Pioneira de impressão 3D, Stratasys adquire Origin por US$ 100 milhões para sair do vermelho

 South China Morning Post /Getty Images
South China Morning Post /Getty Images

Fundador da Stratasys, Scott Crump planeja se aposentar no final de 2020

A Stratasys, empresa de capital aberto pioneira em impressão 3D, concordou em comprar a startup Origin em um negócio de US$ 100 milhões em dinheiro e ações, anunciou a empresa na última semana.

O negócio combinará as operações da Stratasys em impressão 3D de polímero com a tecnologia à base de resina da Origin para peças produzidas em massa. A Stratasys, que tem lutado com a queda nas vendas e prejuízos regulares, espera que a tecnologia única de fotopolimerização programável da Origin, conhecida como P3, adicione até US$ 200 milhões em receita anual incremental dentro de cinco anos.

LEIA MAIS: Enel inicia obra de usinas eólicas e solares no Brasil e prevê investir R$ 5,6 bi

O preço de compra inclui US$ 60 milhões pagos no fechamento e US$ 40 milhões adicionais com base na superação de metas de desempenho nos próximos três anos. A aquisição está prevista para ser concluída em janeiro de 2021.

A Stratasys é uma das pioneiras na impressão 3D. Scott Crump fundou a empresa depois de inventar a tecnologia conhecida como “Fused Deposition Modeling”, ou FDM, em 1989. Ele abriu o capital da empresa em 1994 e permaneceu como CEO até sua fusão com a Objet em 2012. Ele anunciou sua intenção de se aposentar da empresa no final de 2020.

Mas a Stratasys, que tem um valor de mercado de US$ 971 milhões, viu sua receita cair e seus prejuízos crescerem recentemente, uma tendência que se acelerou na pandemia de Covid-19. A empresa reportou vendas de US$ 636 milhões, com um prejuízo líquido de US$ 11 milhões em 2019. Nos primeiros três trimestres de 2020 (encerrado em 30 de setembro), suas perdas dispararam para US$ 455 milhões (incluindo uma grande despesa única de diferença de consolidação) sobre a receita de US$ 241 milhões. Apesar disso, a Stratasys observa que o caixa operacional aumentou no terceiro trimestre.

Seu atual CEO, Yoav Zeif, que tem um MBA pela Northwestern’s Kellogg School of Management e trabalhou como sócio na McKinsey, assumiu a posição em fevereiro, exatamente quando a pandemia estava começando. “Aproveitamos essa época de pandemia para reconstruir os alicerces de nossa empresa”, disse Zeif à Forbes em uma entrevista pelo Zoom. “Com a fusão Objet-Stratasys, estávamos muito avançados, mas não estávamos focados.”

Zeif definiu uma nova estratégia focada para a empresa, para ser líder em impressão 3D de polímero e em manufatura. “Temos um portfólio de patentes onde podemos construir dez novas plataformas com as patentes que temos, mas não fomos ágeis o suficiente para trazê-lo ao mercado. Não crescemos porque estávamos focados em fazer muitas coisas”, diz ele. “Agora temos uma estratégia muito focada –polímeros, produção e manufatura– e não fazemos nada, exceto isso.”

LEIA TAMBÉM: Cogna prepara marketplace de educação

A Origin, por outro lado, está na safra dos mais recentes inovadores em impressão 3D. Fundada por Chris Prucha, um ex-engenheiro de software da Apple que também foi cofundador da Notion (mas saiu antes de seu sucesso recente), a empresa sediada em San Francisco foi lançada em 2015. A primeira impressora de nível de fabricação da Origin, conhecida como Origin One, controla precisamente o calor, a luz e a força para permitir que os clientes construam peças com uma ampla variedade de resinas duráveis. Ela havia acabado de começar a enviar aquele sistema de produção (e já tem mais de 100 instalados agora) quando a Covid-19 chegou. A Origin foi uma das várias empresas de impressão 3D que se empenharam durante a pandemia para produzir cotonetes de teste nasofaríngeos e protetores faciais.

Segundo Prucha, as conversas com a Stratasys começaram no início de 2020, mas ainda como um potencial investimento estratégico em uma rodada planejada de empreendimentos de Série B. Ele também comentou que a empresa de capital aberto fez uma primeira oferta para adquirir o negócio integralmente em maio. “Rejeitamos a primeira oferta”, disse Prucha à Forbes. “Não era algo que estávamos considerando na época.” Mas enquanto os dois continuavam conversando, ele mudou de ideia e percebeu que o negócio ajudaria a dar a sua tecnologia o alcance que ele queria para competir com grandes empresas de impressão 3D, como a Carbon.

Com o acordo fechado, a Origin espera expandir seu alcance de mercado investindo em indústrias e países onde a Stratasys já está presente. A Stratasys disse que espera que a aquisição fortaleça sua posição em setores como o odontológico, médico, ferramentas, defesa e bens de consumo. Prucha e o cofundador Joel Ong, diretor de tecnologia da empresa que anteriormente era engenheiro de software no Google, se juntarão à Stratasys e continuarão a liderar o desenvolvimento da tecnologia Origin. “Podemos nos concentrar no desenvolvimento de produtos em vez de levantar capital”, diz Prucha.

A Origin atualmente tem uma receita anual que não chega a 8 dígitos, de acordo com Zeif, mas espera aumentar substancialmente na segunda metade de 2021, quando os revendedores da Stratasys começarem a comercializar as máquinas da Origin.

Os usos industriais da impressão 3D têm crescido rapidamente à medida que grandes fabricantes e empresas iniciantes descobriram que podem projetar com mais eficiência peças que não poderiam ser produzidas de maneiras mais tradicionais. Em um sinal do amadurecimento da impressão 3D no mercado de manufatura global de US$ 13 trilhões, a Desktop Metal está abrindo o capital.

A Stratasys disse que sua análise de mercado interno mostrou que os aplicativos de fabricação para impressão 3D podem chegar a US$ 25 bilhões até 2025, com sistemas baseados em resina polimérica crescendo a uma taxa anual de 20% até lá. “A falta de foco é coisa do passado”, diz Zeif. “Estamos extremamente focados. Não é possível estar mais focado do que nós estamos com a fabricação de polímeros.”

E TAMBÉM: 4 maneiras como a pandemia de Covid-19 acelerou a adoção de tecnologia na saúde

Prucha relembra que sua empresa foi originalmente fundada e financiada por capital de risco para derrubar a competição existente e diz que espera uma consolidação contínua na indústria de impressão 3D conforme ela amadurece. “Acho que estamos entrando em uma situação em que haverá alguns líderes da indústria”, diz.

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ([email protected]).