IBM, USP e FAPESP inauguram Centro de Inteligência Artificial em São Paulo

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Cláudio Pinhanez, gerente de pesquisa da IBM Brasil para inteligência em conversação e vice-diretor do C4AI: o Brasil está pronto para um grande salto

A IBM, a Universidade de São Paulo (USP) e a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) inauguraram hoje (13) o que classificam como o mais moderno Centro de Inteligência Artificial (C4AI) do Brasil, dedicado ao desenvolvimento de estudos e à pesquisa de ponta da tecnologia para endereçar temas de grande impacto social e econômico.

O C4AI, localizado no prédio do Centro de Pesquisa e Inovação InovaUSP, no campus da USP, em São Paulo, terá como foco inicial cinco grandes desafios relacionados à saúde, meio ambiente, cadeia de produção de alimentos, futuro do trabalho e desenvolvimento de tecnologias de processamento de linguagem natural em português, procurando maneiras de melhorar o bem-estar humano e apoiar iniciativas para diversidade e inclusão.

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Segundo os pesquisadores envolvidos na iniciativa e os executivos da gigante de tecnologia, apesar do atraso estrutural do Brasil no tema, o país tem um potencial enorme de avanço, principalmente em função da qualidade dos pesquisadores da academia e dos bancos de dados. “Não tenho dúvidas de que o Brasil está pronto para um grande salto nessa área”, diz Sylvio Canuto, pró-reitor de pesquisa da USP. “Se o cenário não fosse altamente promissor, não investiríamos tanto nele”, complementa Cláudio Pinhanez, gerente de pesquisa da IBM Brasil para inteligência em conversação e vice-diretor do C4AI.

Esse investimento passa por um financiamento de até 10 anos no qual IBM e FAPESP reservarão, cada uma, até US$ 500 mil anualmente para implementar o programa. Já a USP, por sua vez, investirá até US$ 1 milhão por ano em instalações físicas, laboratórios, professores, técnicos, administradores para gerir o centro, totalizando cerca de US$ 2 milhões anuais. Dez líderes técnicos estão envolvidos diretamente na iniciativa, além de 60 professores associados. Em paralelo, três comitês de acompanhamento serão criados para promover temas de interesse comum do país, com foco na indústria, ciência e sociedade.

“A ideia é dar um passo largo no sentido da inteligência artificial, juntando esforços e concentrando recursos para avançar na estruturação das comunidades, formação de recursos humanos especializados e, claro, pesquisa, para estimular o debate e até ajudar na construção de políticas públicas”, diz Pinhanez, ressaltando que o país precisa ter uma agenda alinhada com o restante do mundo no que diz respeito à IA. “Temos massa crítica para isso e podemos fazer muita diferença no andamento das pesquisas em nível global.”

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O C4AI contará também com uma segunda unidade para capacitar estudantes e profissionais, disseminando conhecimento e transferindo os benefícios da tecnologia para a sociedade. Este local será instalado no Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC), no campus da USP em São Carlos, interior de São Paulo.

CINCO DESAFIOS

“Esta é a realização de um projeto estratégico para a USP, que considera a área de IA obrigatória para acompanhar e participar dos desenvolvimentos que dominarão, com suas múltiplas aplicações, a sociedade moderna”, diz Canuto, explicando que um dos objetivos é a disseminação e a transferência da tecnologia para a sociedade, o que fez com que os cinco temas escolhidos tivessem aplicações muito práticas.

O primeiro deles está relacionado aos ciclos produtivos do agronegócio, sustentabilidade ambiental, mudanças climáticas e segurança alimentar – demandas atuais que desafiam as autoridades mundiais. Essa linha de estudo vai focar em modelos de causa e efeito para cadeias de produção de agricultura, em especial a de pequenos produtores. O objetivo será utilizar modelos de correlação avançados para a tomada de decisão baseada na causa e efeito, abordando preocupações como desperdício de água e alimento.

A segunda linha de pesquisa combina aprendizado baseado em dados e raciocínio baseado em conhecimento para desbravar a chamada Amazônia Azul, território marítimo brasileiro cuja área corresponde a aproximadamente 3,6 milhões de quilômetros quadrados – equivalente à superfície da floresta Amazônica. Blue Amazônia Brain (BLAB), como o projeto está sendo chamado, pretende abordar perguntas complexas sobre a região, rica em biodiversidade e recursos energéticos.

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Já na frente de estudos sobre saúde, serão abordadas duas questões: como integrar e selecionar recursos médicos relevantes (biomarcadores) de fontes heterogêneas e dinâmicas em grande escala e como interpretar decisões tomadas por algoritmos de aprendizado de máquina integrando inteligência humana e artificial. A primeira fase do estudo terá duas frentes de pesquisa. Uma com o objetivo de melhorar o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação de pacientes de acidente vascular cerebral (AVC), com técnicas de análise de redes complexas em dados multimodais. E, a segunda, com foco em investigar formas de melhorar a escolha de protocolos de reabilitação em casos de AVC, o que trará uma importante contribuição social.

A quarta área de atuação do C4AI vai envolver diversas áreas de humanas da USP, como economia, história, sociologia e ciências sociais, para mapeamento, compreensão e abordagem do impacto da IA em economias como a do Brasil. Inicialmente, o centro focará em pesquisas relacionadas às políticas públicas para a inteligência artificial e à coleta e análise de dados sobre impacto da IA nos empregos e no futuro do trabalho.

E, finalmente, o centro vai atuar para aumentar a disponibilidade de ferramentas e dados para treinar sistemas de diálogo em português. O objetivo é habilitar o processamento de linguagem natural de alto nível para o português do Brasil, assim como já existe para outros idiomas, possibilitando sua melhor aplicação nas atuais demandas críticas da sociedade, como, por exemplo, aprimorar os serviços de atendimento ao cliente, o treinamento de assistentes virtuais, o monitoramento de redes sociais, bem como possibilitar a análise e a extração de conhecimento de grandes fontes de dados, entre outros.

“A intenção é aumentar essa colaboração para além da IBM, USP e FAPESP, trazendo outros integrantes desse ecossistema e aportes financeiros maiores para que possamos encarar desafios também cada vez mais complexos”, diz Luiz Eugênio Mello, diretor científico da FAPESP. “A área de IA é um infinito de possibilidades. Neste momento de intenso combate contra a Covid-19, por exemplo, estamos fazendo análises de milhares de moléculas, análises teóricas de potenciais vacinas, análises de centenas de milhões de dados, tudo com o apoio da tecnologia, gerando mais efetividade e diminuindo o tempo para soluções corretas. A área é estratégica para o futuro.”

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