Por que as soft skills deixaram de ser desejáveis para se tornarem essenciais

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As habilidades interpessoais, ou soft skills, incluem resolução de problemas e competências emocionais

Imagine a cena: você está empolgado com um novo ano e um novo emprego. Passa as primeiras semanas estudando os manuais de treinamento e acompanhando seus colegas mais experientes. Logo você se sente confiante de que está pronto para trabalhar sozinho, conduzindo seus próprios clientes, ainda que com a ajuda de profissionais com mais tempo de casa. Porém, algumas semanas mais tarde, a pandemia obriga a equipe toda a trabalhar de maneira remota e reavaliar sua abordagem com os clientes. Sem um cronograma definido ou um processo claro a seguir, você luta para se adaptar às novas condições de trabalho. Liga para os colegas todos os dias para pedir ajuda, mas todos estão ocupados tentando descobrir como atender às crescentes demandas dos clientes. Oprimido e sem saber o que fazer, você vê o trabalho se acumulando e os clientes começam a reclamar da sua falta de capacidade de resposta.

As habilidades interpessoais, mais chamadas atualmente de soft skills, são definidas como “capacidades não técnicas relacionadas a como você trabalha” e incluem resolução de problemas, pensamento crítico, influência, criatividade, engenhosidade, competências emocionais e gerenciamento do tempo.

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Por muito tempo consideradas úteis em um candidato a emprego, as habilidades interpessoais hoje são essenciais. Em um mundo em constante movimento, a capacidade de se adaptar às mudanças é crítica para qualquer nova contratação, independentemente do setor ou especialidade.

De acordo com uma pesquisa do Gallup, empresa norte-americana de pesquisa de opinião, enquanto 96% dos líderes universitários acreditam que estão preparando os alunos para o local de trabalho, apenas 11% dos líderes empresariais concordam com isso. Na verdade, 91% dos empregadores “concordam que para obter sucesso em suas empresas, a capacidade demonstrada de um candidato de pensar criticamente, comunicar-se com clareza e resolver programas complexos é mais importante do que seu curso de graduação”.

Se você está procurando emprego ou planeja procurar, veja, a seguir, o que precisa saber:

Inteligência emocional é uma das habilidades mais requisitadas

O termo foi cunhado por pesquisadores em 1990 como um tipo de inteligência social que envolve a capacidade de monitorar suas próprias emoções, compreender as emoções dos outros e reagir de forma adequada. O LinkedIn Learning destaca que “a inteligência emocional ressalta a importância de responder e interagir de maneira eficaz com nossos colegas”. Também conhecida como QE ou quociente emocional, é uma habilidade crítica para formar relacionamentos, que são vitais para o sucesso na carreira. Normalmente, o QE é aprendido por meio da autorreflexão, da prática da escuta profunda, do pedido de feedback e de tempo para criar empatia com os outros. Infelizmente, essas ações se tornaram menos comuns na era das mensagens de texto e do acúmulo de “likes” nas redes sociais.

As máquinas estão assumindo habilidades técnicas

Os computadores são cada vez mais capazes de fazer mais e pesquisas mostram que 47% dos empregos nos Estados Unidos estão em risco. E, enquanto dois terços dos norte-americanos acreditam que a tecnologia acabará por assumir cerca de 50% das funções atuais, mais de 80% dessas mesmas pessoas dizem que suas funções não serão afetadas. Obviamente, a matemática não bate e todos nós precisamos enfrentar a realidade de que nossas carreiras serão drasticamente diferentes em um futuro não muito distante.

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Seu próximo trabalho provavelmente ainda não existe

De acordo com o LinkedIn, os 10 principais empregos de 2014 não existiam cinco anos antes. O antigo modelo de obter uma educação que duraria para uma carreira de uma vida inteira acabou, e reinventar suas habilidades, preencher lacunas proativamente e retornar à sala de aula periodicamente são necessidades para manter a empregabilidade em alta. Embora algumas empresas tenham percebido o valor de qualificar ou requalificar seus funcionários, a maioria delas deixa o trabalho pesado para o indivíduo, por isso vale a pena investir.

A pandemia é apenas o começo

A mudança é constante, mas esta é a primeira vez que muitos de nós a experimentamos nessa velocidade. Forçadas a se adaptar para sobreviver em 2020, as organizações aprenderam que mudanças rápidas e eficazes são possíveis e provavelmente continuarão a acontecer nesse ritmo. Elas vão procurar por colaboradores que possam se manter atualizados na implementação de soluções criativas, motivados e produtivos em face das incertezas e engenhosos na aplicação dos pontos fortes e na construção de novas habilidades.

Precisamos ser fluentes em novas formas de linguagem

A tecnologia é o novo analfabetismo no mundo profissional e, cada vez mais, na vida cotidiana. Se você não entende as opções de pagamento “sem contato” e como usar várias plataformas de comunicação de vídeo, você já está para trás. Pode parecer opressor permanecer atualizado conforme a tecnologia se transforma e avança, mas ignorar isso não é uma opção. Até mesmo coisas simples, como usar um novo aplicativo de mídia social, experimentar uma plataforma de videoconferência diferente ou ver um tutorial no YouTube, podem começar a aumentar sua sensação de conforto e de intimidade com os novos tempos. Além da tecnologia, todos nós precisamos aprender a linguagem da globalização e a capacidade de nos comunicar de maneira eficaz e diplomática com outras culturas, uma vez que o mundo se torna cada vez menor e mais conectado graças ao aumento da mobilidade e da popularidade das redes sociais.

As habilidades interpessoais não são mais um aprimoramento – elas são essenciais, não só para candidaturas mas para o futuro da sua carreira. E, assim como as habilidades técnicas, elas exigem prática e engajamento ativo para serem construídas.

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Veja, a seguir, 3 maneiras de aprimorar suas soft skills:

1. Vá para áreas onde você é o menos qualificado. Os nadadores sabem que a melhor maneira de melhorar é treinar com os mestres, que exemplificam a excelência no esporte e inspiram os outros a avançarem para o próximo nível. Construir novas habilidades requer prática, feedback e exemplo, portanto, cerque-se de especialistas. Vai parecer desconfortável, mas o crescimento raramente acontece sem um pouco de adversidade, então saia da sua zona de conforto.

2. Abrace as lições da pandemia. Quer queiramos ou não, todos nós construímos nossas habilidades de resiliência, adaptabilidade e desenvoltura ao longo dos últimos meses. Muitos provavelmente também aumentamos nossa capacidade de lidar com tecnologias devido às mudanças para o trabalho virtual. Reflita sobre como você cresceu e procure maneiras de implementar essas habilidades aprimoradas. Além disso, busque maneiras de aprender novos sistemas, plataformas e programas de forma proativa. Embora você não precise se tornar um programador, seu nível de conforto com a tecnologia pode aumentar quanto mais você se envolver com ela.

3. Assuma trabalhos mais longos. É provável que muita coisa tenha mudado em seu local de trabalho, então procure oportunidades para levantar a mão e assumir um novo cliente ou projeto que permitirá que você aprenda algo novo. Se você não está empregado, organize uma iniciativa em sua vizinhança para promover novos relacionamentos e ajudar outras pessoas ou procure lugares onde você possa ser voluntário. Comece identificando uma lacuna que você gostaria de fechar e, em seguida, procure (ou crie!) um novo trabalho para você mesmo.

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