Roberto Azevêdo anuncia que deixará comando da OMC um ano antes do previsto

Denis Balibouse/Reuters
Azevêdo solicitou aos governos que se abstenham de estabelecer restrições à exportação de alimentos e suprimentos médicos

O brasileiro Roberto Azevêdo, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), afirmou hoje (14) que deixará o cargo um ano antes do planejado, em agosto, em um movimento inesperado num momento em que o órgão comercial esforça-se para conter as tensões globais e coordenar as respostas à pandemia de Covid-19.

Azevêdo, de 62 anos, chefia o organismo comercial com sede em Genebra desde 2013 e está cumprindo um segundo mandato que deveria ser concluído no final de agosto de 2021.

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Azevêdo disse que tomou uma “decisão pessoal” depois de conversar com sua família e que sua escolha não ocorreu por motivos de saúde ou por ambições políticas específicas.

Segundo o texto de um discurso endereçado aos membros da OMC, Azevêdo disse achar que isso é também do melhor dos interesses da Organização.

“Quando os membros começarem a moldar a agenda da OMC para as novas realidades pós-Covid, devem fazê-lo com um novo diretor-geral”, afirmou em uma reunião virtual com membros nacionais nesta quinta-feira à tarde.

A saída dele acontece em um momento importante para o órgão de 25 anos, que tem visto seu papel na resolução de disputas ser afetado depois que seu Conselho de Apelação foi paralisado em dezembro por uma decisão dos Estados Unidos de bloquear a indicação de juízes.

Desde a crise do Covid-19, Azevêdo solicitou aos governos que se abstenham de estabelecer restrições à exportação de alimentos e suprimentos médicos.

O clube da OMC, composto por 164 membros, projetado para estabelecer regras comerciais globais, também não produziu nenhum grande acordo importante desde que abandonou a “Rodada Doha” de negociações, em 2015.

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Alguns membros, destacadamente os EUA, Japão e União Europeia, pressionam por reformas mais fundamentais na OMC. Eles dizem que as regras comerciais globais precisam refletir novas realidades — como uma China mais forte — e lidar com problemas como subsídios estatais e transferências forçadas de tecnologia.

Tais questões poderiam ter sido discutidas na reunião bienal da OMC que aconteceria em junho no Cazaquistão. Ela foi adiada para meados ou final de 2021. Azevêdo disse que sua saída permitirá ao sucessor que esteja no cargo antes disso.

Ele afirmou que OMC não pode ficar parada enquanto o mundo ao redor mudou, nem ignorar o “novo normal” que surgiu com a pandemia de Covid-19.

O representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, disse que será difícil de substituir Azevêdo, e que Washington está ansiosa para participar do processo de seleção de um sucessor.

O comissário de comércio da UE, Phil Hogan, disse que é um bom momento para encontrar um novo chefe para o órgão, mas isso precisa ser feito este ano, não no próximo, já que a OMC enfrenta grandes desafios e pedidos mais enfáticos por reformas.

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