
Entregando jornais pela pequena cidade de Essex, a aproximadamente uma hora de Londres, o jovem Mark Dixon só pensava sobre sua paixão: os negócios. Talvez esse tenha sido o principal impulso de suas decisões quando, aos 16 anos, decidiu sair do ensino médio e ir atrás do empreendedorismo que tanto admirava. “Meu pai não falou comigo direito por muito tempo. Ele tinha grandes planos para mim, mas eu não realizei. Se você falar com meu pai agora, ele ainda vai achar que eu poderia ter me saído melhor”, diz Dixon, fundador e CEO da IWG – International Workplace Group – com patrimônio líquido de US$ 1,3 bilhão, em live com a Forbes Brasil.
Entrevistado pela jornalista Juliana Ventura e pelo CEO da Regus do Brasil, Tiago Alves, na última quarta-feira (24), Dixon revela que começar a estudar os negócios, aprender com os erros e ter grandes pessoas a sua volta foi a melhor escola que poderia ter feito. Logo que saiu do ensino médio tradicional, iniciou um negócio de entrega de sanduíches. Em seguida, explorou uma variedade de setores como venda de enciclopédias e lenha. Tudo isso até criar seu primeiro espaço de escritório compartilhado em Bruxelas, em 1989, quando já estava completando quatorze anos na estrada dos negócios.
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Como um presente por toda sua trajetória, a IWG, anteriormente conhecida como Regus (marca que ainda tem em seu portfólio), nasceu. Alugando, desenvolvendo e sublocando espaços flexíveis de escritório, como salas de conferência e áreas de trabalho compartilhadas, o projeto se expandiu pelo mundo e já está presente em mais de 3.300 localidades, 1.200 cidades e 110 países. Esse alcance global faz dele o maior operador de espaço de trabalho flexível do mundo.
Isso coloca Dixon no meio da tormenta atual. Com a crise de coronavírus, escritórios no mundo inteiro tiveram que mudar sua rotina e adotar outras formas de atuação, como o home office, fazendo com que a mudança do espaço de trabalho se acelerasse. “É uma tendência, não é apenas por causa da pandemia. A pandemia só esclareceu tudo. Isso é o futuro dos espaços de trabalho, um trabalho híbrido. Ter um ambiente que às vezes as pessoas utilizam, às vezes não”, explica.
Segundo o empresário, é preciso ter como base de pensamento estratégico os desejos do cliente sobre o assunto. Repensar como as pessoas querem trabalhar. Parte pelo escritório e parte em casa? Tudo em casa? As pessoas foram forçadas a mudar, mas elas querem continuar com isso no futuro? Para ele, a resposta é mais do que clara. Ficar horas dentro de um transporte público, ou mesmo no carro, mas com trânsitos quilométricos, não é mais sinônimo de produtividade. Além de tudo, ainda é prejudicial para o meio ambiente, visto que em diversos países a poluição diminuiu muito com a restrição de pessoas nas ruas durante a pandemia.
Se o seu serviço pede apenas computador, celular e internet, não é mais visto como necessário estar todos os dias dentro de um escritório longe de casa para mostrar eficiência. “Isso vai afetar 50% da população que trabalha e usa escritórios. Ano passado era 30%, esse aumento é a realidade pós-pandemia”, revela. “O que podemos ter certeza é que a forma como as pessoas trabalham nunca mais vai ser igual.”
Dixon ainda conta que toda essa aceleração mudou positivamente seus planos para os próximos anos. “O nosso trabalho é oferecer os espaços físicos com layout digital. Nós queremos estar em todos os lugares e precisa ser conveniente. Você precisa de um local de trabalho que encontre facilmente; perto de sua casa, perto de um local onde você vai viajar…para que você possa acordar e pensar onde quer atuar naquele dia. Fizemos um aumento de capital de 400% até agora.”
Para o CEO, todo esse avanço em meio à crise tem relação com a forma de lidar e enxergar os novos cenários, mesmo que sejam tempestuosos. Ele revela que, em 40 anos de carreira, nunca passou por um momento tão grave quanto esse, porém, destaca ter visto “mais inovações nesses três meses do que nos últimos cinco anos”. As transformações na economia e no modo como as pessoas vivem podem ser duradouras e catalisadoras de oportunidades.
Para saber navegar em mares turbulentos, Dixon dá algumas dicas que o fizeram chegar em terra firme com sucesso tanto em crises passadas quanto na atual.
Veja abaixo a entrevista na íntegra:
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