5 empresários brasileiros dizem o que esperam do governo para que a economia não pare

Empresários sugerem desoneração da folha de pagamento, liquidez do sistema financeiro e confinamento vertical

Como a economia brasileira vai reagir com os desafios impostos pela atual pandemia causada pelo novo coronavírus é o que todo mundo está se perguntando neste momento.

No final da semana passada, o governo brasileiro divulgou a projeção revisada para o crescimento do PIB deste ano: 0,02%. O número é infinitamente menor do que os 2,1% anunciados há pouco mais de 10 dias, o que dá uma ideia da velocidade da deterioração econômica causada pela Covid-19.

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A situação não é diferente nos demais países do mundo. Todos eles estão revendo suas projeções de crescimento e atuando para tentar minimizar os estragos. Os Estados Unidos, por exemplo, anunciaram um pacote de medidas no valor de US$ 2 trilhões em pleno ano eleitoral.

As ações podem ser as mais variadas – da prorrogação de pagamento dos impostos à redução das taxas de juros, passando pela ampliação das linhas de crédito e flexibilização da legislação trabalhista. FORBES conversou com cinco empresários brasileiros para saber quais seriam, de acordo com seus pontos de vista, as medidas mais adequadas para atravessar a turbulência.

Veja, a seguir, o que eles disseram:

  • Adalbero Cavalcanti, CEO da RB Investimentos

    – “Eu acho que devemos nos preocupar com o conforto da população de um modo geral, não apenas do ponto de vista da saúde. E, a cada dia que passa, a preocupação com a perda de postos de trabalho é maior. Não podemos fazer com que uma possível recessão gere mais impacto social do que próprio vírus. É preciso pensar nas pessoas de uma maneira mais ampla e olhar para setores que têm sido muito impactados, como o de turismo, por exemplo”;

    – “Outro ponto fundamental é dar liquidez ao mercado, e acho que isso tem sido feito pelo Banco Central, BNDES e Ministério da Economia. Esse tipo de iniciativa tem que ter continuidade. Juros menores, prorrogação dos prazos para pagamento de impostos, renegociação de dívidas, entre outras ações, ajudam a manter o sistema financeiro saudável e oferece algum horizonte para as empresas em relação ao fluxo de caixa e previsibilidade. O governo precisa estar ao lado do empresariado – qualquer que seja seu segmento ou tamanho – neste momento”;

    – “Para o médio e longo prazos, existem questões que precisam ser levadas adiante e das quais só lembramos em momentos de crise como o que estamos vivendo agora. O marco regulatório do saneamento, por exemplo, que está para ser votado, é um deles. É um paradoxo pedir para as pessoas lavarem as mãos com frequência quando grande parte da população vive em comunidades, em centros urbanos complicados. A questão da educação também deve ser endereçada. Só assim poderemos avaliar as informações que recebemos e adotar atitudes positivas e eficientes em situações de crise.”

  • Flávio Rocha, Presidente do Conselho de Administração no Grupo Guararapes que possui, entre outras empresas, a rede de lojas Riachuelo

    – “Mais do que ficar injetando recursos de todos os lados, é hora de desligar o aspirador de dinheiro. Uma medida urgente seria rever a tributação, de todas as esferas, sobre a folha de pagamento. Deixar a riqueza onde ela está sendo gerada”;

    – “Acredito que está na hora de pensar no confinamento vertical. Com o aumento da quantidade de testes anunciado pelo governo, dá para liberar as pessoas que não correm risco de transmitir o novo coronavírus e que já têm anticorpos. Dessa forma, olhamos o todo e não os riscos isoladamente. Temos que levar em consideração que o desemprego, da maneira como está sendo previsto que será, na casa dos 30 milhões, também fará vítimas, uma vez que vai gerar fome e violência. E isso poderá matar mais do que qualquer pandemia.”

    – “Se existe um momento certo para a criação de um imposto sobre movimentação financeira este momento é agora. Defendo uma alíquota baixíssima, de 0,05%, sobre todo o sistema. É um microimposto, mas que poderia gerar uma arrecadação 30 vezes maior do que a antiga CPMF. É como uma dose homeopática: não faz grande diferença para a população, mas representa muito no volume e poderia ajudar o país. Estamos falando de R$ 1 trilhão de receita extra por ano.”

  • Rubens Menin, CEO da MRV Engenharia

    – “A primeira grande preocupação é com os pequenos negócios e profissionais liberais. Normalmente este público tem poucas reservas e vai sofrer muito. Precisamos apoiar firmemente essa população”;

    – “Não podemos quebrar a cadeia de distribuição, pois esta é o nosso pulmão e será fundamental para o reerguimento da nossa economia”;

    – “O mercado de capitais, que estava crescendo bastante, praticamente voltou à estaca zero. Precisamos agilizar mecanismos de liquidez que permitam irrigar o mercado novamente.”

  • Sebastião Bonfim, CEO do Grupo SBF que possui, entre outras empresas, a Centauro

    – “Em primeiro lugar, os governos estaduais não podem tomar medidas drásticas e terceirizar as consequências para o governo federal. Isso precisa ficar claro: a responsabilidade sobre a economia precisa ser compartilhada. Todos eles têm a obrigação de socorrer, principalmente, os pequenos e micro empresários”;

    – “Os profissionais autônomos precisam de atenção especial. É urgente criar uma maneira de ajudá-los. Talvez a capilaridade das empresas de pagamentos, aquelas que têm as maquininhas, seja um caminho para chegar até eles”;

    – “Linhas de crédito simplificadas são bem-vindas, mas não adianta pressionar os bancos se os governos não avalizarem esses empréstimos.”

  • Sylvia Brasil Coutinho, presidente do grupo UBS no Brasil e responsável pela área de Wealth Management na América Latina

    – “Devemos apoiar a ideia de um orçamento paralelo de emergência, robusto e relevante para lidar com essa crise, mas uma vez que as coisas voltem ao “normal” (ou o novo normal pós-crise), que ele possa ser revertido para não criar impactos fiscais negativos de longo prazo”;

    – “Temos que cuidar para que os impactos econômicos desta parada súbita não matem mais pessoas do que o vírus. As pequenas e médias empresas, maiores geradoras de empregos, devem ser ajudadas neste momento a atravessar esse difícil período. Temos que tentar preservar os empregos ao máximo e cuidar daqueles que são mais vulneráveis, tanto vis a vis a pandemia como vis a vis os impactos econômicos, especialmente os trabalhadores informais. A maioria da população não tem poupança para sobreviver sequer um mês sem trabalho, o que dirá dois ou três…”;

    – “E, passando a fase mais aguda da crise, se não houver uma retomada da agenda de reformas, veremos uma ‘cristalização’ das atuais altas taxas na parte longa da curva de juros, aumentado o custo do financiamento da dívida e, eventualmente, forçando uma alta na taxa Selic.”

Adalbero Cavalcanti, CEO da RB Investimentos

– “Eu acho que devemos nos preocupar com o conforto da população de um modo geral, não apenas do ponto de vista da saúde. E, a cada dia que passa, a preocupação com a perda de postos de trabalho é maior. Não podemos fazer com que uma possível recessão gere mais impacto social do que próprio vírus. É preciso pensar nas pessoas de uma maneira mais ampla e olhar para setores que têm sido muito impactados, como o de turismo, por exemplo”;

– “Outro ponto fundamental é dar liquidez ao mercado, e acho que isso tem sido feito pelo Banco Central, BNDES e Ministério da Economia. Esse tipo de iniciativa tem que ter continuidade. Juros menores, prorrogação dos prazos para pagamento de impostos, renegociação de dívidas, entre outras ações, ajudam a manter o sistema financeiro saudável e oferece algum horizonte para as empresas em relação ao fluxo de caixa e previsibilidade. O governo precisa estar ao lado do empresariado – qualquer que seja seu segmento ou tamanho – neste momento”;

– “Para o médio e longo prazos, existem questões que precisam ser levadas adiante e das quais só lembramos em momentos de crise como o que estamos vivendo agora. O marco regulatório do saneamento, por exemplo, que está para ser votado, é um deles. É um paradoxo pedir para as pessoas lavarem as mãos com frequência quando grande parte da população vive em comunidades, em centros urbanos complicados. A questão da educação também deve ser endereçada. Só assim poderemos avaliar as informações que recebemos e adotar atitudes positivas e eficientes em situações de crise.”

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