Cofundador do Instagram lança site com informações sobre Covid-19

GettyImages/ Chris Saucedo
GettyImages/ Chris Saucedo

O empresário Kevin Systrom acredita que pensar no que as pessoas precisam é o primeiro passo para criar um produto de sucesso

Trancado em casa enquanto a Covid-19 varria os EUA, o cofundador do Instagram, Kevin Systrom, estava ficando frustrado com os dados confusos e não confiáveis ​​sobre a disseminação e a escala da doença. Então, o criador de uma das empresas mais virais do mundo (hoje com mais de um bilhão de usuários) começou a construir um site para rastrear o vírus. “Eu ficava perguntando ‘se eu estivesse governando um estado ou um país, quais estatísticas eu gostaria de saber?”, disse Systrom em uma entrevista via Zoom durante a hackathon do Forbes Under 30, com o parceiro Rocket Mortgage, em apoio à cidade de Detroit.

Por meio de sua pesquisa, ele aprendeu sobre uma métrica chamada “Rt”. Bem conhecida em epidemiologia, ela mede a taxa com que um vírus se espalha de pessoa para pessoa. “Se R é menor que um, o surto diminui. Se for maior que um, cresce exponencialmente, e isso é uma coisa ruim”.

LEIA MAIS: Tesla supera Toyota como montadora com maior valor de mercado

“Os dados são realmente interessantes para mim. Não são coletados dados suficientes. Quando é coletado, fica inativo. Não é usado produtivamente. E, quando as pessoas tentam usá-lo de forma produtiva, há muitos erros e interpretações erradas”, afirmou o empresário.

Brincando com a programação em Python, Systrom, de 36 anos, criou um programa que coleta dados de pacientes de várias fontes de saúde e calcula a taxa de reprodução Rt na Califórnia. Em seguida, outros estados entraram no programa. Com os dados disponíveis, mas sem meios de compartilhá-los, ele telefonou para outro cofundador do Instagram, Mike Krieger. “Eu disse: ‘Você vem se interessando em trabalhar em algumas coisas de front-end e bibliotecas gráficas. E se nós nos unirmos: eu trabalho no modelo, você trabalha no site?'”, contou Systrom. “Conversamos sobre o que estávamos interessados ​​em aprender, no que éramos bons e o que o mundo precisava. A interseção disso tudo se tornou o RT.live”.

Sobre o processo de criação de um novo produto, Systrom explicou: “A criação do produto começa com o problema que você está resolvendo para as pessoas. Se você baseia tudo o que faz em um problema que as pessoas realmente têm, você garante clientes.”

O cofundador do Instagram também deu dicas para obter um produto popular: “Concentre-se em resolver um problema realmente importante para o maior número de pessoas possível. Não foque soluções de nicho para problemas de nicho. Isso não quer dizer que você precisa enviar pessoas para a lua. Mas você pode enfrentar grandes problemas, maiores do que você provavelmente imaginaria.”

Lançado em meados de abril, o site agora atrai mais de 100 mil usuários diários, incluindo autoridades de saúde, meios de comunicação e líderes do governo: o governador de Nova York, Andrew Cuomo, citou o site em seus populares briefings diários para a imprensa. O site mostra se a taxa de reprodução da Covid-19 está aumentando ou diminuindo em cada estado, e o efeito que os desligamentos, e as reaberturas, estão causando na propagação do vírus. Systrom diz: “Meu objetivo era ser apolítico, factual e mostrar os dados às pessoas. Espero que elas tomem melhores decisões com base nos dados que conseguirem ver”.

LEIA TAMBÉM: Viagens particulares aumentam, mas fabricantes de jatos continuam demitindo

Mas, ao contrário dos negócios colossais e influência cultural do Instagram, Systrom espera que o RT.Live tenha vida curta. “Estou orgulhoso do que construímos. Mas, diferentemente de uma empresa, espero sinceramente que o RT.Live não esteja online nos próximos dois meses e que possamos encerrá-lo. Quero que a existência dele seja encerrada.” Systrom, que fundou o Instagram apenas uma década atrás e o vendeu dois anos depois para o Facebook, planeja procurar outros grandes problemas a serem resolvidos, “aqueles que poderiam ajudar a maioria das pessoas”. Como ele disse a empresários na segunda-feira (29), essa solução de problemas pode levar 20 anos. Ele ainda tem tempo.

O empresário também comentou sobre o sucesso do Instagram: “Há oito anos, esperávamos que algumas milhares de pessoas pudessem usar o Instagram, e então chegamos a um ponto em que mais de um bilhão de pessoas o usam constantemente. Qualquer pessoa que afirme desde cedo que sabe que seu produto vai ser tão grande assim está mentindo.”

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Inscreva-se no Canal Forbes Pitch, no Telegram, para saber tudo sobre empreendedorismo.

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ([email protected]).