A história do imigrante John Tu, que construiu um patrimônio de US$ 6,5 bilhões vendendo memória para computadores

Cofundador da Kingston aposta também no novo mercado de testes diagnósticos para Covid-19.

Ariel Shapiro
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Kingston Technologies/Divulgação
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John Tu (esquerda) e David Sun (direita), CEO e COO da Kingston Technology, respectivamente, são parceiros de negócios há quase quatro décadas

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O bilionário John Tu, 79 anos, que fundou a fabricante de memória para computadores Kingston Technology, comprometeu US$ 50 milhões com a Fluxergy, uma empresa de testes diagnósticos fundada por um amigo de infância de seu filho. É sua primeira incursão na área de biotecnologia e uma chance de grande sucesso se a empresa conseguir que seu teste para Covid-19 seja aprovado e colocado no mercado antes que a pandemia comece a perder força. O empresário já enfrentou esse tipo de pressão antes, entrando no negócio de computadores quando os PCs ainda eram novos. Ele sobreviveu e superou seus concorrentes.

Nascido na China, criado em Taiwan e educado na Alemanha, Tu visitou os EUA pela primeira vez em 1968 e se apaixonou pelo país. Em Frankfurt, ele tinha um emprego na Motorola e uma boa qualidade de vida, mas sempre se sentiu um estrangeiro. A história era diferente nos Estados Unidos. “Ninguém me perguntou de onde eu era”, diz ele. “Me senti imediatamente aceito como parte da sociedade.”

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Depois de se formar em engenharia elétrica na Alemanha, Tu chegou aos EUA em 1971 com um visto de turista. O imigrante seguiu para Scottsdale, no Arizona, mas não conseguiu encontrar trabalho. “As pessoas diziam, brincando: ‘Se você pega um táxi, quatro em cada dez vezes o motorista tem doutorado’”, lembra Tu. “Era tão deprimente naquela época.”

Para pagar as contas, ele passou a vender tchotchkes (objeto de decoração de Taiwan) em uma loja de presentes antes de descobrir que, no país, é fácil mudar de locatário para proprietário com 85% de uma hipoteca e um empréstimo dos pais. Os negócios iam bem na nova propriedade, mas ele achou Scottsdale muito pequena. Tu vendeu seu imóvel e foi para Los Angeles em 1975.

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Em L.A., ele se aventurou e fez o amigo certo em 1981. David Sun, um engenheiro elétrico nascido em Taiwan que era dez anos mais novo que Tu. Eles costumavam jogar basquete, até o dia em que Sun lhe disse que os computadores seriam o próximo grande sucesso.

“Nesse caso, quero estar no negócio de computadores”, disse Tu.

Eles não tinham dinheiro para fabricar PCs inteiros como a IBM. O foco em produtos de memória permitiu que entrassem no mercado em pequena escala. Em 1982, lançaram sua primeira empresa, a Camintonn, em uma garagem na qual Sun desenhava as placas enquanto Tu as vendia por telefone. Sun ensinou algumas palavras-chave da moda –“paridade”, “autocorreção”– para que os clientes pensassem que Tu sabia do que diabos estava falando.

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“Tive muita sorte em conhecê-lo”, diz Sun, de 69 anos. “Ele complementa o que não posso fazer.”

A parceria e o produto da dupla prosperaram. Em 1986, com um terceiro sócio, eles venderam a empresa para a AST, que era rival da IBM na época, por US$ 6 milhões, embolsando US$ 1,3 milhão cada um após os impostos.

Sun convenceu Tu a investir sua nova fortuna com um amigo corretor da Bolsa de Valores. Quando o mercado quebrou em 19 de outubro de 1987, eles perderam US$ 1 milhão cada um e estavam devendo mais de US$ 200 mil em taxas de corretagem. Fundaram a Kingston Technology naquele mesmo dia. Sun desenvolveu uma placa de memória nova e aprimorada usando um chip considerado desatualizado pelos grandes fabricantes de memória. E funcionou. Seus produtos vendiam mais rápido do que eles conseguiam produzir, e a nova empresa atingiu US$ 40 milhões em vendas em 1989. Quatro anos depois, faturaram US$ 433 milhões, superados apenas pelos gigantes da tecnologia de consumo Samsung e Toshiba.

Tu e Sun apareceram pela primeira vez na lista Forbes 400 em 1995, cada um com um patrimônio líquido de US$ 340 milhões. No ano seguinte, a SoftBank comprou 80% das ações da empresa por US$ 1,5 bilhão, mas a Kingston recomprou essa participação dois anos depois por US$ 450 milhões, após a queda nos preços dos chips levar a SoftBank a se livrar da empresa.

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O mercado se recuperou e a Kingston continuou a crescer, mas concentrando-se no atendimento ao cliente de primeira linha e mantendo sua linha de produtos relativamente pequena, ramificando-se em unidades flash, SSDs e leitores de memória. A empresa nunca abriu seu capital, devido à desastrosa investida da dupla no mercado acionário na década de 1980.

Tu não se considera um visionário, e Sun também não. Mas Sun atribui a Tu o mérito de possuir uma abordagem “sensata” que guiou a empresa até onde está hoje, que a Forbes estima em pelo menos US$ 13 bilhões. “John é um bom ouvinte”, diz ele. “Ele é a âncora.”

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