Google publica dados de localização em 130 países para monitorar isolamento social

Reprodução/Forbes
O Google publicou dados de 130 países, que estarão disponíveis enquanto as autoridades de saúde precisarem

O Google tem publicado dados de localização anonimizados dos usuários durante a pandemia do novo coronavírus para medir a situação atual de locais geralmente movimentados, como lojas, estações de trem, escritórios, parques e praias, em uma tentativa de mostrar a eficiência da medida de distanciamento social e ajudar as autoridades de saúde pública a combater o vírus.

A companhia publicou essas informações para pelo menos 130 países, alguns em nível regional, usando dados de bilhões de telefones de usuários que têm o “Histórico de localização” ativado em suas contas do Google.

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A gigante da tecnologia diz que preservará a privacidade dos usuários, e os dados se referirão a atividades que ocorreram de 48 a 72 horas antes para mostrar como estão esses locais que concentram aglomerações com frequência.

“Nenhuma informação de identificação pessoal, como localização, contatos ou movimento de alguém, será disponibilizada a qualquer momento”, afirmou. Os relatórios estarão disponíveis pelo tempo que as autoridades de saúde precisarem.

A empresa de propriedade da Alphabet diz que possui dados anonimizados, e os usuários também podem inibir o serviço ao desativar o “Histórico de Localização” em sua conta do Google.

O conjunto de dados é o maior já disponibilizado para o público. O vice-presidente de valores e transparência da Comissão da UE, Věra Jourová, tuitou: “Esta é provavelmente a primeira crise global em que todo o poder da #tecnologia, mídia social e #IA pode ser implantado. A privacidade das pessoas e outras liberdades não devem ser prejudicadas pela tecnologia nesse processo na qual será usada para enfrentar a crise atual”.

Ao publicar os dados, o Google disse: “Conforme as comunidades globais respondem à Covid-19, ouvimos de autoridades de saúde pública que o mesmo tipo de informações agregadas e anônimas que usamos em produtos como o Google Maps pode ser útil na tomada de decisões críticas para combater o coronavírus. Esses relatórios de mobilidade comunitária visam fornecer informações sobre o que mudou em resposta às políticas destinadas a combater a Covid-19”.

O primeiro lote de dados publicado pelo Google contempla 29 de março e o compara com o valor mediano dos dias correspondentes entre 3 de janeiro e 6 de fevereiro de 2020. Isso mostra que nos Estados Unidos:

  • As visitas a estabelecimentos de varejo e lazer caíram 47%
  • O movimento em torno de centros de transporte caiu 51%
  • O fluxo de pessoas nas áreas residenciais aumentou 12%

No Reino Unido, durante o mesmo período:

  • O movimento em estabelecimentos de varejo e lazer caiu 85%
  • Visitas em pontos de transporte caíram 75%
  • O fluxo de pessoas em áreas residenciais aumentou 15%

O governo do Reino Unido ordenou o fechamento de negócios não essenciais em 23 de março, que entraram em vigor no dia seguinte, enquanto nos Estados Unidos houve uma resposta por estado à emissão de pedidos de estadia em casa. Os dados da Itália, que foi o primeiro país a aplicar um bloqueio nacional em 9 de março, mostram que as visitas a estabelecimentos de lazer e varejo caíram 94% no mesmo período.

A pandemia de coronavírus levou os desenvolvedores de aplicativos em todo o mundo a criar novas maneiras de acompanhar sua progressão, à medida que os governos também tentam capitalizar esses dados para rastrear o movimento dos usuários. As autoridades governamentais dos Estados Unidos estão monitorando informações de localização de telefones celulares a partir de dados do setor de publicidade e trabalhando com o Código de Defesa do Consumidor para coletar conteúdo em centenas de cidades a fim de analisar como os pedidos de permanência em casa estão funcionando, de acordo com o “Wall Street Journal”. As transportadoras na Europa compartilharam informações com autoridades de alguns dos países mais atingidos por razões semelhantes, incluindo Alemanha e Itália, China, Coreia do Sul e Taiwan, informou a Reuters.

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