Mmhmm, startup de videoconferência, arrecada US$ 31 milhões antes do lançamento

CNBC/Getty Images
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Phil Libin, fundador da startup mmhmm

Enquanto Phil Libin fala, seu fundo de tela do Zoom muda rapidamente, passando por imagens de suas viagens anteriores ao Japão antes de decidir por uma animação de uma paisagem arborizada trabalhada em papel. Momentos depois, uma tela no estilo Weekend Update aparece no lado direito da sala virtual de Libin com o texto da apresentação –e Libin a segue, seu corpo reaparece menor, ao lado da caixa de texto para que ele possa apontar com o braço para frases específicas.

É a mmhmm, startup de apresentações virtuais de Libin, em ação. Criado em maio como “uma espécie de brincadeira”, o aplicativo de videoconferência atualmente acumula milhares de usuários em teste, uma lista de espera de 100 mil e, a partir de quarta-feira (14), um novo financiamento de US$ 31 milhões para expandir. O fundo, que inclui um investimento de US$ 21 milhões na Série A liderado pela Sequoia, US$ 5 milhões adicionais levantados para o estúdio All Turtles de Libin e US$ 5 milhões em dívidas do Silicon Valley Bank, avalia a startup a uma estimativa de US$ 100 milhões, antes mesmo de seu lançamento.

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“Todos nós temos essas microapresentações que fazemos todos os dias, onde você tem de se apresentar para funcionários, chefe, investidores, seus filhos ou seus seguidores nas redes sociais. E fazer isso em videoconferência é entediante”, explica Libin. “Queremos elevar o nível de desempenho.”

Conhecido por ter dirigido o Evernote durante anos, aplicativo que precedeu uma nova onda de startups como Notion e Roam Research, Libin argumenta que o mundo pós-Covid-19 mudou drasticamente em direção à “DJ-ificação” ou hibridização por conta das experiências virtuais que ele chama de “IRL-plus”. Libin acredita que as interações pessoais vão voltar, mas até certo ponto. No entanto, consultas médicas e bancárias, shows e lucro de investimentos podem ser ampliadas, pela capacidade de fazer gravações e mesclar outras mídias, diz Libin. “Podemos remixar a realidade”, afirma.

O Mmhmm, caprichosamente nomeado como algo “você pode dizer enquanto come”, mas de forma mais prática, uma marca que dá liberdade de atuar em todos os setores, é o produto mais recente do estúdio de criação de Libin, All Turtles, lançado em 2017. A empresa é o sétimo projeto da All Turtles a arrecadar fundos desde março, diz Libin, e o segundo a ser totalmente criado pelo estúdio. A startup já tem uma equipe de mais de 20 pessoas, diz Libin, que atua como CEO da All Turtles e do mmhmm.

Na Sequoia, empresa de capital de risco com décadas de existência que investiu em empresas como Apple, Google, PayPal e WhatsApp, o sócio Roelof Botha se reúne novamente com Libin depois de trabalharem juntos no Evernote. Botha e sua equipe lideraram uma rodada de investimento seed de US$ 4,6 milhões do mmhmm há quatro meses, depois que Botha disse que sua primeira experiência com o produto o lembrou de ver o YouTube e o Instagram. “Foi uma daquelas coisas que alguém mostra para você, e você apenas diz ‘eu quero isso’”, comenta Botha.

O rápido ritmo de financiamento do mmhmm, incluindo um valioso cheque antes do lançamento oficial, tem alguma semelhança com o aplicativo de mídia social Clubhouse, que chegou a uma avaliação de cerca de US$ 100 milhões em maio, enquanto também estava em versão beta. Mas Botha e Libin observam algumas diferenças importantes.

mmhmm/Reprodução/Forbes
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O recurso do mmhmm permite que várias pessoas façam apresentações na tela ao mesmo tempo

A primeira é que com milhares de usuários de teste e um lançamento para o consumidor esperado para o final de outubro, o mmhmm já tem uma noção sobre as demandas dos clientes e planeja estar amplamente disponível em 2021.

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A startup também tem pelo menos três segmentos claros de clientes, afirma Libin, em que o fundador espera aprimorar a forma de se fazer videoconferência conhecida hoje. Além disso, Libin enxerga maiores oportunidades de ajudar os criadores a gravar e transmitir conteúdo mais interativo no YouTube, TikTok e em outros lugares, e as experiências virtuais.

Para se conectar com essas comunidades, Libin e o mmhmm incluíram uma série de investidores menores em sua arrecadação de fundos até agora, de influenciadores em esportes e entretenimento, como Chamillionaire e The Chainsmokers, ao comediante Hannibal Buress, os cofundadores do Instagram Mike Krieger e Kevin Systrom, o magnata de Hollywood Michael Ovitz e o braço de investimento do proprietário majoritário do conglomerado de luxo LVMH. Um grupo de fundos de capital de risco em estágio inicial também se juntou a eles, com a Mubadala Capital e a Goldman Sachs.

Libin se recusou a divulgar a avaliação do mmhmm após a estimativa da Forbes. “Não estou tentando otimizar dinheiro ou avaliações ou qualquer coisa assim”, diz ele. “Qualquer coisa em estágio inicial é uma loucura por definição.” No entanto, o empresário revelou algum planejamento de longo prazo, observando que o mmhmm incluía intencionalmente “pessoas pré-IPO” que poderiam preencher cheques muito maiores no futuro, se solicitadas. “Acho que uma lição de 2020 é que, quando alguém está oferecendo US$ 30 milhões, você deve aceitar. Porque quem sabe o que vai acontecer?”

O Mmhmm ​​usará o dinheiro principalmente para continuar contratando e, em menor escala, para ajudar a financiar seus custos crescentes de infraestrutura. A empresa não venderá publicidade ou dados de clientes, diz Libin, mas cobrará uma assinatura premium para empresas e recursos adicionais.

A startup já se conecta aos grandes players de videoconferência da Cisco, Google, Microsoft e Zoom, além do YouTube. Libin está confiante de que, embora os gigantes da tecnologia possam eventualmente lançar seus próprios concorrentes, a categoria oferecerá suporte a vários players –como a Sequoia, um grande investidor do Zoom.

mmhmm/Reprodução/Forbes
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O investidor da Sequoia, Roelof Botha, diz que atualmente começa seu dia mapeando suas reuniões do Zoom no mmhmm, escolhendo planos de fundo adequados, como uma imagem da marca

Ainda assim, o mmhmm provavelmente se encontrará em uma corrida para promover divertimento nas videoconferências. “Não estamos criando software corporativo monótono, embora pensemos que grande parte do uso será para empresas”, diz Libin. “Temos que construir isso com caráter e personalidade.”

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