

    Gerenciar o tráfego espacial e evitar colisões está se tornando um desafio mais urgente: um satélite da Agência Espacial Europeia quase colidiu com um satélite SpaceX este ano. E embora muitos governos tenham planos para lidar com detritos espaciais, ainda resta muito trabalho.

    O espaço ficará ainda mais cheio em 2020, à medida que empresas e governos expandirem suas atividades. A SpaceX expandirá seu projeto Starlink para fazer progressos significativos no fornecimento de serviços de internet, provocando uma forte concorrência de empresas com ambições semelhantes. E várias empresas se preparam para lançamentos comerciais. Embora seja improvável que ocorra uma colisão importante em 2020, essas atividades levarão os governos a começar a discutir os desafios regulatórios que surgem da exploração espacial do setor privado. Após o estabelecimento de 2019 do Comando Espacial dos EUA e do plano anunciado pela França de armar satélites, mais países estabelecerão ou expandirão as forças militares no espaço em 2020.

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1) Acirramento das guerras entre gerações à medida em que as linhas de batalha se definem

O furacão Greta Thunberg e os recentes protestos em massa do Líbano ao Chile refletem o crescimento da insatisfação gerada pela manutenção das gerações mais velhas em posições de autoridade, enquanto os mais novos ganham voz quando se fala em desigualdade econômica, mudança climática e outras questões sociais.

“O mundo vem passando por um momento de inflexão desde a crise de 2009. Embora boa parte dos países já tenha se recuperado, a desigualdade continua enorme, e não apenas do ponto de vista econômico. As mudanças climáticas, por exemplo, aumentam o custo de vida”, diz Volker. As novas gerações estão questionando mais fortemente e cobrando posições dos governos – e, ao que tudo indica, em 2020 não será diferente.

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