Indústria de frango no Brasil vê corte na produção por efeito do coronavírus

ReutersRodolfoBuhrer
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Produtores de aves já estão fazendo movimentos para reduzir ainda mais a produção futura

A produção brasileira de frango caiu no primeiro trimestre, segundo representantes da indústria, enquanto uma fonte do setor disse ontem (20) à Reuters que alguns produtores de aves já estão fazendo movimentos para reduzir ainda mais a produção futura.

Dados preliminares da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam “uma tênue redução da produção decorrente da atual conjuntura”, referindo-se à crise de saúde pública causada pelo novo coronavírus.

A ABPA informou ainda que não tem consolidado seus dados sobre o alojamento da avicultura brasileira referente ao primeiro trimestre, o que a impede de fornecer dados mais detalhados.

“Ao mesmo tempo, as exportações seguem em níveis positivos, conforme dados preliminares do Ministério da Economia”, disse a ABPA em nota.

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Os preços do frango congelado acumulam queda de 15,67% no mês no Estado de São Paulo, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Uma fonte do setor disse à Reuters nesta segunda-feira que alguns criadores de frango no Brasil estão reduzindo sua produção ao alojar menos aves durante a crise do coronavírus, em um movimento “especulativo”.

Além disso, os criadores de frango estão abatendo matrizes entre 55 e 58 semanas, mais cedo do que o habitual, para que produzam menos ovos, disse a fonte. Isso pode afetar os níveis de produção de carne em sete a dez semanas, acrescentou.

Uma matriz de frango normalmente vive cerca de 66 semanas, de acordo com a ABPA.

Em 60 dias, pode haver uma redução de 3% a 5% na produção avícola brasileira, disse a fonte, observando que isso seria temporário. A ABPA não deu mais detalhes sobre a queda de produção.

“Não é impossível, com tudo que está acontecendo, que em determinado momento você possa ter uma redução no nível de produção para salvaguardar a segurança e a saúde das pessoas”, disse à Reuters Lorival Luz, CEO da BRF, maior processadora de frango do Brasil.

As chamadas de ajuste de produção precisam ser feitas com base nos dados coletados diariamente e há muita incerteza, disse ele. Luz se recusou a comentar o tamanho de qualquer potencial corte na produção. (Com Reuters)

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