Trump tem “pequena ligação” com farmacêutica francesa que produz hidroxicloroquina

Chip Somodevilla_Getty Images
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O presidente dos EUA afirmou que o medicamento havia sido aprovado como tratamento para a Covid-19 e foi desmentido pela mídia logo em seguida

O presidente norte-americano, Donald Trump, que tem sido um entusiasta cada vez maior do uso da hidroxicloroquina como tratamento para o novo coronavírus, tem um “pequeno interesse financeiro pessoal” na Sanofi, a farmacêutica francesa que produz um remédio a partir da droga. O interesse, no entanto, pode ser considerado um pequeno investimento para o presidente bilionário.

A Sanofi produz o Plaquenil, de acordo com o “New York Times”. O medicamento é normalmente usado para tratar artrite reumatoide, lúpus e malária.

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Três fundos da família de Trump têm investimentos em um fundo mútuo da Dodge & Cox, sendo a Sanofi a maior holding, segundo a publicação. A Forbes estima que o valor dos títulos de Trump na Sanofi seja inferior a US$ 3.000.

O bilionário Ken Fisher, um dos principais doadores do partido republicano (inclusive de Trump) é um dos maiores acionistas da Sanofi, enquanto o Secretário de Comércio Wilbur Ross administrava um fundo que investia na Sanofi, informou o “Times”.

Nas últimas semanas, Trump promoveu a droga à medida que o coronavírus se espalhou pelos Estados Unidos, mas a eficácia da hidroxicloroquina contra a Covid-19 não foi conclusivamente comprovada em estudos científicos.

A droga, informou o “Washington Post” ontem (6), tem sérios efeitos colaterais, incluindo um possível risco de arritmia. A Covid-19 causa infecção cardíaca em alguns dos pacientes mais graves.

Um porta-voz da Sanofi disse ao “Times” que a empresa não vende ou distribui o Plaquenil nos EUA, mas ainda comercializa a droga internacionalmente.

“O que realmente temos a perder?” Trump perguntou durante uma coletiva de imprensa no domingo (5), acrescentando que, como as pessoas estão morrendo de Covid-19, “não temos tempo para dizer: ‘meu Deus, vamos testar por alguns anos'”.

Trump disse no domingo que o FDA, administração de alimentos e medicamentos, aprovou a hidroxicloroquina. Mas a entidade apenas deu aval para testes da hidroxicloroquina e da cloroquina como tratamentos contra o coronavírus em 19 de março. Desde então, o governo federal passou a armazenar milhões de comprimidos.

A organização francesa que publicou um estudo positivo sobre a hidroxicloroquina, citada pelos aliados de Trump, recuou das descobertas na última sexta-feira, dizendo que a pesquisa não atende ao “padrão esperado”.

Quando Anthony Fauci, o principal especialista em doenças infecciosas do governo, foi questionado diretamente sobre a eficácia do medicamento no domingo, Trump interrompeu o repórter dizendo que já haviam feito perguntas suficientes sobre a hidroxicloroquina.

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