Guia do empreendedor: saiba o que é um MVP

O produto mínimo viável é uma maneira de testar a recepção dos clientes a um novo produto ou serviço.

Brianne Garrett
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GettyImages/Westend61
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As ideias podem parece perfeitas na mente do empreendedor, mas é importante testar a recepção do público com um MVP

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Embora a sigla MVP tenha sido usada nos últimos anos apenas no contexto esportivo – do termo em inglês que designa “jogador mais valioso” -, ela ganhou vida nova como parte do léxico de empreendedores que conseguem fazer uma empresa obter sucesso. Mas o que exatamente é um Minimally Viable Product – ou produto mínimo viável, em português?

MVP é uma versão muito embrionária de um produto ou conceito que fornece, aos empreendedores iniciantes, um feedback crucial usado para desenvolver e melhorar sua ideia. O empresário, autor e professor adjunto da Stanford University no departamento de ciência e engenharia de gerenciamento Steve Blank foi um dos primeiros a fazer uso do termo. Eric Ries, autor do livro “A Startup Enxuta”, também foi um dos pioneiros na adoção do vocábulo.

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Tanto ele quanto Blank concordam que uma empresa deve encarar o MVP como um experimento, que avalia como os clientes receberão determinada ideia. “Ele permite que você saiba se está progredindo e ajuda a decidir se precisa mudar alguma coisa”, diz.

E ele pode assumir várias formas, segundo o especialista: “De um produto ou serviço ao desenvolvimento da política da sua empresa de voluntariado, passando pela criação de uma nova agência do governo federal”.

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Steve Blank lembra de uma situação em que um grupo de alunos de Stanford estava construindo um drone destinado a sobrevoar os campos agrícolas para medir o uso de água e fertilizantes. Os estudantes, que mais tarde desenvolveram o produto além da sala de aula, ficaram surpresos ao descobrir que a sugestão de Blank para um MVP era simples como uma planilha, que relacione os agricultores, seu mercado-alvo e os dados gerados pela pesquisa com drones. Eles poderiam usar essa planilha, explicou Blank, para avaliar se o produto seria ou não de interesse dos clientes em potencial. “Se você está pensando em construir um produto, pode cair na armadilha de pensar que um MVP é um protótipo dele”, diz.

Na realidade, um MVP pode ser um produto físico – a experiência do Google com seu primeiro protótipo do Google Glass é um exemplo disso. Mas não precisa ser algo que você possa segurar na mão ou ver à sua frente, e, em muitos casos, não deveria, garante o especialista.

Eric Ries conta uma história em seu livro de uma líder de envolvimento da comunidade global da Hewlett-Packard que estava liderando um projeto destinado a envolver mais funcionários no programa de voluntariado da empresa. Nesse caso, os próprios funcionários da HP eram os clientes. O MVP bem-sucedido desses funcionários é um processo – e não um produto. A responsável pela iniciativa testava sua visão por meio de reuniões com grupos de participantes e a organização de um evento voluntário. “Dessa forma, ela mediu o que os participantes realmente fizeram durante a experiência”, explica eles. “E descobriu, por exemplo, quantos se voluntariaram pela segunda vez e quantos estavam dispostos a recrutar um colega para se voluntariar.” Esse MVP influencia o desenvolvimento da estratégia do funcionário e contribui para a sua evolução.

Mas o professor Barry Nalebuff, da Yale School of Management, acredita que o melhor uso do conceito ainda é para a introdução de um produto físico. “Na minha opinião, o melhor tipo de pesquisa de mercado é quando os clientes tomam decisões com base em algo físico, que tem gosto, que é possível de manusear e que parece um produto real, e não propostas hipotéticas”, diz. “É também uma maneira muito mais barata e de baixo risco de introduzir um produto no mercado.”

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Ries enfatiza que as empresas devem estar preparadas para enfrentar os desafios da implementação de qualquer MVP – e um dos principais é calcular errado o interesse do cliente. “As empresas se concentram em produzir resultados que o cliente considera valiosos, mas isso pressupõe que elas já sabem quais atributos de um produto o consumidor perceberá como valiosos. Essas podem ser suposições arriscadas. Às vezes nem temos certeza de quem é o cliente.”

A transparência da empresa sobre o fato de o produto ser um MVP e não um item acabado é essencial para garantir a satisfação do cliente, enfatiza Nalebuff. “Desde que os clientes saibam o que estão recebendo”, diz ele, “um MVP permite que eles obtenham acesso antecipado e ajudem a moldar os produtos ao seu gosto”.

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