Facebook vai remover “deepfakes”, mas brechas para desinformação permanecem

Reprodução Forbes
Mark Zuckerberg, inicialmente classificou a ideia de que as notícias falsas popularizadas em sua rede social influenciaram a eleição como “descabida”

O Facebook anunciou ontem (6) que removerá vídeos manipulados com auxílio de inteligência artificial, conhecidos como “deepfakes”, como forma de se desculpar a quem foi vítima de falas não verdadeiras nos conteúdos postados. A medida é um pequeno passo para lidar com notícias falsas antes das eleições de 2020 nos EUA, mas a rede social continua sob pressão para reprimir campanhas menos sofisticadas de desinformação.

A plataforma de mídia social anunciou em um post que removeria conteúdos que se enquadram em dois critérios: fotos e vídeos que foram manipulados com uso de inteligência artificial e expostos como autênticos e materiais alterados de maneiras que “não são perceptíveis para uma pessoa comum” e que levariam a enganos.

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O Facebook acrescentou que continuará a remover fotos, vídeos ou áudios que violem as diretrizes da comunidade relacionados a repressão de eleitores, discursos de ódio, nudez e violência gráfica, enquanto conta com verificadores de fatos independentes para revisar e sinalizar como “falso” qualquer conteúdo que não atenda aos critérios pré-estabelecidos de remoção.

No entanto, o Facebook alega que a regra não se estende a “paródia ou sátira, ou vídeos editados apenas para cortar ou alterar a ordem das falas”.

De certa forma a nova política promove métodos sofisticados de remoção de conteúdos que podem enganar usuários, mas ainda deixa a porta aberta para vídeos modificados permanecerem na plataforma. O Facebook disse à Reuters que uma gravação da palestrante Nancy Pelosi, manipulado para reprimir seu discurso e fazê-la parecer incoerente, não se qualificaria para a categoria dos vídeos a serem removidos.

O anúncio ocorre poucos dias depois que um vídeo manipulado de um discurso de campanha de Joe Biden viralizou e fez parecer que o ex-vice-presidente soltou um comentário racista.

Contexto-chave: o Facebook ainda está tentando lidar com as consequências das eleições presidenciais de 2016 após a divulgação de campanhas de conteúdo duvidoso patrocinadas pela Rússia, a coleta de dados da Cambridge Analytica e controvérsias sobre publicidade política direcionada. O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, inicialmente classificou a ideia de que as notícias falsas popularizadas em sua rede social influenciaram a eleição como “descabida”, mas desde então a plataforma deu alguns pequenos passos para resolver o problema. O Facebook continua a sofrer pressão de legisladores, jornalistas e ativistas por deixar brechas em suas regras que podem ser exploradas por pessoas que procuram influenciar os eleitores com informações enganosas ou falsas.

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Fato em foco: Mark Zuckerberg parece isolado em sua posição de que o Facebook não verificará nem proibirá anúncios políticos após movimentos do Google, Twitter e Snapchat. A plataforma pode não mudar sobre essa questão, mas pode adotar medidas para limitar a “segmentação múltipla” política, uma tática em que campanhas, candidatos e marcas têm como alvo pequenos grupos de usuários com anúncios personalizados.

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